Quando surgiu a ideia de viajarmos para Viena, uma coisa que nos instigou muito foi o fato de ir pela primeira vez a um lugar do qual não dominávamos a língua e, até então, era apenas uma referência de uma bela cidade europeia. O que conhecíamos de Viena? Suas óperas, passeios de charrete e as obra de Gustav Klimt?! Acima de tudo, gostaríamos de ser pegos de surpresa e sentir aquela primeira impressão que fica, quando se vai a um lugar pela primeira vez.

Seguimos nosso destino partindo em voo da Condor Airlines diretamente de Recife para Frankfurt e, chegando lá, pegamos outro direto para Viena (1h30 de viagem). Ambos os voos foram ótimos; o primeiro, mais longo. Mas nada que o belo visual da janela sobrevoando lugares incríveis como Montblanc não nos distraísse. A chegada foi tranquila e no aeroporto nosso transfer (Intersprint) já nos esperava para nos levar ao hotel. E então, fomos nos encantando pela cidade, já final da tarde de um outono brilhante. Viena se situa no coração da Europa, com mais de 1,8 milhão de habitantes, de acordo com dados da Eurostat, – a sétima maior cidade da UE com densidade populacional de aproximadamente 4.300 habitantes por km2. Fica às margens do Rio Danúbio, um ponto de encontro de culturas e de tráfego, da antiga Bernsteinstrasse e do Danúbio.

O nosso hotel, o Grand Ferdinand, fica bem no coração disso tudo (na famosa Boulevard Ringstrasse). Ótima localização, região do ring, ou melhor dizendo, uma grande avenida circundando o distrito de Innere Stadt na área central. Um dos principais cartões-postais de Viena e local onde a cidade renasceu, denominado Ringstraßenstil (Estilo Ringstraße), das décadas de 1860 e 1890. Segundo fatos históricos, na época, o governo dividiu a região em lotes que foram vendidos por altos preços para grandes empresários, que construíram os principais hotéis e importantes edifícios que mais tarde viraram sedes de empresas, residências de nobres, cafés e restaurantes. Com o dinheiro arrecadado, o governo investiu na estrutura da cidade ao longo do tempo. O centro histórico da metrópole cultural e capital mundial da música foi declarado patrimônio cultural mundial pela UNESCO.

Viena, assim como toda a Europa, é rica de história e tudo nos leva a acontecimentos incríveis ricos em cultura e arte, o que nos faz compreender um pouco da evolução da civilização. Mas uma coisa muito curiosa é, como eles tentam trazer esses fatores históricos para o dia de hoje sem ficar preso ao passado? A cidade tem toda essa bagagem de história, nobreza e batalhas, mas ao mesmo tempo se mostra contemporânea e moderna. Uma prova disso foi o Grand Ferdinand, que traz essas características nobres do passado e ao mesmo tempo essa contemporaneidade inerente à cidade. Ao descobrir Viena, vamos percebendo o quanto ela era moderna mesmo estando no século XVIII e XIX. Da mesma forma, o Grand Ferdinand nos conquistou com sua decoração moderna e descolada com elementos que nos lembravam a todo instante que ali estava um prédio com muito passado.

DESBRAVANDO VIENA

Começamos o dia na cobertura do hotel com uma bela vista da cidade e com um saboroso café da manhã, com croissants macios com salmão defumado, as famosas salsichas vienenses e um delicioso croque-monsieur. Afinal, precisávamos estar bem alimentados para longas caminhadas pela cidade. Para isso contamos com a valiosa participação do nosso guia Pablo Rudich (ver contato no final da matéria), um simpático uruguaio que fala português e tem a desenvoltura necessária que agrada os brasileiros. Pablo mora há muitos anos em Viena e conhece muito bem cada pedacinho da cidade. a primeira dica dele foi usar o Vienna City Card 72h, – um cartão de transporte válido por 72h para qualquer tipo de transporte e que ainda dá descontos em vários estabelecimentos como museus, passeios, óperas, compras e restaurantes. Ele custa 24,90 Euros e pode ser adquirido nos terminais de metrô, agências de viagens ou no site www.vienna.info.

Para entender um pouco a cidade, é bom conhecer um pouco de sua história. Sua área urbana é dividida em 23 circunscrições, que ocupa 415 km2 e conta com 2,6 milhões de habitantes, quase um quarto de todos os austríacos. Viena é considerada a sétima maior cidade da UE com densidade populacional de aproximadamente 4.300 habitantes por km2. Ou seja, estamos falando de uma grande cidade, coisa que não esperávamos. Tínhamos em mente de se tratar de uma cidade menor e mais calma. Não que ela seja agitada como as grandes cidades brasileiras, mas como lá tudo funciona de forma harmônica, dá a impressão de ser uma cidade menor. Para se ter uma ideia, lá, bondes, metrô, ônibus, carros, charretes e bicicletas convivem em harmonia, inclusive as bicicletas tem suas vias, semáforos e regras que devem ser respeitadas também pelos pedestres. Aliás, as bicicletas lá são um caso à parte – são tão comuns e tão bem integradas que nos serve de lição de que sim, é possível as grandes cidades as adotarem como um real meio de transporte. É possível se ver executivos, estudantes e gente de todas as idades e suas bikes estilosas circulando pela cidade toda.

MUITA HISTÓRIA: OS ROMANOS, MARIA THERESA, DOS NAZISTAS À UNIÃO EUROPEIA

Voltando à parte histórica, nosso guia Pablo nos deu uma pequena aula da formação da cidade que começa com escavações arqueológicas mostrando que já no período Paleolítico, , perto do rio Danúbio. Ainda hoje é possível ver nas ruas do primeiro distrito (Innere Stadt) o curso do Muro e as ruas do acampamento. Os romanos permaneceram até o século V na região. Hoje em dia existe, preservada, parte dessa estrutura criada pelos romanos. Virou ponto turístico e uma forma de conhecer, de perto, um pouco da história da cidade.

Já em 1156, Viena se tornou residência dos duques de Babenberg. Em 1237, foi declarada cidade imperial. Até então em guerra com os Húngaros, com a morte do Imperador Frederico II, os Babenberg se extinguiram por falta de descendentes. Foi então que deu-se o início da dinastia mais longa (de 1278 e 1918). Viena foi, durante mais de 600 anos, a capital e residência do império, e com isso tornou-se a cidade com mais poder da história da Europa, sob o comando de Rodolfo de Habsburgo. Depois de muitas batalhas e reinados, o que se percebe na paisagem urbana de hoje é a dominação do barroco e as influências do reinado da imperatriz Maria Theresa, que foi a primeira e única mulher a governar sobre os domínios habsbúrgicos, a última chefe da Casa de Habsburgo. Maria Theresa ficou no poder de 1740 a 1780, teve 13 filhos, dentre eles a rainha Maria Antonieta. À frente de seu tempo e pulso firme, um de seus decretos foi que, na época, todas as crianças fossem alfabetizadas. No entanto, o imperador Franz Joseph I também marcou a cidade quando ele colocou as muralhas da cidade em 1857 e supervisionou a conclusão do marcante Ring Boulevard. Ele morreu durante a Primeira Guerra Mundial, depois de reinar por 68 anos. Em 1918, Viena se tornaria a capital da República da Áustria. Após a junção da Áustria pela Alemanha nazista em 1938, Viena foi designada como “Reichsgau” (um distrito administrativo do Terceiro Reich). Até que, em 1945, foi novamente proclamada capital da República da Áustria. A cidade tornou-se uma das quatro sedes das Nações Unidas ao lado de Nova York, Genebra e Nairobi em 1979, em um complexo da ONU aberto nas margens do Novo Danúbio e, em 1995, a República da Áustria passou a fazer parte da União Europeia, com a assinatura do Acordo de Schengen.

ARTE E SEUS ARTISTAS

Quando se tem conhecimento das várias influências culturais que Viena sofreu, fica mais fácil perceber a forma como combina, com entusiasmo, a nostalgia imperial com uma cena cultural altamente criativa e moderna. Ao longo de sua história os vienenses foram cultivando uma herança preciosa de tradições encantadoras, ao mesmo tempo em que tomavam conta das últimas tendências. A arquitetura, que data dos tempos imperiais, deixou uma marca indelével na cidade. Com magníficos edifícios, predominantemente em estilo barroco; uma particularidade arquitetônica que foi denominada Ringstrasse. Idealizada e construída no século XIX, foi influenciada pelo nascente modernismo e pela arte noveau. Por toda essa riqueza artística e cultural, um dos grandes atrativos da cidade são seus museus. Toda essa área de museus é denominada de MuseumsQuartier, que possui uma extensão de 60.000 metros quadrados. A oitava maior área cultural existente no mundo, contendo arquitetura barroca e edifícios diversos tais como o MUMOK, que se destaca por sua arquitetura contemporânea, o Museu de Arte Moderna e o Leopold Museum. A região ainda possui estúdios de produção de novas mídias, alojamento para artistas e centros de desenho para crianças.

É muita coisa para se ver. Recomendamos selecionar o que mais interessa e ir sem tempo estimado. O bom é curtir e conhecer ao máximo. O primeiro que visitamos foi o incrível Leopold Museum, famoso por abrigar as maiores obras de arte moderna e contemporânea austríacas, contendo em seu acervo artistas como: Egon Schiele, Gustav Klimt, Oskar Kokoschka e Richard Gerst. O museu surgiu da iniciativa de Rudolf Leopold, um colecionador de arte que, em 1950, descobriu a obra de Egon Schiele, cujos trabalhos estavam disponíveis de forma barata na época e cujos desenhos de nus foram considerados pornográficos para a época. A coleção de Rudolf abrangia, na época, mais de 40 pinturas e mais de 200 trabalhos em papel e documentos manuscritos. A coleção inclui obras-primas de todos os períodos criativos do artista. Schiele morreu aos 28 anos (1918) vítima da gripe Espanhola (que também vitimou sua esposa Edith três dias antes dele). Rudolf foi garimpando obras e criando seu acervo particular ao longo dos anos. Em 1994, o governo austríaco concordou em comprar a coleção por um terço de seu valor estimado em US$ 500 milhões, com os trabalhos a serem exibidos no que seria o Museu Leopold em Viena, do qual ele foi diretor. O museu foi aberto ao público em 2001, e em 2010 Rudol Leopold faleceu, deixando essa rica herança para a cidade. Hoje, o museu contém o maior acervo de obras do pintor Egon Schiele do mundo.

A trajetória artística de Viena traz outro viés muito importante que é a música. Nomes clássicos como Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Franz Schubert, Arnold Schoenberg e Robert Stolz tiveram seu momento na cidade. Suas óperas e teatros são referência cultural e propagam a música, seja onde for. Destaque para o Burgtheater, considerado um dos melhores teatros do mundo, o Volkstheater Wien e o Theater in der Josefstadt. Além do State Opera, localizado no centro de Viena (ao longo da “Ring”) e construído no século XIX, – do nosso hotel para lá é só algumas quadras. Construída graças ao Fundo de Expansão da Cidade, que loteou a parte central da cidade onde hoje é o “Ring”, inaugurada em 1869 com a ópera de Don Giovanni de Wolfgang Amadeus Mozart. Por falar em Mozart, vale muito a pena conhecer o parque dedicado a ele que fica pouco depois. E olhe que em se tratando de parques, Viena tem de todos os tipos. Para se ter uma ideia , 51% da área urbana de Viena é área verde formada por jardins, parques e bosques.

DESCOBRINDO VIENA A PÉ

Uma dica para quem passar pela Ópera é o prédio por trás dela; o tradicional Hotel Sacher, inaugurado em 1876 por Eduard Sacher. Chegando lá fomos recebidos pelo Mr. Jakubowski, que simpaticamente nos recebeu e nos encaminhou até o restaurante. O lugar parece cenário saído de um filme. Salões luxuosamente decorados e elegantes. Uma história curiosa envolve a família Sacher:  em 1832, o aprendiz de cozinha Franz Sacher (pai de Eduardo), com apenas 16 anos, recebeu a missão de fazer um bolo especialmente para o príncipe austríaco Clemens Lothar Wensel Metternich. A ideia era que o bolo fosse feito com chocolate, geleia de damasco e chantilly, o jovem o fez utilizando apenas ingredientes disponíveis na despensa e caiu nas graças do príncipe. E ao longo dos anos o bolo tornou-se a marca registrada da casa e o mais famoso de Viena. Segundo o jornal alemão Süddeutsche Zeitung, “é amplamente aceito como uma moeda de relações interpessoais em todo o mundo”. Ou seja, não deixe de provar esse ícone gastronômico de Viena (veja box com dicas gastronômicas). E realmente é um bolo super equilibrado de sabores, não muito doce, com chantilly suave e chocolate meio amargo.

Indo pela Karntner Strass, uma das ruas mais antigas de Viena, exclusiva para pedestres, encontramos todos os tipos de lojas, restaurantes, magazines e cafés. À noite, a rua fervilha. Agora, se você pretende fazer compras é bom chegar cedo, a maioria das lojas fecha às 7h da noite (algumas às 8h). Grandes griffes como Prada, Louis Vuitton, Rolex, BOSS, Hermès, Chanel e Burberry têm suas lojas pela região, e toda a rua encanta os olhos. Fique tranquilo em andar à vontade, pois a cidade é super segura e altamente democrática. Chama atenção a elegância das pessoas, de diferentes idades e classes sociais, e é muito comum, após o expediente de trabalho elas irem para a calçada tomar taças de vinho e fumar. Para quem curte vinho, pode pedir o da casa nos restaurantes que não tem erro. Todos que tomamos foram ótimos, e o atendimento sempre muito bom.

Seguindo o fluxo, você chegará na Stephansplatz, a rua também exclusiva para pedestres, e vai se deparar com a bela Catedral de Santo Estêvão, uma das mais antigas catedrais em estilo gótico europeu. Datada do século XIV, sua torre norte possui 70 metros de altura e possui 230 mil telhas vitrificadas coloridas, fazendo desenhos geométricos. Em 2001 ela foi eleita Patrimônio Mundial da Unesco. Vale uma visita ao interior, que curiosamente apresenta estilo barroco. Para quem curte passeio de charrete, vale um por toda essa região do centro da cidade.

Ainda próximo à Opera e ao centro de Informação Turística (Albertinaplatz, 1º distrito), o Bitzinger é outro lugar imperdível. Lá, você irá provar outra iguaria típica dos vienenses, as salsichas de diversos sabores e molhos. Pedimos uma apimentada e outra de queijo com mostarda. E depois, o típico hot dog local, acompanhado de uma boa cerveja. Ainda que no clima frio, é muito bom. Mesmo sendo uma “lanchonete de rua”, o nível dos frequentadores e de sua elegância chama atenção. Detalhe, toda essa agitada região da cidade é super limpa e organizada. A cidade é impecável em questão de segurança, limpeza e organização. Não é à toa que foi eleita pela 7ª vez a 1ª cidade no mundo em qualidade de vida, entre 230 metrópoles ao redor do globo. Foi avaliado o panorama político, social e econômico, o serviço de saúde, as possibilidades de educação e a infraestrutura, tais como a rede dos transportes públicos e o abastecimento de energia elétrica e de água.

Continuando dentro da proposta “descubra Viena à pé”, após o almoço no restaurante Glacis Beisl, encontramos a simpática guia de compras Lucy (www.shoppingwithlucie.com), que nos mostrou de tudo um pouco em matéria de compras na cidade, dando uma fugida da linha de grandes marcas internacionais e apostando em produtores locais. Visitamos pequenos ateliers onde jovens empreendedores criam com material reciclado (como jeans velho ou câmera de ar de pneu), de porcelana à roupa, móveis e utensílios domésticos altamente refinados e joias em prata e pinturas. Do estilo descolado e moderno ao mais clássico dos sapatos sociais, dá para encontrar de tudo por preços variados. O que nos chamou atenção na parte de móveis e utensílios domésticos, como talheres, jarras e copos, foi que a referência ultra contemporânea deles vem de grandes artistas dos séculos XVII e XVIII. Traços e formas altamente vanguardistas que surgiram há muitos anos atrás.

Foi justamente isso um dos aspectos que mais se destacou em nossa visita ao imponente Belvedere Museum. Esse é um espaço imperdível e obrigatório para quem passa pela cidade. Situado no Palácio Belvedere ele possui três partes, o Lower Belvedere, o Upper Belvedere e o 21er Haus (Museu de Arte Contemporânea), que abriga, ao todo, obras desde a Idade Média e o Barroco até o século XXI, assim como pintores austríacos do fim do século e do período Art Nouveau. No Upper, palácio incrível tanto visto de trás onde fica um impressionante jardim, quanto visto de frente onde possui um imponente lago, o movimento é intenso por conta das obras de grandes artistas tais como Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir e o badalado Gustav Klimt, que se destacou dentro do movimento art nouveau austríaco e foi um dos fundadores do movimento da Secessão de Viena. Lá estão obras clássicas como Judith I e o Beijo, – esse opera um efeito “Mona Lisa” nos turistas que se amontoam para ver quem faz o melhor click.

Aliás, fazer o melhor click é algo fácil em uma cidade como Viena, onde tudo é inspiração. Seja o povo elegante pedalando em suas ciclovias, seja em seus belos parque e monumentos como o palácio de Maria Theresa, ou na vista do alto do hotel Grand Ferdinand, Viena encanta. Seja pelo clima agradável na maior parte do ano, a temperatura anual média é de cerca de 12°C, ou por sua rica história. Viena é elegante, clássica e altamente convidativa a ser descoberta aos poucos. É daqueles lugares que permanecem na memória por muito tempo, mas que especialmente toca o coração, assim como suas óperas. Para nós, que encerramos nossa viagem com um gostinho de quero mais e uma enorme vontade de conhecer o que não foi visto à tempo, ficou a vontade de voltar a essa bela cidade que merece ser top one na lista de destinos na Europa.

SIGA / ACESSE
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