Durante sua infância Leonardo Miggiorin vivia mudando de cidade por conta do pai militar. Talvez essa vivência meio “cigana” por tantos lugares diferentes tenha ajudado a construir o Leonardo Miggiorin ator de tantos dramas e comédias que conhecemos. Talvez o laboratório que Leo tenha tido na verdade tenha sido essa sua versatilidade em mudar e se adaptar à cada novo porto encontrado. Só isso para explicar a capacidade de interpretar personagens tão distantes uns dos outros como, por exemplo, o marcante Zezinho de Presença de Anita (sua grande estréia na TV), ou o insuportável Shaolin de Senhora do Destino, ou o mais recentemente, o divertido Roni de Insensato Coração. Atualmente Leo voltou ao drama, ao estrear a peça Equus, no qual interpreta um jovem perturbado, fascinado em sexo e violência. Pairando sob o drama e a comédia Leo vai em busca de suas realizações, buscando na paz sua verdadeira e grande personagem.

O que as várias mudanças de cidade, por conta do seu pai ser militar, trouxeram de experiência pra você? Por um lado era estranho saber que eu ia me mudar dentro de um ou dois anos. Tinha a sensação de não morar na minha própria casa… Mas, por outro lado, era incrível chegar num lugar novo, fazer novos amigos, entrar numa nova escola… Eu fui desenvolvendo um jeito de aproveitar tudo isso. Recebi muita cultura dos meus pais, em cada novo estado que morei.

Desde cedo você tem contato com a música e o teatro, por que o curso de psicologia então? Foi uma escolha intuitiva. Eu achava o nome bonito, mas, a ideia de uma profissão que buscasse entender a mente humana me fascinava. Só na adolescência é que fui ler alguns livros e entender melhor do que se tratava, mas eu já tinha noção.

Sua grande estréia na TV foi em “A Presença de Anita”, mas até chegar lá como foi? Como foi o início da carreira? Na verdade, estreei na televisão em 2000, num seriado infanto-juvenil, ao lado de Angélica, na TV Globo. Depois, em 2001, fiz Presença de Anita. Foi onde o público me conheceu mais, com um personagem de destaque na trama. Mas, meu início foi na escola, participando de grupos de teatro, fazendo muitas peças amadoras, para então chegar num nível profissional.Considera a minissérie “A presença de Anita” um marco na sua carreira de ator? Teve alguma dificuldade na época? Sem dúvida é um marco na minha vida, em geral. Foi uma época maravilhosa, em que eu me sentia preparado para fazer aquele personagem. A dificuldade era lidar com tantos profissionais que eu já admirava. Foi um pouco difícil, pois eu era muito tímido.

Comédia ou drama, o que te inspira mais? Depende. Há épocas em que uma comédia inspira mais e outras em que o drama se faz mais presente. Mas, na vida real, embarco imediatamente em qualquer comédia e procuro fugir dos dramas!

Atualmente você está em cartaz com a peça Equus, em que interpreta um jovem perturbado, fascinado em sexo e violência. Que desafios e realizações esse novo projeto tem trazido? Por tratar-se de um texto complexo que exige uma interpretação consistente, pra mim, a peça é um desafio. Acho que todo ator gostaria de fazer um personagem com tantas dimensões reunidas.

 

O fato de aparecer nu em cena é um desses desafios? Afinal diferente de uma cena de filme ou novela, no teatro a cada apresentação lá vai a nudez sendo exposta. Isso constrangeu em algum momento? Inicialmente, fique intimidado com a ideia, mas deixei pra pensar nisso depois de conhecer todo o grupo com que iria trabalhar. Num trabalho como um espetáculo de teatro, as interrelações representam muito e configuram as bases para o processo. Não basta ter uma boa direção, uma boa luz, cada coisa separada da outra. Tem mesmo que juntar tudo e ver se vai dar liga, se vai rolar a tal química!Na história, seu personagem é um jovem de classe média e aparentemente saudável com distúrbios muito sérios. Com essa experiência através do teatro você consegue entender um pouco mais o que leva tantos jovens viverem conflitos tão sérios hoje em dia? Acho que é sempre um aprendizado. O texto revela uma possibilidade humana de desequilíbrio. Ao verificar isso, o espectador se vê diante do humano e percebe mais uma das possibilidades humanas. Isso já é impactante! Mas, o mais legal da peça é o lado sensorial dela. Ela pega o espectador pelos sentidos antes do racional. Esse discurso só vem depois das imagens e do que é sentido pela platéia.
Ainda sobre a peça, a relação médico (psiquiatra) e paciente é um dos fios condutores da trama. O que essa relação te traz de mais interessante? Existe um limite? A relação terapêutica é o eixo da peça. No texto, esta relação se mantém firme durante todo o processo, porém, os questionamentos se invertem. O médico começa a rever seus próprios conceitos. Ele abre a discussão para o público.Em 2010 você encarou o desafio de produzir, ao invés de atuar, qual o resultado e quais as perspectivas nesse sentido? Foi terrível! (risos) Por conta de alguns problemas internos, pois éramos em quatro sócios. Isso pode dificultar, pois são muitas culturas interagindo e acaba gerando conflitos. Mas, aprendi com a experiência e continuo meu caminho como produtor, ou como realizador, pensando projetos que englobem o aprendizado através da vivência lúdica do teatro.

E a banda “Vista”? É fruto de um desejo antigo, de uma oportunidade, de experiências musicais? Que espaço ela tem na sua vida hoje? Ainda não sabemos os rumos da banda para 2012. Mas, estamos nos reunindo para descobrir juntos. A música é uma paixão!

 

O que torna uma mulher bonita e atraente a seus olhos? Fisicamente, os traços mais delicados.Conte sobre o seu primeiro amor aos 10 anos apenas… Foi apenas um namoro de infância, (risos)! Mas, sempre fui romântico! Namorei a menina da minha sala, que morava perto da minha casa.

O que pode e o que não pode em um relacionamento? Acho que pode tudo, desde que seja em comunhão!

Com personagens tão distintos, você vai trilhando uma carreira onde  trabalha os mais variados tipos. Tem se descoberto mais a cada novo desafio? Esses personagens te deixam alguma experiência? Gosto de pensar que cada personagem escolhe seu ator. A verdade é que quando há um encontro verdadeiro com o ator e a sua criação, não tem como passar ileso por este processo. Você tem que estar implicado, envolvido com as questões do personagem, da obra como um todo. Senão você passa pela vida sem deixar sua marca.

O que você busca como ator e como homem? Busco inúmeras coisas. Mas a cada dia vejo que preciso menos das coisas e mais das pessoas. Por isso, no fim das contas minha busca é pela minha paz e a paz dos que me cercam. Pois, estar em paz é estar em acordo com sua própria vida!