Com apenas 21 ano e em sua segunda novela, o ator Jaffar Bambirra já demonstra uma versatilidade e um talento de quem já tem mais tempo de estrada. Atualmente interpretando Leonardo em “O Sétimo Guardião”, Jaffar se divide entra a vida de ator e de músico. “O Jaffar músico surgiu primeiro e fui pro ator através dele, mas o ator me tomou de um jeito que não deu mais pra fugir”, comenta ele. Fora isso, nos momentos de lazer, sua distração é o surf. Momento onde recarrega as baterias e serve de inspiração para a vida.

Você lembra como e quando foi o primeiro momento em que decidiu ser ator? O momento que decidi realmente que eu queria ser ator foi quando eu pisei pela primeira vez no palco. Eu comecei a estudar teatro pra me ajudar como músico, mas no momento que pisei no palco, percebi que era isso que eu queria fazer pra minha vida.

O que você aprendeu por ser filho de atriz e ter crescido no meio artístico? Aprendi, principalmente, a ter pé no chão e entender que na nossa profissão existe uma glamourização, mas que é um ofício como qualquer outro e que temos um papel a exercer. Minha mãe sempre me deixou muito consciente das dificuldades do meio, mas também sempre me apoiou muito, admiro e agradeço muito a ela.

E como foi a reação na primeira conquista por um trabalho como ator? Foi engraçada, lembro do dia que recebi a notícia. Fiquei muito feliz no momento, mas muito calmo, recebi a ligação no meu quarto e quando fui contar pra minha mãe. Ela teve uma reação muito mais calorosa que a minha. Eu sou bem tranquilo.

Com apenas 21 anos você está na segunda novela. Como avalia sua trajetória e quais seus sonhos como ator? Eu fico muito feliz de poder mostrar o meu trabalho e ele estar sendo reconhecido já tão novo. Principalmente, porque sei da dificuldade da nossa profissão, tenho muitos amigos que são ótimos atores, mas que ainda não tiveram oportunidades. E meu sonho é poder tocar as pessoas com a arte. Eu acredito que ela é transformadora e tem um papel social muito importante, então enquanto eu puder exercer a minha profissão e que ela possa transformar o outro, estarei realizado.

Você está fazendo faculdade de cinema. Sonha em ser diretor também? O que a faculdade agrega na sua carreira de ator? Eu não diria um sonho, mas cada vez mais tenho me interessado nisso… Quem sabe mais pra frente né? É um projeto. Mas a faculdade me ajuda muito como ator, porque ela traz a noção de tudo que acontece em volta. Existe muito mais do que só fazer a sua cena, acho importante entender o ambiente onde você trabalha.

Leonardo, seu personagem na novela “O Sétimo Guardião”, faz um documentário sobre Serro Azul. Onde foi buscar inspirações para este trabalho? E como se preparou pra ele? Eu busquei inspiração pro Leonardo de vários lugares. Algumas referências de personagens do Woody Allen. Assisti a bastante documentários e também tive uma experiência no “Profissão Repórter”, onde pude acompanhar algumas matérias, fui muito bem acolhido e foi muito bom pra criação do personagem.

Você também é músico. O que surgiu primeiro: o Jaffar músico ou o Jaffar ator? E como o ator influi no cantor e vice-versa? O Jaffar músico surgiu primeiro e fui pro ator através dele, mas o ator me tomou de um jeito que não deu mais pra fugir. Acredito que os dois se agregam em vários momentos. Vejo muito o ator na hora de compor ou interpretar uma música, pra me entender no palco e o músico me ajuda nas emoções, no entendimento de cada palavra de um texto, de entender o ritmo. Eu amo muito fazer os dois.

Você canta, toca e compõe. Como define seu trabalho musical? Sincero. Tento fazer o que sinto que preciso, mesmo que o que eu diga não seja meu, ou verdade, que pelo menos seja sincero.

Quais as suas inspirações para compor? Existe algum ritual para isso? Eu tenho fases, tem momentos que componho muitas músicas e depois períodos sem escrever nada, então ainda não consegui entender de onde vem essa inspiração, ela só aparece. O ritual pra mim vem depois desse momento, que é o momento da criação.

Você tem uma nova canção para lançar pro público. Fale desse trabalho. E shows, eles estão nos seus planos? A música é “Quando Fui Seu Par” que escrevi com um grande amigo, Nitai Domingues, e que tô repetindo a parceria com o Pedro Mamede na produção. A música está linda, não vejo a hora de todo mundo poder escutar. E os shows estão sim nos planos, assim que acabar a novela pretendo voltar.

Em “O Sétimo Guardião” seu personagem tem um encantamento por uma mulher mais velha vivida pela Flávia Alessandra. Acha que idade interfere num relacionamento? E acredita em amizade homem-mulher? Acredito que só interfira socialmente, pelo olhar do outro, que não aceita. Mas a verdade é que o amor não tem idade, se você ama uma pessoa, você simplesmente quer estar com ela, não é a idade que vai impedir, temos que parar com esses preconceitos. E quanto a amizade entre homem e mulher, não só acredito, como tenho muitas amigas.

Está solteiro? Sim.

Seu ensaio para a MENSCH foi feito na praia com uma pegada surf. Fale da sua relação com o esporte, com a praia… O surf é o meu momento de meditação, é onde posso me conectar comigo e com a natureza. Naquele momento é só você e aquele mar imenso. É muito lindo.

Com 21 anos você se mostra bem politizado em suas redes sociais e entrevistas. Como você vê a situação da arte no Brasil? E quais seriam suas ações em relação à cultura se fosse um governante? Vivemos uma situação muito delicada, onde os governantes não valorizam as artes, onde teatros não param de fechar e projetos não saem do papel porque não tem incentivo, estão marginalizando novamente a cultura e a arte no nosso país. Isso é muito triste. A maior ação e é investir em educação, ela é a base de tudo e valorizar a cultura brasileira, a música, as tradições, o teatro, o cinema, por que só assim que se forma uma sociedade e não com armas.

Quais seus próximos projetos? Como ator gravei um filme no ano passado, “Estação Rock”, direção de Pablo Loureiros, que deve sair ainda esse ano, Estou bem ansioso para vê-lo. E pretendo fazer teatro logo. E como músico, vou lançar “Quando Fui Seu Par” e voltar a fazer shows. Também pretendo ter tempo pra terminar a faculdade, que está complicado (risos).