Por André Porto / Fotos Fabrizio Fasano Jr.

A fotografia tem como resultado, além de “congelar” momento incríveis da vida, revelar grandes fotógrafos. Foi essa paixão pela fotografia que fez Fabrízio Fasano Jr. largar a publicidade em busca de algo que o fizesse sentir-se realizado. Vindo de uma família de sobrenome forte, que representa sofisticação e bom gosto, suas fotos não poderiam ser diferentes. Imagens lúdicas, sonhos e realidades pairam pelas obras desse fotógrafo sensível e determinado. Da sua paixão pelos cavalos até Fernando de Noronha, conheça um pouco desse talentoso, e realizado, homem.

Fabrízio, você é herdeiro de um grupo da área gastronômica e de hotelaria, e trocou os negócios da família e a carreira publicitária pela fotografia. Foi essa base sólida que te fez ter coragem para arriscar em outro campo ou sempre foi um desejo seu? O que te motivou a partir para isso? Minha família trabalha com gastronomia, um ramo que, diferente de empreiteiros ou mineradores, não se constrói impérios. Mas temos a sorte de sermos reconhecidos por nosso trabalho. Desde 1990 sai do grupo, trabalhei com publicidade e desde 2003 me dedico à fotografia, uma grande paixão.

 

A paixão por cavalos foi um fator decisivo? Como é juntar as duas paixões fotografia e cavalos nessa realização pessoal? É possível que sim. Ao fotografar os cavalos me senti desafiado novamente pela fotografia. Eles ajudaram a reviver uma paixão. Mas hoje minha relação com os cavalos se transformou apenas em um hobbie.

Hotéis e restaurantes estão no DNA da sua família. Como a fotografia conquistou você? Eu sempre gostei de fotografia. Mas, me lembro que aos 14 anos o interesse se intensificou. Voltava de viagens com quase 50 rolos de filmes.
O que você busca com suas fotos?
Busco despertar emoções.
O fotógrafo é um homem mais sensível? Difícil dizer que um fotógrafo é mais sensível que um médico, um arquiteto. A Sensibilidade se revela quando realizamos bem a nossa arte.
Seu primeiro livro chamava-se “Duas Paixões”, e retratava cavalos, se ele fosse chamado Três Paixões, qual seria a temática?
Incluiria o tênis.
E na fotografia, você é um grande observador de paisagens ou de pessoas? Depende da fase. Já me interessei pelos dois temas, e hoje estou numa fase lúdica.
Como é a relação com seu pai e irmãos? Qual a importância da família para você? Meus filhos e minha mulher são minhas prioridades, e mantenho com meus pais e irmãos uma relação excelente. Amor dos pais pelos filhos não tem nada mais forte.
Que valores você cultiva que foram adquiridos dos seus pais e que você se preocupa em repassar para seus filhos?
A valorização da família e da igualdade social, independentemente da conta bancária.
Como está a exposição atual? Fale-nos um pouco dela pra quem ainda não a viu.  Esta exposição surgiu a partir de uma experiência que estava fazendo com uma câmera de bolso. A imagem, além de me surpreender gerou inquietações que me fizeram elaborar o conceito da exposição “Observador”.
Na primeira imagem que fiz, aparecia o busto de homem. Pequeno diante da paisagem. Comecei a me questionar sobre como somos pequenos diante do universo, e a pensar sobre o que se passava pela cabeça daquele homem que aparecia pequeno, na imagem. Para quem for visitar a exposição eu deixo um convite para que também se transforme em um “Observador”.
Naquela sequência de fotos onde aparece uma cabeça gigante com uma imagem (projetada?!) nela e um homem a observando. Como foi feito isso? Alguma técnica especial. Essas imagens têm algum significado? Foi feita uma projeção de imagens em cima das figuras. Elas significam sonhos. Sabe quando você acorda e lembra-se de ter tido sonhos que você não consegue compreender?! São imagens que me vêem à cabeça.
As fotos do Rio de Janeiro em p&b são fantásticas. Você conseguiu registrar cenas impressionantes da cidade maravilhosa. O RJ exerce em você algum fascínio especial? Na realidade sempre fui muito distante do Rio. Até que abrimos um hotel no Rio e comecei a freqüentar mais o Rio. Fui descobrindo a cidade. Fiz algumas fotos dentro do mar e ficaram bem legais… Com uma máquina simples. Hoje em dia com a tecnologia, muita coisa fica mais fácil de fazer. O que vai diferenciar um grande fotógrafo é sua sensibilidade em ver as coisas. O Rio é uma cidade maravilhosa.
Observando essa amostra de fotos suas com esses dois extremos entre o P&B e as cores fortes e saturadas, é uma característica sua como fotógrafo ou um momento específico? Tudo que é colorido meu é forte. Tenho observado as coisas por aí e tudo estava muito escuro. Resolvi fazer algo mais alegre.
Você que já viajou muito, que lugar te fascina mais fotograficamente falando? Onde você rende melhor? Existe isso?
Olha é uma coisa muito impressionante, pois já viajei muito, mas a 20 anos atrás fui à Fernando de Noronha e achei incrível aquele lugar. Já fui três vezes. Mas não tem lugar mais belo em matéria de praia. Quero voltar lá em breve para fotografar com o jeito Fabrízio Fasano de ver.
O que você espera pro futuro? Quais os projetos para 2011? Espero continuar fotografando, e já tenho vários projetos em andamento. Um sobre Ovos, ainda em fase de execução e um sobre carros estrelas de cinema. Esta exposição se chamará “Movie Stars” e duas imagens já poderão foram vistas na SP-Arte/2011, que  aconteceu entre 12 e 15 de maio, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, no Stand da Mônica Figueiras Galeria de Arte, onde está hoje a exposição “Observador”.
Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Fabrízio Fasano Jr, Divulgação (fotos com família)
Foto de capa: Angelo Pastorello
Agradecimentos: Patrícia Alves e Angelo Pastorello
Agradecimento especial a Fabrizio Fasano Jr.