O reino das emoções. Assim é conhecido o Marrocos, um país fascinante e cheio de magia, onde os turistas estão constantemente imersos em ondas de sensações e emoções. Isto faz com que Marrocos seja o destino que vai com certeza ficar na memória de quem visita. A cultura marroquina é uma mistura da africana, europeia e árabe. É uma cultura ancestral onde muitas liberdades ainda são omissas. Contudo, pouco a pouco, com a influência do Ocidente, é visível uma mistura e mudança nas tradições, tanto para bem como para mal.
Marrocos povoa o imaginário dos viajantes como um destino exótico e mítico. De fato é um destino fascinante, uma festa para os sentidos, mas também um destino acessível e preparado para receber turistas de todo o mundo. O turismo é uma das principais indústrias de Marrocos e o governo está ciente do potencial do país e tem investido muito na sua infraestrutura.
O país é um reinado no norte da África e tem a sua fundação com os povos Berberes (beduínos do deserto). Ao norte é banhado pelo Mar Mediterrâneo, ao leste pelo Oceano Atlântico e isolado pelo Deserto do Sahara. É um país de praias, dunas, desertos e montanhas. Marrocos é repleto de diferentes tipos de paisagens e climas. A cultura árabe e muçulmana é uma das características mais deslumbrantes desse povo, onde a religião e o comércio tem uma relação estreita.
O profeta Maomé, fundador do islamismo, foi um próspero mercador em seu tempo, o que reforça vocação desse povo para o comércio. Em todas as cidades é difícil perceber os limites entre fé e negócios. A cultura é totalmente distinta a qualquer outra que possamos encontrar no mundo ocidental. O povo é conhecido por ser amigável e hospitaleiro e se o visitante for uma pessoa respeitável e com uma mente aberta, não terá problemas em fazer amigos e ser convidado para tomar um tradicional chá verde com menta na casa ou na loja de um marroquino.
O chá em Marrocos normalmente é carregado com muito açúcar. Se não gosta, ou não pode, diga antes de lhe servirem. A recusa pode parecer uma ofensa a hospitalidade. O consumo de álcool não é bem visto pela religião muçulmana. Por isso é difícil encontrar bebidas alcoólicas. Os marroquinos bebem chá várias vezes no dia. Servem três vezes antes de beber. Dizem que o primeiro copo é tão amargo como a vida, o segundo é tão forte quanto o amor e o terceiro é tão suave como a morte.
Caso seja convidado para a casa de alguém, a primeira coisa a se fazer é descalçar os sapatos e lavar as mãos. Come-se sempre com a mão esquerda. A experiência de não usar talheres é sempre válida e nos leva a lembranças da nossa infância. Presentear as pessoas também é um costume típico em Marrocos.
Se a sua vontade é conhecer uma das maravilhosas mesquitas, saiba que a entrada nelas ou em qualquer outro lugar considerado santo é proibida aos não muçulmanos. E dos animais apenas os gatos tem livre circulação. As raras exceções como a magnífica mesquita de Hassan II em Casablanca. As mesquitas chamam os seus fiéis para rezar cinco vezes ao dia e em uma cidade pode haver centenas delas. No entanto, antes de pensar em fotografar alguém ou o lugar é de boa educação (e eles prezam isso), você pedir permissão. Fotografar mulheres pode lhe custar algum problema e incansáveis gritos irreconhecíveis em árabe.
Marrocos tem muito a ver com cheiros e sensações. É possível ver o mundo em cores e movimentos que fazem a vida parecer um conto de fadas, com bailarinos e encantadores de serpentes nos marcados públicos. A cozinha marroquina é considerada uma das mais famosas e inebriantes do mundo.
Falam-se no país três línguas. No norte mais o Árabe e Espanhol e no Sul o Árabe e Francês. Ainda há o dialeto Berbere. No entanto, quando é para vender algo até um “bom dia” e “obrigado” saem, assim como outras línguas. A população em geral se comunica em francês. Decorar algumas frases básicas de sobrevivência em francês, vai fazer muita diferença como a comida que você mais gosta, bom dia, boa noite, por favor, desculpe-me, a conta, números e o famoso não, que utilizará bastante.
Os mercados, que em árabe é Souk, são sem dúvida as melhores experiências aos visitantes, com a sua animação, seus gritos, cheiros, cores e com o labirinto de ruas onde seguramente quem visita se perderá, mais de uma vez. Os marroquinos são comerciantes natos. Adoram vender e negociar. Por isso, a barganha e a pechincha é típica e divertida. Nos mercados encontrará desde artesanato local à tapeçaria, joalheria, lojas de essências, tecidos, couro, especiarias e porcelanas a preços muito acessíveis e da mais alta qualidade. Por isso as malas devem ir vazias para voltarem cheias.
Existem muitas formas de se circular pelo país. Pode-se usar os trens, que são razoavelmente pontuais, práticos e baratos. A pequena malha liga as principais cidades do país. Outras opções são excursões organizadas ou confortáveis ônibus de luxo ou o aluguel de um carro. O trânsito é algo muito caótico e as placas, em algumas regiões, estão somente em árabe. Mas vale a experiência. É ofertado ao turista excursões ao deserto onde se dorme uma noite nas tendas e ouve-se histórias do deserto pelos beduínos Berberes. Essa também é outra coisa que não se deve perder. O Sahara é encantador e misterioso.
O país é razoavelmente seguro para o turista, mas existe uma grande insistência por parte dos mercadores, que tentam empurrar todo tipo de quinquilharia. As mulheres também podem viajar sozinhas sem problemas, desde que tomem algumas precauções, como roupas e respeito a cultura local. Desde as belas mesquitas, grandes paisagens, uma cultura singular e grandes pratos, Marrocos é uma viagem que certamente atende aos sonhos daqueles que buscam o exótico.
Cidades cheias de encantos, histórias e aromas…
Nessa aventura vamos levá-los a um tour por algumas das principais cidades marroquinas, passando pelas cidades, imperiais e historicamente importantes que fundamentaram a colonização árabe islâmica. São elas: Fez, Marrakech, Rabat e Meknés. E ainda, por algumas cidades que ficaram famosas na atualidade devido a sua participação nos cenários cinematográficos, como o inesquecível filme Casablanca. E ainda, Ait Ben Haddou e Ourzazate, locações de filmes como A Múmia, Gladiador, A última tentação de Cristo, Lawrence das Arábias, entre outros. Cada cidade é uma experiência repleta de surpresas, sensações e aromas, como como as mesquitas, souks e medinas. Cada uma conta uma história deste povo tão simpático, religioso e cheio de passado.
Iniciando pelas cidades do império árabe islâmico, a primeira delas Fez é a capital do intelectual do Marrocos. Aqui se respira cultura e diversidade. Já foi a capital política do país por mais de 400 anos. E onde esta localizada a Universidade de Karueein, a mais antiga universidade ainda em funcionamento no mundo. A cidade se divide em dois lados bastante distintos: Fez Bali, a cidade velha (parte antiga), e Fez Jedid, a cidade nova, parte moderna da cidade. Fez Jedid não é tão atrativa turisticamente justamente por ser nova, o ponto forte deste lado da cidade é o suntuoso palácio Dar El Makhzen. É em Fez Bali que se encontra a maior medina (cidade antiga) do mundo árabe. Um enorme labirinto de vielas repletas de vendedores e espécie de lojas que vendem de tudo um pouco. A cidade foi o cenário da telenovela brasileira “O Clone”, em 2001.
A segunda cidade imperial é Rabat. Atual capital do país. É uma das metrópoles mais organizadas em Marrocos. É calma, limpa, arborizada e repleta de parques e praças. É a residência oficial do rei Mohammed VI, o centro político do país e a sede das embaixadas.
A região do palácio do rei foi construída em 1864, possui um belíssimo jardim andaluz, com limoeiros e tamareiras, e foi concebido pelos franceses no início do século 20. A cidade possui pontos históricos deslumbrantes, um dos mais importantes e visitados pelos turistas é a Torre de Hassam, que era para ser o ponto mais alto minarete do mundo, mas a construção ficou inacabada e “reduzida” a 44 metros. Ao seu redor existem cerca de 200 colunas em estilo romano e o mausoléu real, construído na década de 70, e onde estão enterrados o rei Mohammed V (1909-1961) e seus dois filhos. Rabat tem um imponente Kasbah (des Oudaïas) que eram as antigas aldeias tribais fortificadas. Vale a pena passar no Musée National de Bijoux, que está instalado em um palácio do século XVII, e abriga uma bela coleção de arte marroquina.
A terceira cidade imperial é a mais frenética e famosa, Marraquexe. Uma cidade mágica e agitada. A segunda maior do país. A atração mais fantástica da cidade é o mercado livre de Djemaa El Fna, montado numa praça circular no centro de Marraquexe. Aqui o visitado vai encontrar desde encantadores de serpente, mágicos, muçulmanos sentados em tapetes lendo o Alcorão, dentistas que exibem milhares de dentes extraídos, tatuadores, comida e dança. O mercado está dentro da medina e pede um passeio descompromissado por suas vielas e ruas que mesclam motoristas de carro, moto, burro, bicicleta, etc. Na cidade é obrigatório visitar o palácio do Sultão e o Parque Agdel. Marraquexe é uma experiência única. O ideal é ser perder pelas vielas e desvendar os inúmeros caminhos. Por ser a cidade mais turística do Marrocos é bom ter cuidado reforçado.
A quarta cidade imperial é Meknés. Ela está rodeada por uma enorme muralha. Uma das principais atrações é o Palácio de Dar El Kebira construído pelo sultão Moulay Ismail no século XVII. A cidade é moderna e com uma vibrante e divertida vida noturna. No entanto, Meknés possui também muitos monumentos históricos e paisagens naturais. É também a cidade mais próxima das ruínas romanas de Volubilis (Oualili), além de possuir um Palácio Real imponente. A população de Meknés é tida como uma das mais simpáticas e receptivas do país. Por isso é uma experiência divertida e cheia de surpresas e misturas nas ruas e mercados locais.
Na costa atlântica encontra-se a maior cidade do país, e uma das mais caóticas de Marrocos, Casablanca. Longe do bucolismo e romantismo representado no clássico do cinema que tem o mesmo nome. O trânsito é algo comparado a São Paulo. Contudo, a cidade possui uma das mais belas e ornamentadas mesquitas do país, a Mesquita Hassan II, mais conhecida por Mesquita Branca. Ela é uma das poucas onde os turistas (não-muçulmanos) podem entrar. A cidade conta com duas medinas a “velha” e a “nova”. E sim, é indicado uma visitinha as duas.
Uma outra cidade encantadora é Ait Ben Haddou. Com um povo hospitaleiro e comerciantes simpáticos. A cidade possui um impressionante Kasbah, que foi declarada pela UNESCO Patrimônio da Humanidade e fica na “boca” do Sahara. A cidade destaca-se também por ter sido cenário de filmes como o Gladiador. Aqui poderá ouvir histórias dos nativos bérberes e facilmente ser convidado a tomar um chá marroquino na casa dos moradores locais. Com uma pequena vila acolhedora e com cheiro de menta, é daqui que partem diversas excursões para uma noite no Sahara, altamente recomendada.
Por fim, Ourzazate é conhecida pelo seu gigantesco Estúdio Atlas, responsável por diversos cenários dos filmes Hollywoodianos, dentre eles: Kundun e o Gladiador. Para chegar a cidade é preciso atravessar a Cordilheira do Atlas, uma gigantesca e belíssima parede montanhosa que corta o país. É uma viagem que passa por cidadezinhas que parecem ter parado no tempo, e por isso mesmo cheias de encanto e charme. Ourzazate tem muito a oferecer no riquíssimo Museu Kasbah de Taourirt. Nele, pode-se apreciar a arquitetura marroquina e a experiência de um Kasbah real por dentro. No Kasbah de Tifoultoute pode-se apreciar a cultura local tomando um chá e degustando a saborosa pastelaria do Marrocos em um ambiente único e cheio de história. Pode ainda optar por uma visita guiada pelo vale. É imperdível conhecer o bairro Taourirt na antiga Medina, onde pode-se visitar uma pequena visita pela aldeia fortificada dentro da própria cidade.
Gastronomia Marroquina, uma fusão de cores, especiarias e diversão.
A gastronomia de Marrocos é rica e saborosa, deve-se experimentar sem preconceitos e rótulos. Bem temperada, um pouco picante e diversificada. É assim que definiria a explosão de sabores ao comer um dos mais famosos pratos dessa culinária, o Tajine. Composta por diversos vegetais cozidos, acompanhados normalmente de alguma carne, como cordeiro, frango, etc, pão batbout ou couscous. O recipiente que serve o Tajine é bem tradicional, parece com as panelas de barro, só que num formato mais típico. Tajine de Kefta é imperdível. Trata-se de almôndegas guisadas com um molho cremoso de tomate, cebola e cominhos. O couscous marroquino, bem diferente do que conhecemos no nordeste do Brasil, é servido com o cozido da Tajine também. Outra especialidade do país é o famoso Kebab. Vale a pena experimentar as diversas sobremesas feitas com frutos secos, mel e folhados, além do famoso couscous com mel, amêndoas e morangos com mel e pinhões. Os doces de rua são fantásticos. Os mais famosos são os kaab ghazhl (pastéis recheados de amêndoa), os stery (doces fritos), as chebakyas (massa frita com mel e cobertas de sementes de sésamo e canela) ou os briouats (folhado de amêndoa). Bom apetite!
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