Sua primeira exposição individual, Sonhos de Cabotagem, aconteceu em setembro, na Estação Cultura, no centro de São Paulo. Na ocasião, o público pôde contemplar oito pinturas, uma escultura e dois desenhos do artista, produzidos a partir de sua singular visão de habitantes e lugares paulistas. Também foi a primeira vez em que ele teve um contato mais direto e pessoal com o seu público, já que antes suas criações só eram compartilhadas nas redes sociais, pelo Instagram e Facebook.

Seu processo criativo sempre começa com modelos vivos. Segundo Bruno, seu maior objetivo é estabelecer interseções entre o cotidiano e o fantástico, entre o banal e o sublime. Ele busca romper a realidade, colocando a percepção sensorial em contraponto ao mimetismo acadêmico. Apesar do realismo de suas obras, ele persegue uma tensão emocional no resultado. Seu trabalho prima pelo despertar dos sentidos, misturando aspectos técnicos da pintura clássica aos temas contemporâneos.

Antes de se aventurar nas artes, esse paulista de Marília lançou a marca de moda masculina Conto Figueira em parceria com sua sócia e esposa, Camila Simielli. Mas, há sete anos, ele descobriu sua fome pela pintura “Num livro do Henri Matisse, encontrei a descrição das sensações que o pintor sentia ao criar seus trabalhos. Fiquei maravilhado com a possibilidade de sentir o mesmo”. Nessa nova aventura, ele conheceu e trabalhou com o maior pintor clássico vivo, Odd Nerdrum, na Noruega.

Com o mestre nórdico, avesso à arte conceitual e abstrata, aprendeu a primeira lição que vai além da pintura “O status profissional adquirido por meio da qualidade técnica não migra automaticamente para outras esferas”. Até o momento, o artista ainda não é representado por nenhuma galeria. Mas, à medida que seu trabalho já começa a fazer parte de algumas coleções particulares no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos, ele acredita que essa parceria acontecerá naturalmente.


Em 2019, Bruno planeja realizar vários projetos, incluindo mudar de cidade para pintar uma grande obra in loco e fazer uma expedição ao Xingu para registrar o cotidiano indígena. Sua intenção é sempre explorar novas conexões humanas, resultando numa produção artística cada vez mais plural e que desperte todos os sentidos. Sua ideia é fazer o observador admirar a beleza das coisas simples, triviais. Com isso, ele leva o espectador a vivenciar uma experiência artística pela contemplação, sem imediatismo.