Daniel Dalcin é um daqueles pessoas que não se intimidam em sair de sua zona de conforto. Seja com um personagem na TV ou teatro, seja como empreendedor com seu próprio negócio. Com a incerteza profissional que alguns atores enfrentam, Daniel não se intimida em se aventurar em outras áreas. Deixando o rótulo de galã da TV de lado, ele hoje está à frente de uma rede de creperias, dá uma força em uma loja de roupas e ainda ensaia sua próxima peça. “No Brasil de hoje quem pode se dar ao luxo de não trabalhar? Como se manter um ano sem trabalho? Eu sei como, trabalhando!”, comenta. Sem deslumbres ou vaidades, Daniel conversou conosco sobre carreira, desafios e futuro próximo. Um belo exemplo a ser seguido. Um exemplo de vencedor.

Verdade que você entrou para as artes através da música? Como foi isso? A música foi um caminho para a arte. Quem me ensinou a cantar foi o meu avô e desde criança participava de vários festivais de música no colégio. O próprio colégio também incentivava as crianças à arte, o que particularmente eu acho fundamental.

Em seguida, já morando no Rio, trabalhou como modelo e publicidade. Que recordações guarda dessa época? Na verdade, eu não cheguei a fazer nenhum trabalho como modelo. Tudo foi muito rápido. Minha agência me indicou um curso de televisão e em um ano eu já estava atuando.

E como foi o início como ator? Primeiro trabalho na Record… Meu trabalho como ator na Record foi lindo! Primeiro trabalho onde conheci grandes atores e diretores. Além de ter sido muito bem acolhido pela emissora.

Em seguida veio o convite para “Malhação” em 2009 e mais duas novelas na Globo. Como foi esse processo de evolução dentro da TV? Depois de duas novelas na Record, fui aprovando para fazer “Malhação”. Fiz meu primeiro protagonista. Paralelamente com os trabalhos na TV, também consegui me formar bacharel em Artes Cênicas pela CAL (Casa das Artes de Laranjeiras).

Hoje em dia, aos 33 anos, você está investindo em outras áreas. Como sua rede de creperias. Como foi esse recomeço em outra área completamente diferente? Em 2015 meu pai foi diagnosticado com câncer. Minha mãe cuidou dele e da creperia Chez Michou (franquia) ao mesmo tempo enquanto eu e meu irmão trabalhávamos em outro comércio para ajudar no tratamento. Após o falecimento dele em 2016, assumimos tudo na creperia e mudamos todas as funções na área. Somos donos, mas fazemos todas as funções. Limpeza de copa, preparo de crepes, atendimento na mesa, pagamento no caixa. Ou seja, tudo!

Muita gente critica ou acha que o ator não está trabalhando por que não está na TV. Já passou por isso? Como lida com esse tipo de coisa? Já aconteceu algumas vezes de eu ter que desmentir casos de calúnia sobre a minha profissão. No ano de 2017 fiz três peças de teatro. Passei pelo Galpão Gamboa, SESC Copacabana e Glaucio Gil. Minha última peça chamada “Triângulo Escaleno”, do Silveira Sampaio, foi dirigida pelo Domingos de Oliveira e terminamos a temporada em outubro. Em novembro eu já estava no meu próprio negócio, trabalhando. Reta de fim de ano. No meio do trabalho, me deparo com a falsa matéria. Vários amigos do meio artístico me apoiaram nas redes sócias. A matéria do jornal era: “Famosos que largaram a profissão de ator por falta de opção”.

Alguns atores até preferem não divulgar outras atividades que estão fazendo para se manter. Você ao contrário disso segue na boa. O que realmente importa para você? Os que não fazem vivem de aparência.  Coisa que nunca fiz. Na verdade resolvi seguir o exemplo do Francisco Cuoco que trabalhava com o pai na feira de manhã e à noite estudava. Não vejo problema em assumir isso. No Brasil de hoje quem pode se dar ao luxo de não trabalhar? Como se manter um ano sem trabalho? Eu sei como, trabalhando!

Você já trabalhou como modelo, publicidade e hoje também trabalha em uma loja de roupa. A experiência com moda no passado ajuda em algo hoje em dia? Bastante. Hoje em dia eu faço as minhas próprias produções. Seja para uma foto ou para um evento. No teatro lidamos muito com o figurino também. Que ajuda na criação da personagem. Desde o aspecto externo ao interno!

Soubemos em próximo ano você estreia a peça “Anjo do Apocalipse”. O que vem por aí? O que podemos esperar desse novo trabalho? Se tudo correr bem faremos a nossa estreia nos teatros do Rio. O que vocês podem esperar é uma crítica aos tempos atuais. Uma crítica à guerra mundial em que vivemos!

Atuar sempre terá espaço na sua trajetória? No que isso te completa? Completa em tudo. Me sinto evoluindo como ser humano através dos personagens e suas histórias. Vivencio experiências pelos olhos do personagem. Com isso não sinto a rotina de outras profissões. Você nunca sabe o que pode acontecer.

O que te desafia como ator? E como empresário? Fazer personagens que sejam completamente diferentes de mim. Geralmente, o teatro te dá uma amplitude muito maior, pois você não fica tão amarrado ao seu perfil. Como empresário, o que me motiva é estar sempre alcançando as metas estabelecidas pela minha empresa, o que diante do atual cenário do país, é algo extremamente desafiador.

Com tantas atividades o que curte fazer para relaxar? O que faz sua cabeça? Meditação, leitura e corrida são atividades que me relaxam e acalmam a minha mente. E quando consigo fazer isso no meio da natureza, melhor ainda. A natureza me conecta muito com meu ser interior.

Atualmente solteiro? O que te atrai numa mulher? Sim. O que me atrai é sua dedicação. Uma mulher que tenha objetivos.

Você se considera um cara vaidoso? Como cuida do corpo e da saúde? Hoje nem tanto, mas a vaidade do passado me fez adquirir memória muscular. Com isso, hoje em dia, através de exercícios específicos, eu mantenho a minha forma física. Acredito que musculação em excesso pode afetar as emoções do ator, pois gera muita tensão, por isso eu evito.

Falando em vaidade, qual seu pecado preferido? Preguiça. Ando tão cansado da correria do dia a dia, que quando tenho um tempo livre, me jogo na cama, pego um livro e assumo a minha preguiça naquele momento.

Para conquista Daniel basta… Basta ser real, autêntica e sem máscaras. Gosto das pessoas que se interessam pelas coisas e não fingem interesse.