O acaso do destino fez aquela garota de 20 anos que estava na praia sem pretensão alguma a ser uma atriz de reconhecimento nacional e uma das mulheres mais desejadas da TV. Foi no concurso “Garota do Fantástico”, isso em 1987, que Paula Burlamaqui viu sua vida mudar radicalmente. Entre novelas, séries, filmes e peças de teatro já se vão mais de 30 anos de carreira e um reconhecimento do grande público e crítica. A garota que saiu de dentro do mar de maiô cavado mostrou que era muito mais de uma musa de verão e conquistou seu espaço como atriz elogiada por todos. Atualmente interpretando a Dra. Letícia Monteiro, na novela “Órfãos da Terra”, na Globo, Paula cuida de refugiados e segue com mais uma personagem que tem muito a dizer ao público. Nós ficamos aqui só admirando sua presença na TV e agora aqui na nossa capa.

Paula, da sua estreia na TV em 1987 em “Sexo dos Anjos” até hoje já vão mais de 30 anos de carreira. Como você avalia sua trajetória? Fez as escolhas mais acertadas? Na minha estreia na TV foi em “Sexo dos Anjos”, a minha personagem era surda se chamava Bia, foi um trabalho incrível, mas a minha trajetória foi de um amadurecimento, e com certeza escolhas mais acertadas. Principalmente no teatro.

Quais os momentos mais marcantes para você? As personagens mais marcantes e prazerosas para mim foram Islene de “América” e Stela de “A Favorita”, foram personagens muito ricas dramaturgicamente.

Muitas personagens variadas, do drama ao humor. Mulheres mais sensuais, outras mais contidas… O que te deixa mais confortável? Não tenho preferência, o importante é ter conflito… história, mas a Islene foi sem dúvida a personagem que me deu mais prazer!

Seu trabalho em novelas como “Explode Coração” e “América”, ambas de Glória Peres, foram grandes momentos da sua carreira. Concorda? Sim, acabei de falar da Islene de “América”, foi um divisor de águas na minha carreira.

Inclusive na época de “Explode Coração” você foi capa da Playboy em um ensaio histórico. Que lembranças guarda desse trabalho, além de quase ter congelado a perna? Foi o pé! (risos) Fiquei muito satisfeita com as fotos do Duran, a locação. A revista esgotou em apenas duas semanas de publicada. Gostei muito do resultado.

A nudez em algum momento já foi um tabu para você? Nunca, não tenho problema com isso.

Na época da Playboy você foi chamada de “Paula Burlamáquina”, devido ao corpão. Genética e muito treino? Como mantém isso até hoje? Tenho uma alimentação balanceada e faço muito exercícios, eu gosto.

Talvez muita gente não lembre mas você aos 20 anos foi “Garota do Fantástico”. Que revelou você para o grande público. Como foi isso? Estava na praia com a minha irmã e um produtor de talentos convidou a minha irmã para participar, ela não quis e eu pedi para ir no lugar dela, não imaginava que iria ganhar o concurso. Foi uma mudança muito grande na minha vida e um ponta pé, para a minha independência.

O que ficou da Paula de 20 anos, da época da “Garota do Fantástico”, para a Paula de hoje que está interpretando Dra. Letícia em “Órfaos da Terra”?  Com o tempo a gente vai ficando menos ansiosa e mais segura de todas as coisas, principalmente no trabalho, não tenho mais as angústias de antes, estou feliz do jeito que sou e onde estou. O melhor lugar do mundo é aqui é agora!

Sabemos que para o ator o corpo é instrumento do trabalho também. Como a idade interfere nisso? Que peso tem? Sem dúvida o instrumento de trabalho do ator e a sua voz e o seu corpo, sempre fiz dança, preparação corporal e trabalho de voz, claro que hoje tenho uma resistência corporal menor do que há 20 anos atrás, mas a gente vai se ajeitando às nossa possibilidades.

Falando em idade, as mulheres, principalmente as mais sexy, são muito cobradas por isso. Como percebe isso? Existe uma cobrança realmente muito grande em relação a beleza, o segredo é não pirar com isso, ter outros valores.

A vaidade é algo muito presente em você? Qual o limite? Sou muito vaidosa, sempre fui… ainda não sei o meu limite… (risos). Peço sempre para os meus amigos e o meu marido me ajudarem nisso.

Já enfrentou algum preconceito por conta da beleza? Chegou a ter que provar que você tinha talento também? Acho que no início sim… você sempre tem que provar alguma coisa até para você mesmo, depois com um tempo, você relaxa. Com o tempo você sabe quem você é e qual é o seu espaço no mercado.

Falando em “Órfãos da Terra”, como está sendo a experiência? Qual a importância para você de debater sobre os refugiados? Tenho muito orgulho de estar num trabalho como esse. A questão dos refugiados é muito séria. Eles não tem opção, estão fugindo da guerra, ou da fome, acho que todos os países deveriam se unir para recebe-los.

E você estava em cartaz com a peça “Eu vou deixar de ser feliz com medo de ficar triste?”. Como foi participar desse trabalho? O que te marcou nele? Foi muito incrível, ficamos um ano em cartaz, fiquei muito feliz em encontrar meu diretor Jorge Farjalla e todos que participaram desse projeto mágico e lindo.

Com tanta correria, o que curte para relaxar? Ficar em casa.

Para conquistar Paula basta… Ser sincero e amar os animais.

Fotos Carol Beiriz (@beirizcarol)