Rômulo Arantes Filho, como outros esportistas que já não estão conosco, são parte da memória nacional, especialmente pelo que representaram – a coragem, a habilidade e o sucesso. Rômulo Arantes Filho nos deixou aos 43 anos e além de ter sido um nadador que participou de vários Jogos Olímpicos também se destacou como ator, profissão de seu filho Rômulo Arantes Neto, 31 anos, e que, no momento, está em plena atividade na novela Global “Espelho da Vida”. Do pai Rômulo Neto herdou não só os traços físicos, que ficam ainda mais evidentes com o passar do tempo, mas também seu carisma, talento e desprendimento para o esporte. Ator dedicado, tem construído sua trajetória como ator criando sua própria marca, com muita personalidade, sempre empenhado em se superar, e nunca abrindo mão de sua base familiar. Sua relação com o padrasto Otávio Muller é outra haste de apoio de Rômulo, trazendo também além de uma imagem paterna, uma referência na dramaturgia. Curiosos sobre a trajetória de Rômulo Neto e esse novo trabalho, tivemos um bate-papo com ele. 

Começo de carreira, mais certezas ou incertezas? Como se deu isso? Sempre fui cara um super positivo e otimista. Então, se for para escolher uma dessas duas opções, seria com mais firmeza, com mais certeza por esses ótimos pensamentos que carrego desde sempre.

De certa forma uma influência indireta, talvez genética, por conta do pai? Sim, com certeza. A influência genética, sim, é por conta do histórico do meu pai, mas não só por ele, como também por meu padrasto o Otávio Muller. Eu acompanho a carreira dele (já acompanho há muito tempo), ele está casado com minha mãe há vinte e pouco anos, já. Então, respirei bastante isso, desde de pequeno, mas também sempre gostei de me desafiar. Eu sempre fui muito tímido, então essa carreira de ator, o exercício, o trabalho, me despertou um fascínio muito grande pelo desafio, inicialmente.

Por falar nisso, não tem como falar com você e não lembrar de seu pai. Além da aparência física, o jeito. Como isso te toca toda vez que é comentado? Quando comentam algo sobre o meu pai, sobre minha semelhança, fico contente e isso tem ocorrido bastante. Nos últimos anos, principalmente porque quanto mais velho, mais fico parecido com ele. E acho que sempre é tão bom assim porque de qualquer forma, ele está sempre presente pra mim, né? Eu vou carregar isso comigo pelo resto da minha vida. É bacana está sempre trazendo à tona a presença dele e não é algo em que eu sou mal resolvido, existe uma tristeza, mas sou bem resolvido em relação ao fato dele ter falecido. Então, é um calor bacana e tenho muitos amigos que o conheceram, amigos que fiz na profissão e sempre rolam comentário do tipo o que pra mim, é algo positivo.

Você se considera um homem de família? O quanto isso pesa no homem que você é? Apesar de eu ser uma pessoa muito independente, eu me considero um homem de família sim porque eu enxergo a nossa base, a nossa referência, quase um fundamento, uma explicação de quem somos, né? E acho que com a ida do meu pai, eu me cobrei ser mais presente, e ter a família mais presente na minha vida porque foi uma via de mão dupla, né? Se você se faz ausente, a consequência é que, eles se fazem ausente também. Então, tem um bom tempo que busco a aproximação deles e mesmo com a vida corrida, a gente está sempre presente com minha sobrinha (que é minha afilhada), com minha irmã, minha avó, minha mãe, primos, enfim estou sempre com minha família. Hoje em dia, é algo que me faz muito bem.

O que você inveja nas mulheres (se é que existe algo) e o que te dá orgulho de ser homem? A sensibilidade das mulheres, acho que elas têm uma perspicácia maior na questão da sensibilidade das coisas, o que o homem não tem tanta. Agora, isso em sua maioria, claro (risos). Mas acho que isso, essa sensibilidade que traz mais leveza, inteligência, sensibilidade emocional, física, sensibilidade de muitas coisas, a sensibilidade da mulher em relação a vários assuntos. O que me dá orgulho de ser homem é ter uma vida mais prática, mas confesso que não tenho muito essa coisa de orgulho de ser homem e não tenho ou sinto falta de ser mulher. Eu sou satisfeito da forma que eu sou, e se fosse mulher estaria satisfeito também (tenho quase certeza), mas acho que a praticidade do corpo masculino e de repente, a força do homem. Me divirto mais nos meus esportes por ser homem, tenho mais força e posso fazer esportes mais radicais.

O que te atrai nas mulheres? O que aprende com elas? O que me atrai nas mulheres, muitas vezes, é a inteligência e o charme que elas têm. E o que aprendo com elas é ser mais sensível, a ser uma pessoa melhor, então quando me relaciono com alguma parceira, eu aprendo muita coisa em relação ao meu próprio ser, termino me conhecendo um pouco mais e me torno um ser humano melhor. O relacionamento traz isso pra todo mundo, né?! Você se relaciona com alguém e você tem muito feedback através pessoa de quem você é, como você age, diante de uma determinada situação – então, me trazem autoconhecimento, sensibilidade e amor.

Em tempos de discussões de gênero, empoderamento feminino, qual sua visão? Eu sou super favorável à discussão de gênero, empoderamento feminino, esse discussão sobre pré-conceito, sou a favor de tudo isso e o que mais importa é que todos nós estejamos felizes, né? Acho que todo mundo tem que se respeitar independentemente de cor, sexo, gosto.  Ninguém tem que julgar ninguém, tem que olhar mais pra si e não olhar tanto para o outro. Então, sou super favorável a essas discussões sobre o entendimento, a aceitação, a harmonia, a paz e o amor. O amor a todos, independentemente de quem seja e como, e qualquer que seja a escolha do cidadão (ser humano).

Mulheres com mais personalidade e atitude, é algo importante para você em um relacionamento mais sério? Sim, eu tenho a tendência de gostar de mulheres com mais personalidade, atitudes, no relacionamento mais sério. Pra mim, encaixa bem (risos) na verdade, encaixou bem na minha vida, né?! Mas as coisas vão mudando e eu acho que com isso meu gosto esteja mudando um pouquinho, mas normalmente, é que mais encaixa comigo.

Como lida com fama e assédio? Acredito que lido com a fama e assedio numa boa. Tem 14 anos que comecei a trabalhar e sempre foi tudo ligado à imagem, há 12 anos que faço novela, que trabalho com cinema e teatro. Então, aprendi a lidar com o não levar muito a sério, levar na esportiva, saber sair de situações, eu lido numa boa. Não tenho problema algum em relação a isso.

Qual seu estilo na hora de se vestir? Normalmente não copio estilo nenhum, eu tento fazer meu próprio estilo, me vestir de uma forma que me sinta confortável, que me sinta bem. Eu tenho uma tendência monocromática e usar roupas confortáveis. Adoro bota, chinelo, adoro andar de uma forma despojada, porém buscando estar elegante.

O quanto você é vaidoso como homem e como ator? Em relação ao homem que eu sou, tenho vaidade no quesito mais físico pelo fato de eu ser um cara muito ativo fisicamente, gostar de e praticar muito esporte. Eu sempre me cobro tá com um bom físico, aliado a um físico saudável, sabe? Então, sou sempre consciente e quando eu…, se eu começo a ficar com físico ruim é porque os outros setores da minha existência não estão funcionando muito. De repente, minha cabeça enfraquece, estou me sentido enfraquecido espiritualmente. Então, deixo o esporte de lado e começo a ficar fora de forma. Então é meu termômetro também. Essa é minha vaidade em relação a minha pessoa. Já a vaidade como ator, procuro não ter nenhuma. De quatro a cinco anos pra cá, abri mão de minha vaidade e comecei a trabalhar a desconstrução de feições, motivações, comportamentos (alinho em cena).

Em 2010, você chegou a posar nu para o fotógrafo Mario Testino e a nudez não é tabu pra você. Porque ainda é pra tanta gente, ainda mais o nu masculino? Eu tive uma carreira de modelo que durou um ano e dez meses (quase dois anos). Viajei muito, fotografei com fotógrafos incríveis e em muitos lugares. Amo fotografia. Então, pra mim, eu já vejo como uma coisa mais artística, não tão profissional ainda mais na hora de você fazer um livro, o que é uma coisa eterna. E também por confiar no Mario, né? Quanto a Mario Testino, não era a primeira vez que fotografava com ele. A minha primeira campanha mundial, foi quando tinha dezessete anos em Nova York eu fiz com ele e fui selecionado no Brasil também. Então, era um relacionamento já existente onde já conhecia e respeitava ele bastante, já tinha conhecimento de outros fotógrafos, eu já gostava de fotografar coisas e pessoas. Então, foi uma coisa mais artística e realmente não tive a menor vergonha, não tive o menor problema, não foi nem a primeira e nem a segunda vez. Aliás, fiz outras vezes com o Mário também e em algum momento, esse livro deve sair (não sei qual o momento).

O que coloca um sorriso em seu rosto e o que faz você enrugar a testa? O que me deixa com sorriso no rosto é estar em um ambiente leve, com bons amigos, falando coisas legais, comemorando o trabalho de alguém, surfando, tomando um vinho, ou falando do final de semana sobre a cavalgada em algum lugar legal. E o que me faz enrugar a testa (risos) como está escrito na pergunta é a prepotência, é alguém tentando me subordinar e a agressividade alheia.

Atualmente você está na novela Espelho da Vida, interpretando o personagem Mauro César. Como está sendo participar desse trabalho? Sim, estou adorando fazer esse personagem. É um personagem solar, gente boa, tem veia cômica super legal, brinca com a coisa do galã e existe uma meta linguagem que é superinteressante.

O Mauro César terá uma versão de outras vidas também? Ele não viverá em uma vida passada, apenas no momento presente que me vejo hoje.

Como você vê essas questões espíritas e religiosas? No que você crê? Eu super acredito nesse mundo espiritual, frequento centro espírita desde de pequeno e pra mim, é um mundo muito misterioso ainda. Mas acredito que existe esse mundo espiritual, acredito em reencarnação, acredito muito em energia e já tive experiência na vida com relação ao espiritismo, o que faz eu não duvidar e sim, acreditar.

Consegue citar sua maior vaidade, virtude e defeito? Minha vaidade é ter coisas materiais bonitas e apresentáveis para a sociedade, mas pra mim (muito pra mim isso) eu adoro coisa material, e isso é uma vaidade. Minha virtude é a persistência, é ter um lado raçudo muito grande. O esporte, quando eu era pequeno, tinha competição em um nível muito alto, foi meu pai quem trouxe isso também. Um defeito meu, é parar muito as coisas no meio, me empolgar muito no início e deixar – daí, vocês vão falar que eu não tenho persistência. Eu tenho persistência no que venho fazendo por muito tempo, agora com coisas novas que acho que são boas ideias que poderia aproveitar, eu começo, me empolgo e daí, eu largo e já quero outra coisa. Acho que meu defeito é não ter uma rotina. Não tenho uma disciplina, acho que tive muita quando era mais novo, mas hoje em dia tenho dificuldade pra caramba.

Carreira estável e próspera, e ainda é um homem que arranca suspiros da mulherada! Tem algo ainda para melhorar? Sim, com certeza. Eu quero alcançar lugares ainda muito maiores em minha carreira profissional. Na minha empreitada de autoconhecimento, acho que ainda falta. Aliás, sempre vai faltar, né? Porque é um caminho eterno, mas eu quero evoluir muito ainda como ser humano, como profissional, evoluir no amor também. Nossa! Tem muita coisa pela frente, eu sou incansável nesse sentido, tenho muitos objetivos e metas a alcançar.

Fotos Vinícius Mochizuki

Realização Márcia Dornelles

Agradecimento Rodrigo Rodrigues

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Rômulo veste: LOOK 1 – calça jeans Convicto, camisa listrada de linho Acervo; LOOK 2 – tricot Reserva, calça Poggio; LOOK 3 – cardigan Von Der Volke, tricot Reserva, calça jeans Convicto