O portuga Pedro Carvalho é mais um ótimo exemplo dessa troca de talentos entre Brasil e Portugal. Em sua segunda novela no país, a 1ª foi “Escrava Mãe” (Record), e viu sua popularidade ir nas alturas com o sucesso do personagem Amaro na novela global “O Outro Lado do Paraíso”, “é uma repercussão diferente, até mesmo por uma questão cultural. As pessoas aqui não são tão acanhadas, se te vê na rua, ela quer falar, tirar foto. É uma abordagem diferente”, comenta Pedro. Morando no Rio desde o início das gravações, está apaixonado pela cidade e pela descoberta de sua perdição, o brigadeiro. De costumes simples, Pedro é um cara mais diurno e faz o perfil bom moço. Não abre mão de seu momento na academia ou com uma boa leitura. Com talento e simpatia, Pedro tem conquistado o público, a crítica e novos amigos.

E aí Pedro, como está sendo para você essa repercussão toda por conta do personagem Amaro? Esperava tudo isso? Eu sempre acreditei muito nessa novela. Sabia que tínhamos uma história boa. Amaro é um personagem muito interessante e vi isso de cara. Fico muito feliz com a aceitação dele pelo público. No início ele se mostrou um cara muito misterioso, dúbio em suas atitudes, depois mostrou que não era um cara legal e passou por um caminho de redenção. Eu vivi intensamente esse projeto, me dediquei muito e acho que o que está acontecendo é fruto dessa dedicação e de uma equipe incrível.

Trabalhar na maior emissora da América Latina te trouxe uma dimensão bem maior do seu trabalho no Brasil (e por consequência mundial). Como foi para você? Eu comecei a fazer novelas muito cedo, tinha 17 anos. Lá em Portugal, eu fiz mais de dez novelas, sempre com papeis grandes. Eu já entendo bem essa dinâmica da profissão. Mas trabalhar no Brasil era uma meta minha. Tinha esse desejo de internacionalizar a minha carreira há algum tempo. A Globo é uma referência quando o assunto é novela. Lá em Portugal eu trabalho numa grande emissora, também fazemos novelas incríveis por lá, mas a diferença é que temos aqui no Brasil mais de 200 milhões de habitantes e, em Portugal, pouco mais de 10. É uma repercussão diferente, até mesmo por uma questão cultural. As pessoas aqui não são tão acanhadas, se te vê na rua, ela quer falar, tirar foto. É uma abordagem diferente. Mas foi um momento especial estrear na Globo, contracenar com grandes nomes como a Marieta Severo, dona Fernanda Montenegro… É uma alegria.

Em algum momento essa baita visibilidade e o assédio te assustaram? Eu já estou acostumado com o assédio. A abordagem lá fora é um pouco mais sútil, mas recebo muitos presentes, declarações de fãs… Só que no Brasil eu ainda não tinha experimentado isso. E aqui as pessoas querem interagir, conversar, tem uma troca mais calorosa (risos). Vez ou outro escuto de alguma mulher que “quer ser a minha Estela”. Eu me divirto.

Como você diferencia o público no Brasil e o de Portugal? O que eles têm em comum e que particularidades cada um tem? Em comum são dois públicos que são apaixonados por novela, que gostam de teledramaturgia. Fazemos boas histórias lá e aqui. Acho que diferença está mesmo na abordagem. O público aqui aborda sem melindres (risos). Já te trata como alguém de casa, íntimo. Em Portugal, a abordagem não é assim. Mas também é carinhosa. Eu gosto mesmo é de saber que as pessoas estão gostando do trabalho. Isso me deixa feliz.

Seu personagem em “O Outro Lado do Paraíso” começou como um bom interesseiro e depois de uma rasteira na vida ficou cego e começou a enxergar o real valor das coisas. Como você vê o caráter e a trajetória dele na trama? Ele era um cara mal-intencionado. Ele chegou ali disposto a dar um golpe na Estela (Juliana Caldas). Ele se fez de bom moço para conquistá-la e só não seguiu porque a mãe dela atrapalhou os planos dele. O Walcyr conduziu muito bem essa história do Amaro, porque pudemos mostrar essa redenção dele aos poucos, de forma verdadeira. Ele percebeu que se apaixonou pela Estela, em seguida, perdeu a visão e se viu nesse outro lugar. Até então ele era o cara bonitão e imbatível. E teve que recomeçar, deixando de lado vaidade e revendo os valores. Gosto muito do desenho do Amaro ao longo da novela.

Em geral os atores comentam que sempre deixam algo deles nos personagens. Algo em comum com Amaro? Tenho valores muito bem definidos. Não tenho muitos pontos em comum com o Amaro. Acho que agora a trama dele tem um pouco mais a ver comigo, porque estamos retratando uma história em que o amor prevalece sobre os obstáculos. E eu realmente acredito nisso.

Depois de participar de “Escrava Mãe” você voltou para Portugal e agora está na sua 2ª temporada no Brasil. Pensa em ficar de vez? O que te agrada em morar aqui, especificamente no Rio? Se sente um pouco carioca? Tenho vontade de me estabelecer no Brasil. Acabando a novela, eu vou para Portugal, visitar minha família e amigos, e volto em seguida. Mas eu estou apaixonado pelo Rio. Gosto dessa mistura de urbano com a natureza, que é muito presente. Gosto de praticar esportes ao ar livre e existe cada cenário paradisíaco. Eu me sinto em casa já.

Quando finalizar esse trabalho já tem planos aqui no Brasil ou em Portugal? Tenho algumas propostas de trabalho em Portugal, mas minha agenda lá é mais maleável, consigo negociar. Minha intenção é focar em projetos aqui. Estou trabalhando para isso (risos).

 

Como você enxerga o mercado de Portugal para a TV hoje em dia? As produções estão evoluindo para que ponto? O quanto essa troca entre os dois países é importante para isso? Temos um mercado interessante em Portugal. Já fiz novela lá que concorreu ao Emmy. Temos artistas muito incríveis, assim como parte técnica também. Acho que essa troca é interessante porque é mais um mercado que o ator tem para mostrar o seu trabalho. Temos a língua portuguesa que é um facilitador nesse processo.

E quando não está trabalhando, o que curte fazer? O que te distrai? É mais do dia ou da noite? Eu sou mais do dia. Eu gosto de estar com os amigos, de estar em contato com a natureza, de praticar exercícios. Em casa, gosto de ver séries, televisão, ler. E é quase certo que você me encontrará com um caderno desenhando. Amo desenhar desde criança. Eu sou formado, inclusive, em arquitetura. Fiz a faculdade junto com a de artes cênicas.

É fácil se perder na noite do Rio de Janeiro? (risos) No meu caso, não (risos). Como disse, eu não sou muito da noite! Prefiro os eventos diurnos. Mas eu também sou muito na minha, quando saio, estou com amigos.

Você se considera um homem vaidoso? Até que ponto? Eu sou vaidoso no limite! Meu corpo é reflexo da minha boa alimentação e da prática de esportes. É mais um estilo de vida do que uma vaidade. Meu foco está na saúde.

Como cuida do corpo e alimentação no meio dessa correria de gravação de novela? Eu malho todos os dias, já é algo que faz parte da minha rotina. Eu me sinto bem fazendo exercícios. Sempre encontro uma brecha para ter esse tempo para mim. Tenho uma alimentação bem saudável também, não sou um cara que curte fritura, essas coisas. Minha única perdição é o brigadeiro, que descobri aqui no Brasil. Nunca tinha provado nada igual (risos). E doce de leite também. Mas não como todos os dias, então não tem problema.

O que te atrai em uma mulher e que qualidades suas você costuma ressaltar na hora da conquista? Eu gosto de olho no olho. E se a mulher tem bom humor, isso já é um bom caminho. Acho que não tem como ressaltar qualidades na hora da conquista (risos). Se não fica algo panfletário demais. Você vai conquistando na atitude.

Para agradar a Pedro basta… Ser sincera! Sou um homem que preza pela verdade sempre. Mentira é algo que eu não gosto.

Fotos Sergio Baia

Stylist Paulo Zelenka

Beauty Walter Lobato

Assessoria Mattoni Comunicação

Pedro veste: Look 1 – Jaqueta esportiva Levis, jeans Calvin Klein, tênis Vert; Look 2 – T-shirt Booq, jeans Calvin klein, boot Levis; Look 3 – Casaco Worlner, moleton Beagle; Look 4 – Parka Wolner, calça AD; Look 5 – Casaco capuz Booq; Look 6 – Tricot vermelho Calvin Klein, calça Levis; Look 7 – T-shirt Calvin Klein, short moleton Calvin Klein