Entrevistar pessoas com Theodoro Cochrane não é trabalho, é um prazer. Ele é daqueles artistas que tem um imenso campo a ser explorado e a cada nova descoberta se percebe que tem como ir mais longe. A prova disso está aqui nessa entrevista que resume, bem resumido, um pouco de como é e como pensa esse homem atual e que ao mesmo tempo está há alguns passo lá na frente. Atualmente ator, até por que ele tem mil funções na área artística (leia e descubra quais), dando vida a um personagem, Adamastor em “O Sétimo Guardião”, que é a cara dele. Ou seja, multi camadas, com muitas sutilezas e um ótimo humor. Ah, para quem ainda não sabe, “por acaso” ele é filho da talentosa Marília Gabriela. Ou seja, genética boa que perpetua com força.

Depois de um bom período longe das novelas você volta com enigmático e divertido Adamastor em “O Sétimo Guardião”. Como está sendo essa volta à TV e ao ritmo louco de gravação? Está sendo um prazer muito grande. Trabalho intenso, responsabilidade prazerosa por ser uma novela das 21hs de Aguinaldo Silva e Rogério Gomes. O clássico sonho se realizando. O ritmo louco me alimenta artisticamente, faz com que mergulhe no universo referencial do personagem por mais tempo. Além de não sobrar tempo para pensar em bobagens que tanto gostamos de pensar (risos).

E como foi esse encontro com o Adamastor Davis Crawnford? Parece que está sendo bem divertido… O Adamastor foi escrito brilhantemente pelo Aguinaldo Silva (óbvio) e é um personagem cheio de camadas, sutilezas e muito bom humor. Está sendo muito divertido principalmente pela equipe generosa e criativa com quem trabalho. Direção, roteiro, produção e elenco trabalham em uma simbiose muito intensa.

Algo de você nele ou dele em você? Até que algumas coisas… o senso de humor ácido dele me deixou mais irônico na vida, meio maldito (risos). A postura eu sempre me preocupei em ter, adoro assumir minha altura sem pudores (1,87). Adoro moda, sou figurinista e Adamastor é um entusiasta dela. Sou um cara intenso, romântico e meio louco como ele. O mais importante que o Adamastor me proporcionou foi uma elevação de autoestima e auto aceitação… todos temos particularidades e devemos ter orgulho delas.

Você é ator, produtor, figurinista, pensador… A arte sempre esteve presente em sua vida. De que forma despertou para isso? Que estímulos teve? Nasci dentro de um estúdio de televisão quando minha mãe apresentava o TV Mulher…me alucinava ao vê-la em um monitor, dentro de um cenário e contexto artístico. Desde pequeno sempre vi a oportunidade de ir a muitas manifestações artísticas… meu lazer na infância era viajar para visitar museus, assistir peças de teatro, desfiles de moda, cinema. Tudo veio muito naturalmente, nunca gostei de ir assistir jogo de futebol.

Ser filho de uma jornalista “muitifunções’ e um astrólogo parece que resultou em algo muito bom. Como você assimilou tudo isso e criou o homem que você é? Me tornou uma pessoa aberta às mais diferentes formas de expressão. Adoro ser multifacetado, me dá uma segurança enquanto artista e proporciona uma visão mais global das coisas. A astrologia é meu lado menos cético e ao mesmo tempo uma terapia. A matemática dos astros sempre me deu esperança de um dia melhor por vir.

Você já dirigiu sua mãe no curta “Para Salvar Beth”. Como foi a experiência? Foi muito natural, honesta e produtiva. “Para salvar Beth” é uma história que eu queria contar há muito tempo, precisava pôr para fora… minha mãe acompanhava o meu processo de amadurecimento do filme em minha cabeça, nós trocávamos muita figurinha sobre o que eu queria da história. A Sra. Afonso, personagem que ela fez, era muito específica e desde o começo imaginei ela fazendo… ela arrasou. Minha mãe e eu não temos frescura e falamos um para o outro exatamente o que queremos, sempre.

Sabemos que você é avesso a rótulos, mas como você se definiria como artista e homem? Sou completamente avesso a rótulos! Acho super restritivos e quase sempre preconceituosos. Se definir enquanto artista é muito delicado pois pode parecer no mínimo pretensioso… vamos lá, gosto de desafio, gosto de estética, de verticalidade, de questionar as pessoas sobre o estar nesse mundo.

Em uma época de muita informação as pessoas estão mais intolerantes. Como entender isso? E como combater? Com mais informação de qualidade, estudo e discussões edificantes. Nada de nos fecharmos em quadrados e verdades absolutas! Estamos em pleno século 21. Tenhamos consciência dos nossos atos e de como eles às vezes podem prejudicar o próximo. Abertura a mudança de opinião é sinal de maturidade.

 

O que te tira do sério e o que te coloca em sintonia? Ignorância me deixa louco! Arte, em todas as suas vertentes, me causa o maior dos baratos.

Como é sua relação como redes sociais e super exposição? Sempre tive muito receio de expor minhas referências e intimidade nas redes sociais. Com essa novela, e a exposição que proporciona, passei a sentir uma necessidade de comunicação mais direta com o público… queria ter um feedback do que estava fazendo. Agora uso principalmente meu Instagram @theocochrane para essa troca e me sinto muito bem fazendo isso. Quando bem usada, a web pode proporcionar um ótimo termômetro em vários âmbitos de nossas vidas.

Você tem alguma mania que gostaria de perder? E alguma que gostaria de ter? Gostaria de dormir mais cedo e acordar mais cedo… sou um notívago. Acho que minha disposição para tudo melhoraria se conseguisse ver o sol da manhãzinha ao despertar.

É verdade que você era (ou é) colecionador de Playboy? Ainda é fã de revistas em geral? Sou sim! Amo a publicação e tenho a coleção completa da edição brasileira. Fiquei muito triste com a extinção da revista. Ela foi a responsável pela descoberta da minha obsessão com beleza e arte. Os editoriais eram muito pensados e tinham uma história por trás… uma aula de semiótica a cada volume. Sou muito fã de revistas em geral, mas estou conseguindo transferir para a virtualidade muitas delas… acho mais echo-friendly, limpo e ocupa menos espaço em casa! Hoje os sites e revistas virtuais proporcionam uma viagem muito intensa e diferente da de folhear papel.

 

O que faz sua cabeça na hora de ler, ver e ouvir algo? Gosto de questões inerentes ao ser humano… solidão, amor, envelhecimento, morte. Acho emocionante ver como lidamos com o inevitável. Emoção me faz a cabeça, desde que seja genuína.

Já se sentiu julgado por ser filho de Marília Gabriela? De já chegarem para você esperando mais. Como lida com isso? Sempre fui julgado por isso é já me irritei muito. Gosto de ter meu próprio caminho e história. Ninguém curte ser sombra de outro. Acho ótimo que esperem mais de mim! Me faz trabalhar mais e buscar sempre excelência naquilo que me proponho a fazer … seja atuar, fazer um cenário, um figurino, dirigir, tocar. Lido com isso de forma muito intensa… às vezes fico inseguro, outras muito confiante… depende do momento.

Que desafios você se impõe como ator e homem nos dias de hoje? Preciso saber contar uma história de forma honesta e eficaz. Abordar temas e saber qual a relevância que eles podem ter. Quero sempre ser capaz de amar o próximo e a mim mesmo. Uma vida sem amor é muito chata e anestesiada.

O que você deseja para Adamastor até o fim da história? Desejo que ele aceite as próprias particularidades e as perceba como virtudes e não fontes de angústia.

Como é sua relação com mãe e irmão? Aliás, qual a importância da família para você? Minha família é muito intensa… somos muito conversativos. Adoramos uma boa discussão. Nossos encontros são cada vez mais prazerosos. Minha sobrinha e afilhada, Valentina, nos reuniu de uma forma muito plena e serena. Somos uma família madura que respeita as diferenças uns dos outros. Gostamos de nós perceber enquanto seres maduros e com percepções de mundo muitas vezes complementares. Sei que é um clichê, mas família é o combustível para se encarar o mundo duro em que nos encontramos.

O que te conquista? Um bom prato de comida, um cafuné, um beijo bom, um olho no olho honesto, admiração mútua.

Fotos Thiago Santos (@thi.santoss)

Edição de Moda Caio Sobral (@caiosobral)

Beleza Renan Tavarez (@_renantavarez)

Look 01 (Capa): blusa Forum, calça Osklen, tricô Ocksa, gola Viviane Furrer; Look 02: camisa Renner, blusa Ocksa, calça Piet, casaco Brunello Cuccinelli, meia Birkenstock, sandália A Lá Garçonne para Melissa; Look 03: blusa Forum, calça Osklen, tricô Ocksa, gola Viviane Furrer; Look 04: camisa Pernambucanas, camisa, touca e sandália Osklen, calça Lacoste; Look 05 e 06: blusa Brunello Cuccinelli, blazer Tommy Hilfiger; Look 07: camisa Ca.Ce.Te, jaqueta Osklen; Look 08: boné New Era, camisa e Blazer Ca.Ce.Te, sandália Havaianas