Aos 35 anos Duda Nagle se prepara para encarar seu maior desafio, e não é com as câmeras, que é ser pai. Junto a isso, ele agora se lançou como dono de casa e resolveu divulgar para os homens (e mulheres) suas dicas e receitas para tirar de letra as tarefas de casa. Com a expertise que tem com as câmeras de TV, quando atua como ator, Duda ainda tem a rica consultoria da mãe, a jornalista e apresentadora Leda Nagle. Criado nesse universo da mídia, onde aprendeu a ter a câmera como sua parceira, Duda é casado com a apresentadora Sabrina Sato. Ou seja, pacote completo para uma exposição exacerbada. Engano seu caro leitor, Duda sabe exatamente a medida certa para expor sua vida pessoal e como usa-la a seu favor. Prova disso é o seu canal “O Dono de Casa”, onde ele atrela tudo isso em vídeos curiosos e ao mesmo tempo prático. Assim como tem que ser.

A criação do seu canal “O Dono de Casa” é um pouco a veia jornalística da família aflorando ou uma necessidade pessoal em lidar com coisas de casa? Eu gosto de ficar em casa e gosto muito de fazer minhas próprias coisas e esse novo universo das novas mídias (redes sociais) facilita muito a comunicação, nesse sentido. Eu aprendi muito pesquisando em tutoriais na internet, como fazer receitas e como se virar em coisas da casa. Acho isso tudo muito rico, atualmente, essa comunicação prática, eficiente e, ao mesmo tempo, leve, com entretenimento. Pode sim ter um pouco da veia jornalística, que muito ajuda a organizar essa troca de informações… O jornalista testemunha o que presenciou dentro de uma estrutura muito bem encaixada, sem deturpar o contexto geral. E, ainda mais agora, trabalhando muito diretamente com a minha mãe, posso ver isso bem de perto.

Que nota você se dá como “dono de casa”? Ah, talvez eu seja nota 6! (risos)… Porque me considero uma pessoa ainda bem desorganizada. Eu memorizo bem a bagunça quando eu participo da formação da mesma, (risos). Sei onde estão as coisas sempre. Mas, nesse ponto, realmente tenho que me policiar e melhorar, ainda mais agora que vou ser pai e dar exemplo. Porque o discurso é importante, mas o exemplo é fundamental na boa formação.

Você é casado com uma mulher que não tem (ou não parece ter) perfil de dona de casa. Como é o dia-a-dia de vocês para cuidar da casa? Exatamente. Nossa rotina é muito diferente daquele padrão clássico de dona de casa, de família “normal” – e eu acho que, hoje em dia, já é bem mais flexível, todos participam. Antigamente a logística era mais favorável a essa divisão de tarefas. Hoje em dia, cada um tem sua função. Tem a questão da maternidade em que a mãe fica totalmente ligada ao bebê, desde o início da gestação. Acho que o pai, o homem, tem que ficar sempre à postos para assessorar e dar cobertura em qualquer necessidade que surgir, é preciso se preparar para tudo.

O que os homens ainda precisam aprender em relação a cuidar de casa? Acho que só de estar presente já faz um ótimo trabalho. É necessário participar de verdade.

Você está prestes a virar papai… Já se sente preparado? Como está sua cabeça em relação a isso? Estou muito mais preparado hoje do que há seis meses atrás, quando a notícia veio. Mas é incrível a quantidade de informação e novidade que vem com isso. Outro dia fomos gravar uma reportagem para o programa da Sabrina com a Stephanie Sapin, uma senhora francesa que já orientou mais de cinco mil casais. Fomos ao estúdio dela, onde tem uma boneca para cada um… e são bonecas no mesmo peso de uma criança real. E, lá, simula-se como lidar em diversas situações… quando a criança engasga, como enrolar a criança no paninho… etc. Tem muita coisa que preciso exercitar bastante. Já estou, digamos, com uma noção teórica bem grande, que com a prática vou ter muito a aprender.

Quem está mais tenso com tudo isso, você ou Sabrina? Acho que os dois. Mas, ela, por conta até da enxurrada de mudanças hormonais que acontecem, fica mais à flor da pele. Acho que o papel do pai é de amortecedor. Tenho que estar ali, ajudar nessas oscilações de humor, estar presente, aguentar as pontas junto e cuidar.

Falando em Sabrina… Em algum momento já ficou com ciúmes dela? Você   é um cara ciumento? Normalmente a Sabrina coloca as situações de uma forma muito inteligente. Ela consegue conduzir as situações de uma forma que nunca chegou a ser constrangedora. Confesso, assim como já confessei em várias entrevistas, que eu preferia que ela usasse roupas maiores (risos), mas nada grave.

O que não pode faltar para um casal ter harmonia? É preciso que se mantenha a presença… os dois têm que estar juntos e conectados, um tem que ouvir o outro e trocar bastante. Também é uma questão de troca, sintonia, atenção e conexão. A harmonia vai surgindo com as conquistas do casal.

Como ator você participou de “Malhação” ano passado e esse ano na séria “Rio Heroes”, na FOX. Como foi participar desses trabalhos? Eles têm uma coisa em comum, que eu acho muito legal, que são as cenas de ação. A dramaturgia do “mostrar”, do “contar com ações” uma história. Eu cresci vendo muito isso e adoro. Eu brinco que “Malhação” foi meu momento “Rocky Balboa”, teve duas lutas de cinco rounds que renderam um dia inteiro de estúdio, com coreografias, bem ensaiado. Eu gosto muito desse tipo de coisa. E o “Rio Heroes” foi, de certa forma, uma consequência disso. O personagem da “Malhação”, que era um campeão de MMA, acabou abrindo as portas para essa série sobre um campeonato de vale-tudo meio clandestino que aconteceu em São Paulo em 2007 e teve várias edições. O meu personagem é o pupilo do idealizador e é sócio do campeonato.

Durante sua trajetória como ator sua mãe chegou a dar alguns toque em como lidar com as câmeras? Sempre. Ela sempre me falou que a câmera tem que ser uma amiga. A gente tem que conversar com a câmera como se estivesse falando com os amigos mais próximos. Eu lembro que uma das primeiras cenas que gravei em meus cursos de artes cênicas para a televisão, eu ficava bastante tenso. Porque, pra fazer um close, você precisa congelar seu corpo inteiro, já que qualquer mexida de cabeça é mais brusca quando se está com a câmera mais fechada, bem estabelecida. Então é preciso fazer essa separação e, ao mesmo tempo, manter-se conectado às emoções da cena. Porque não adianta fazer a melhor cena do mundo se não deixar a câmera captar aquilo, é preciso estar atendo à parte técnica. Então acho que minha mãe me ajudou nesse sentido.

Por falar nisso, como foi seu início como ator? Como despertou pra isso? Eu comecei a estudar teatro para aprender a falar em público, defender trabalhos na faculdade, vender projeto… eu estudava Publicidade e Propaganda. E foi a partir daí que pensei que seria muito rico, para a minha carreira como publicitário, eu viver um pouco esse universo da televisão. Eu queria ser diretor de criação, na época. Meu sonho era bolar estratégias e campanhas, escrever comerciais, participar daqui galgando todas as fases do processo. Pensei que poderia juntar os conhecimentos e futuramente eu mesmo ser minha agencia e, ao mesmo tempo, ter uma vida interessante, meio sem rotina. E mexeu com meu lado de criação e imaginação das brincadeiras de infância. Senti um pouco dessa energia que, hoje, remontando a minha história, parece que fez todo o sentido do mundo. Porque sempre entrei muito de verdade nesse mundo do “faz de conta”. Acredito que já eram sinais de que eu poderia trabalhar nessa área.

Onde você se sente mais realizado? Difícil. Agora estou vivendo a paternidade e a questão familiar de uma forma muito intensa. Então certamente, nesse momento, vou dizer que é isso… até porque um dos grandes sonhos da minha vida é formar uma família, ter filhos. Então estou passando por uma fase muito importante.

E nas horas vagas o que te distrai? É mais do dia ou da noite? Eu durmo tarde. Então, consequentemente, não acordo cedo com muita facilidade. Eu gosto de ficar acordado à noite, é um momento que tenho paz, ficamos mais livres de interferência. É a mesma energia da manhã, mas como sempre durmo tarde, sinto menos pela manhã. É um momento bom para ler, estudar, ver um filme, que são as coisas que me distraem nas horas vagas. Sou mais da noite.

O que você aprendeu com seus pais que pretende passar para sua filha? Tantas coisas que é difícil de responder. Mas acho que, acima de tudo, que temos que ser amigos dos nossos filhos e buscar ter uma relação bem franca, honesta, participativa, presente. É isso que aprendi com a minha mãe e quero passar para a minha filha.

Como lida com a mídia e as redes sociais? Como se preserva de muita exposição? Outro dia eu estava conversando com uns amigos e cheguei à conclusão de que eu acho normal postar tudo da minha vida pessoal que eu não me importaria de conversar numa mesa de restaurante com pessoas que estou conhecendo agora. São histórias que eu contaria, coisas que eu faria com pessoas que estou conhecendo agora. Acho que esse é um critério que pode ser usado nas redes sociais, que nada mais são do que isso, pessoas que conhecemos e que estão me conhecendo agora. E tem a questão dos meios, de saber usar a câmera, o formato da informação junto com o tipo de linguagem e texto. Acho que esse critério funciona bem para definir.

Que conselho você daria aos homens que pretendem ser mais donos de casa (além de pegar suas dicas)? Assistir ao programa “O Dono de Casa” no Canal Duda Nagle (risos). Acho que é botar a cara e começar a participar, para aprender, criar novos hábitos, passar a ser mais independente e poder fazer as coisas que quiser. Uma coisa que sempre me motivou a passar a fazer as coisas em casa é que eu sempre fiquei frustrado com as porções, principalmente das proteínas, nos restaurantes. Vem, geralmente, bastante acompanhamento e aquele bife pequenininho. Sem contar que, muitas vezes, o preço não compensa. Fora ter que esperar as pessoas te servirem. Enfim, gosto muito de fazer minha própria comida, exatamente para não ficar muito refém dessas coisas. Coloco bastante a mão na massa, faço o que quero comer, na hora que quero e na quantidade que quero. Acho que é um trabalho que liberta muito.