O bailarino americano Carlton Wilborn, 54 anos, não teve uma infância fácil, enfrentou inúmeras dificuldades até conseguir sua primeira oportunidade no meio artístico. Sua formação em uma conceituada escola de dança americana lhe deu condições necessárias para chegar aos palcos mundiais com ninguém menos que Madonna! Foi quando ele ganhou a atenção mundial como principal dançarino do Blond Ambition World Tour de Madonna e do The Girlie Show World Tour, e apareceu no documentário da Madonna Blond Ambition Tour Madonna: Truth or Dare. Carlton já apareceu em mais de vinte filmes, programas de TV e teatro, incluindo estrelar recentemente o longa The Boarder (Prêmio Melhor Ator do Festival Internacional de Cinema de NYLA) intitulado “Troubled Child” para The Lifetime Movie Network, seu papel de ator convidado O Mentalista (GLADD Media Award Nominee) e a aclamada peça teatral Tell Hell I Ain’t comin ‘. Aqui no Brasil passando uma temporada por conta do projeto XO, ele comanda nove bailarinos para a filmagem do documentário que será exibido em breve em alguma rede de TV americana. Ao lado de David Laster, o produtor norte americano, o estilista carioca Hermes Inocencio e do fotógrafo e maquiador Vinicius Mochizuki. Eles estão na reta final das filmagens que vão mostrar os bastidores de uma produtora de entretenimento.

Carlton com Hermes Inocencio

De onde veio a paixão pela dança? Honestamente, o início da minha carreira na dança começou meio que como uma correção para uma parte da minha vida que não estava funcionando. Aos 14 anos me mudei da Flórida, no meio do ano letivo do ensino médio, e meus pais não queriam que eu fosse para a escola no meu bairro, porque ela era muito ruim. Então eles combinaram uma estratégia com meu professor de gramática para me colocar em uma escola melhor, um pouco mais longe de nossa casa. O plano funcionou e acabei sendo aceito na Whitney Young Magnet High School, com especialização em Dança. Alguns meses depois, essa mesma escola nos levou a uma apresentação da companhia Hubbard Street Dance Chicago, e esse dia foi um divisor de águas para mim, pois, enquanto eu estava sentado e assistindo àquela performance, decidi que queria fazer da dança a minha carreira. Eu queria não só dançar com aquela companhia, mas também com uma jovem dançarina chamada Shauna Goddard, que já havia me inspirado meses antes quando a vi sendo entrevistada na TV. Eu pensei: “uau, ela é exatamente da minha idade, dá entrevistas tão bem e é uma dançarina brilhante”. Então ela realmente foi minha inspiração.

Como foi essa a experiência de trabalhar com Madonna? Para mim, a experiência foi incrível. Madonna conhece o seu próprio poder e, exatamente por isso, ela não se deixa intimidar por outros artistas e os incentiva a mostrar o melhor de si. Então, se você é um artista criativo, isso é o máximo que alguém pode lhe oferecer: o reinado completo para fazer o que você gosta de fazer.

No momento em que você está no Brasil trabalhando no projeto XO, com 9 dançarinos, como será o documentário? A série de TV documental gira em torno de David Laster (co-proprietário da bem-sucedida pousada Casa Cool Beans, aqui no Rio), que acaba de lançar uma produtora de eventos de grande escala. Ele sabia que queria ter um grupo de dança próprio, me apresentou a ideia, gostei do que ele tinha a dizer e imediatamente embarquei no projeto como Diretor Criativo e Coreógrafo. O show então vai seguir todos os caminhos dessa jornada que é colocar em prática espetáculos. O espectador acompanhará não só a vida criativa e pessoal de David, mas também a dos dançarinos.

Qual foi o seu maior desafio de carreira até agora? O maior desafio da minha carreira veio em 1985, quando fui diagnosticado HIV positivo. Por muitos anos, fiquei apavorado diante da ideia das pessoas descobrirem, que ninguém iria mais me contratar, namorar ou até mesmo me convidar para uma refeição em suas casas. Mas, porque Deus é DEUS, foi provado para mim que nenhum tipo de diagnóstico pode impedir a Vontade Divina que é planejada para mim e para minha vida. Sim, hoje eu orgulhosamente posso dizer que estou vivendo maior, melhor e mais livre do que nunca. E o bônus disso é que, por causa da minha história ser exatamente como é, eu sou capaz de ajudar e inspirar muitas pessoas ao redor do mundo.

Quais são seus projetos para 2019, além do XO? Minha maior atividade agora e para o ano que vem é conseguir um sinal verde para meu programa de TV (um drama) que cocriei, e para uma série de TV documental que me seguirá enquanto faço meu trabalho como Coach. Basicamente, 2019 é o ano para levar a um próximo nível tudo o que faço. Será que o Brasil está pronto?! 😉 Continuem DANÇANDO para a liberdade!

Fotos Flávia Guia

Vídeos Babi Martins

Estilista Hermes Inocencio

Texto Márcia Dornelles

Agradecimentos – Pousada Cooll Beans e David Laster