Comparada à Paris por sua beleza arquitetônica e vasto acervo artístico, Budapeste, situada no leste europeu, esteve durante o regime soviético muito tempo fechada aos visitantes. Uma das mais antigas sedes do Império Austro-húngaro, capital da Hungria e epicentro cultural da região.

A cidade exibe toda a sua exuberância, exala beleza e glamour pela imponência do Rio Danúbio. Serve de inspiração para romancistas, artistas e para os inúmeros casais apaixonados que por ali circulam. Os prédios antigos e robustos, os cafés, praças com motivos históricos e castelos de dimensões impressionantes, não deixam esconder a história de Budapeste. A cidade que se tornou conhecida no Brasil por ser cenário idealizado do livro homônimo de Chico Buarque, que ganhou às telas de cinema em 2009.

 

Conhecida como a “Paris do Leste”, Budapeste teve ainda influência da ocupação turco-otomana presente na arquitetura e ornamentação dos prédios históricos que mostram toques folclóricos, como flores, rosas e pássaros, numa típica exaltação da cultura húngara. Uma cidade que viu a acensão das artes e a liberdade criativa no século XIX, também assistiu a censura e a privação do regime socialista da União Soviética, tal qual seus vizinhos. Esse passado recente que para alguns húngaros merece ser esquecido, para outros deve ser lembrado, pelo sentido de união e comunhão que este povo possui. Apesar de possuírem um modelo político bastante fechado, o povo está acostumado com o turismo. Eles se mostram bastante simpáticos, hospitaleiros e falantes de uma das línguas mais difíceis do mundo.

 

É devido tantas ocupações e mudanças que a cidade de Budapeste conta tantas histórias em suas duas metades separadas pelo Rio Danúbio. Este mesmo rio divide o lado mais clássico, montanhoso e residencial de Buda, da cosmopolita e animada Peste, plana e onde se concentra a maior parte dos pontos turísticos. Apesar de não ser azul como na valsa clássica de Johann Strauss, o Danúbio complementa a cidade com cruzeiros que dão vista para os principais monumentos e pontes da cidade. Ao todo são nove pontes e a primeira a ser construída, para ligar as duas margens, foi a Ponte das Correntes (Széchenyi Lánchíd). Famosa pelas esculturas dos leões em suas extremidades é uma das favoritas dos visitantes e fica completamente iluminada à noite. Um fato curioso sobre essa obra é que o artista esqueceu de colocar as línguas nos leões e muitos acreditam que por causa disso ele se suicidou atirando-se ao rio. Pura lenda, pois o arquiteto deve ter se divertido bastante às custas da estória. A segunda é a Ponte da Liberdade, Szabadság Uid, é toda fundida em aço e ornamentada por águias e escudos.

Peste é o lado moderno da capital e lugar da famosa Praça dos Heróis (Hősök tere) que, com a sua emblemática coluna de 36 metros de altura, é rodeada de uma série de estátuas dos heróis e celebra os mil anos da formação da Hungria. A praça está cercada por dois grandes museus, o Palácio das Artes (Műcsarnok), dedicado principalmente à arte contemporânea e o Museu de Belas Artes (Szépművészeti), que possui um acervo dedicado à história da arte mundial, e conta com peças de Monet e Renoir, entre outros. Perto dali, se encontra um dos mais famosos e imperdíveis banhos termais frequentado pela população mais jovem, o Széchenyi Furdo. Um palacete imponente com piscinas externas e internas de águas vulcânicas que variam desde os 18ºC aos 40ºC. No lado de Buda o visitante pode encontrar termas mais reservadas e elegantes, como as do Hotel Gellért, contudo mais frequentada por pessoas mais idosas e com finalidades terapêuticas.

Antes de chegar nas termas, passamos pelo Parque da Cidade, o Városliget. O local era uma floresta que servia como recanto de caça para os reis húngaros. Uma das atrações do parque é o Castelo Vajdahunyad, construído para comemorar o milênio da cidade e projetado com diferentes marcos arquitetônicos para dar vida a um edifício medieval húngaro. Na saída do parque, vale a pena percorrer a Avenida Andrassy, um dos marcos da cidade e sede de compras com lojas dos estilistas europeus mais famosos. Cheia de árvores e prédios históricos a avenida dá residência a imponente Ópera de Budapeste (Magyar Allami Operaház). Fundada em 1884, a construção renascentista vale uma visita. Se possível pode assistir um dos riquíssimos espetáculos comprando com antecedência. Dependendo dos lugares escolhidos o programa não custa caro.

Em Peste fica também a maior igreja da cidade, a impressionante Basílica de Santo Estevão, a maior sinagoga da Europa (Nagy Zsinagóga) e o afamado Parlamento Húngaro (Országház). O local onde se reúne a Assembleia Nacional da Hungria é um dos edifícios legislativos mais antigos da Europa e grande símbolo da cidade. O cenário de muitos cartões postais guarda ainda a impressionante Coroa Sagrada Húngara. Neste lado da cidade ainda se encontra o Mercado Central de Budapeste (Nagy Vasarcsarnok) que incita todos os sentidos e é o palco de uma experiência genuinamente húngara. O local é onde se pode encontrar artesanato, iguarias, doces e especiarias, como a famosa paprika.

 

O lado de Buda é mais calmo e bucólico. A travessia feita pela Ponte das Correntes pode ser acompanhada pela subida com o antigo e famoso bondinho de madeira, que leva até o centro histórico e o Castelo de Buda. O edifício situado sobre uma colina domina a margem do Danúbio com a sua belíssima cúpula com tons de verde. O bairro histórico, ao lado do Castelo, conta com diversas atrações como prédios, casarios, ruelas e museus, além de restaurantes e lojas de artigos típicos e souvenirs. Ao longo da rua Fortuna, o turista pode visitar o antigo Teatro Nacional, de 1837 e no fim se deparar com uma das igrejas mais majestosas do estilo húngaro: a Igreja de São Matias (Mátyás-Templom). Vai reconhecer o projeto arquitetônico de longe, devido ao fabuloso mosaico no teto do templo religioso, formado por azulejos octogonais coloridos que formam flores entre si.  Este era o local de coroação e casamento dos reis húngaros. Do lado de fora é possível apreciar a bela vista de Peste, parte de uma muralha repleta de arcos e a estátua de São Matias.

 

No fim de cada roteiro não esqueça de passar pela Rua Vaci U, em Peste. Lá é possível encontrar bares, lojas, restaurantes, produtos típicos e bastante agitação. Na culinária local não pode perder o Goulash (uma sopa de legumes com pedaços de carne). Essa é a principal iguaria local. Além dos passeios turísticos, Peste é onde o visitante encontra uma das vidas noturnas mais atípicas e animadas da Europa. Diferente de muitos países europeus, lá as baladas não têm hora para acabar e as bebidas são baratas – pelo menos enquanto a moeda local ainda for o desvalorizado Forint.

É muito recomendável visitar os bares instalados em ruínas, as casas noturnas em porões de navios e outras opções malucas. A maioria tem entrada grátis. Entre um passeio e outro é essencial um descanso nos inúmeros cafés típicos e tradicionais de Budapeste. No início do século passado a cidade contava com mais de 500 cafés que serviam como pontos de encontro para escritores, poetas e artistas. A efervescência cultural da cidade pode ser sentida nestes lugares como o Café Ruszwurm, Café Angelika, Café Gerbeaud, Café Central, Café Astoria e um dos mais elegantes, o Café Nova York, que testemunhou a criação de muitas obras importantes da literatura húngara.

Resumido, ao se seguir uma ordem, Budapeste é uma das cidades com a concepção de bater perna durante o dia, relaxar no fim de tarde em um café ou nas termas e cair na noite nas baladas animadas e inusitadas da capital húngara.

 

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