Fernando Torquato é luz e cor. Fotógrafo, maquiador, consultor de imagem ele sabe bem do que luzes e cores são capazes de fazer se usadas de forma correta. Inquieto e criativo Torquato já fez muito de muita coisa, mas ainda há mais a ser feito. Já produziu clips, fotografou, modelou e hoje além de consultor para caracterização de personagens na Globo assina produtos de O Botícário. Para ele beleza é bacana, mas verdade ainda mais, por isso não curte uso exagerado de photoshop nem roupas que não valorizem o que cada um tem de melhor. Descubra mais sobre Torquato, inclusive sobre seu vozeirão.

Como foi seu início profissional? Começou com a fotografia ou com a maquiagem? Como foi se descobrindo profissionalmente? Primeiro eu fiz a faculdade de programação visual. E eu tinha a fotografia como uma das matérias e lá comecei a fotografar. E nos trabalhos em turma eu optava por fotografar gente. Então eu via nas revistas como que eram as maquiagens e pegava emprestado da minha mãe e ia tentando maquiar igual. E, também de brincadeira, eu pegava as maquiagens da minha mãe e tentava maquiá-la igual às atrizes de cinema que eu via em revistas. Eu desenhava rosto.  Mas a necessidade veio a principio da fotografia.

Maquiador, fotógrafo, consultor de estilo e… cantor! Conta pra gente sobre esse seu lado musical. Desde garoto eu gosto de cantar e na minha família, mal ou bem, todos tem uma habilidade artística: uns tocam instrumentos, outros são locutores… Meu pai desenhava, três irmãos também desenhavam e eu cantava em coral de igreja quando era menor. E desde garoto eu gostava de música. Minha mãe também gostava de cantar. E também durante a faculdade eu tinha uns amigos e a gente fez uma banda de covers do final dos anos 80/90 e a gente chegou a fazer alguns shows. Ai depois, muito tempo depois, há uns cinco ou seis anos atrás um produtor me convidou. Tinha muita gente me elogiando: a Adriana Calcanhoto, a Paula Toller… Ai eu acabei gravando um disco a convite desse produtor. Mas nunca lancei. Eu já estava dando certo com as coisas que fazia então achei que seria um pouco demais.Recentemente você dirigiu o clipe da Preta Gil. Como foi a experiência?
Foi incrível. A Preta Gil é uma parceira de alguns anos – sete ou oito anos – e eu venho trabalhando com ela esse tempo todo. E eu fiquei muito feliz porque ela falou que confiava totalmente em mim para imaginar alguma coisa. E foi o que eu fiz. É um trabalho que é muito a minha cara. Eu procurei valorizar o tipo físico dela, a beleza dela. E a gente citou várias coisas que eu achava bacana, que eu gostava. E é um trabalho muito legal. Foi muito do meu jeito. Por isso que estou feliz e ela também ficou muito feliz.

Como funciona o trabalho de um consultor de estilo? Quem faz mais uso deste tipo de serviço, homens ou mulheres? Culturalmente a mulher tem mais preocupação com isso, dentro do mercado. Então é um trabalho que eu faço muito particular. As empresas me procuram para dar palestra ou então dou consultoria individualmente. A ideia é encontrar a melhor versão da pessoa. A gente vive em uma época de imagem. Então, a ideia é aprimorar o que a pessoa tem de recursos como visual, personalidade… E potencializar as qualidades e dar uma camuflada no que não é tão interessante. E ai eu trabalho em parceria com outros profissionais, como stylist, por exemplo, que me ajudam a definir esse novo visual e que essa pessoa ache a sua melhor versão.

Melhor versão, aliás, que é o lema que você levou para o programa Super Bonita no GNT? Dá satisfação ver o resultado final? O programa é isso. Um pouco da minha vivência. Eu comecei com modelos, atrizes e depois atores.  Mas sempre ligado ao universo mais glamour, de moda, de televisão e construção de imagens de atrizes. Eu emprestei  tudo isso para essa mulher real de uma maneira que ela pudesse se desenvolver, se manifestar e achar sua própria beleza. O Super Bonita foi o encontro com essa mulher real. E foi muito bacana porque, primeiro, eu gosto de gente (não de atrizes ou de celebridades) e, segundo, que prepara para elas desenvolverem exatamente aquilo que elas estavam precisando. E foi um laboratório muito interessante.Como estão os preparativos para a estreia do Desafio da Beleza, novo programa do GNT comandado por você e Fernanda Tavares? Já foi tudo gravado. Eles estão editando o programa. É muito equipe muito competente da Moonshot Pictures.  O segredo vai ser essa edição agora. Super bem feita. É um programa que vai despertar o interesse de muita gente. Não só de profissionais, de beleza. Porque é um assunto que está cada vez maior, que vai crescendo mais em todo o mundo e, principalmente, aqui no país. O Brasil é o terceiro país na categoria de cosméticos e a tendência é se tornar o segundo no ano que vem. Então é um assunto do dia-a-dia das mulheres, das pessoas. É um programa muito bem produzido e vai ser muito interessante.

Você acha que ainda existe muito machismo no homem brasileiro quando se trata de cuidados com a beleza? O mercado de beleza masculina é um mundo muito vasto a ser explorado ainda? Não. Acho que existem dúvidas. Até um tempo atrás não existia no mercado produtos para esse público e, no Brasil, tem poucos. Mas o mercado de cosméticos está se ampliando. O desejo já existe e o mercado está percebendo isso e se ampliando cada vez mais. Então eu acho que, em breve vão ter muitas coisas para o homem. Então é um caminho natural e as empresas têm que preencher esta lacuna no mercado.Que produtos de beleza um homem deveria usar no seu dia-a-dia? Filtro solar, hidratante e um corretivo adequado para seu determinado tipo de pele. Basicamente é isso para dar um aspecto de pele bem cuidada.

Qual o limiar entre o belo, o estilo próprio e o padrão midiático? Você tem que avaliar o que funciona pra você. Claro que o mercado, hoje, te apresenta mil possibilidades, mas, a mulher tem que ter inteligência para se divertir, experimentar. Mas assimilar o que for para o estilo pessoal e o que for pra compor a imagem dela tem que usar coisas que realmente funcionem. 80% tem que ser de coisas que tenham a ver com ela. E 20% em coisas para se divertir. A experimentação e as alternativas fazem parte dessa busca.

Pensa em licenciar seu nome para produtos de maquiagem? Hoje em dia eu tenho uma parceria muito bacana e muito bem realizada com O Boticário onde eu empresto meu nome para eles e eles me emprestam a tradição e a seriedade de uma empresa como O Boticário. Hoje em dia eu valido tudo o que é produzido dentro dessa empresa. Daqui a pouco talvez seja um caminho natural.

 

O que podemos entender como o melhor ângulo de alguém em uma foto e como descobri-lo? É muito relativo porque o melhor ângulo vai ser o que te dá mais força para o teu visual ou que vá suavizar traços. Às vezes o traço muito delicado tem força em certo ângulo. E, outras vezes, os traços muito duros suavizam em outro ângulo. Mas o fato é que todo mundo tem assimetrias. Se você tira uma foto muito frontal é mais fácil as assimetrias serem evidenciadas. Então, no geral, sempre que você escolhe um dos lados do rosto e faz um ¾, um semi-perfil, ai você olha e um dos lados fica com o nariz mais bonito. Todo mundo tem um nariz mais bonito de um lado ou do outro. E a única maneira de fazer isso é experimentando: virando o rosto para um lado, para o outro, levantando ou abaixando o queixo. Ai você vê como você se sente mais bonito. E ai você descobre. Não é tão complicado.Como um homem deve tentar conciliar moda, estilo próprio e formato do corpo? O homem ficou no vácuo – na questão de estilo – durante anos. Os homens usavam a mesma modelagem que o tio usava, que o avô usava, todos com o mesmo corpo parecendo que o tempo passou e ele ficou para trás.  Existem modelagens mais modernas. De modo geral, tudo o que é menos largo, mais ajustado. O brasileiro – por característica – não é muito alto. Então, se usar uma calça muito larga, uma camisa muito larga e um terno muito largo você vai parecer mais achatado, mais baixo e sem postura. O ideal é quando se consegue um visual mais longilíneo, mais alongado. Isso te passa elegância. O ideal é procurar modelagens mais ajustadas, sem serem apertadas. Essa é uma modelagem moderna que vai te deixar, com certeza, muito melhor e parecendo um cara muito mais contemporâneo do que os outros 10 que estiverem com você no escritório, por exemplo. E você parecer contemporâneo também te dá mais credibilidade e te posiciona como um cara conectado com o seu tempo.

 

O que você procura através da fotografia? Estética ou beleza? Estética e beleza. A fotografia eterniza momentos e ideias suas. E você revisita aquilo depois de anos e fica feliz por ter feito de certas formas aquelas coisas. Também fica ciente de você poderia alterar algum detalhe com o teu olhar atual. Eu adoro isso porque acompanha o meu amadurecimento.  Quando vejo, me vem à cabeça: “caramba, como eu era mais espontâneo em alguns momentos!”, “como eu era menos técnico em outros”. E eu sinto a vantagem de que passou o tempo e exatamente o oposto – que pena que passou o tempo – e, em alguns casos, eu perdi um pouco a espontaneidade. Mas é uma forma de você revisitar e acompanhar um pouco a tua história. No meu caso, eu vejo como eu era naquele momento que fiz aquela imagem.

 

O que tem mais importância em uma fotografia, luz/sombra ou maquiagem/produção? O que você prefere?  Uma foto com uma luz inadequada, que não é boa, não adianta nada ter maquiagem e produção. O efeito da fotografia tá na luz e sombra. A maneira como o fotógrafo apresenta o contraste vai dar luminosidade, beleza, harmonia… E a maquiagem e a produção são complementares. Eu costumo dizer que uma maquiagem linda, com uma produção linda e um fotógrafo ruim fica horrível a foto.  E se for uma maquiagem “ok”, uma produção “ok”, com um jeans e uma camiseta, e uma luz linda a foto vai ficar linda. A maneira como o cara ilumina e enquadra a pessoa é que vai fazer toda a diferença. O resto é importantíssimo, mas é complementar.  E a maquiagem vai realçar a pessoa.Maquiagem ou photoshop, qual o mais importante em uma fotografia? Quando há exageros? Maquiagem, óbvio. Photoshop é para você corrigir coisinhas, pontos que a maquiagem não conseguiu cobrir. O photoshop é um complemento, um auxílio luxuoso para dar uma textura e um acabamento para as fotos. Na realidade photoshop deveria ser usado para dar uma textura geral para a foto e não interferir de uma maneira tão absurda. Agora, óbvio que é importantíssimo. E o excesso vira quando tudo fica muito evidente, quando descaracteriza, quando perde a naturalidade da imagem. Acho que o problema é esse. Desde que a gente tem essa captação digital ele virou um recurso muito importante. Ele tem que ser usado porque a captação digital é muito precisa e revela até demais coisas que não deveria revelar. Então, o photoshop é importante para dar aquele distanciamento, aquele efeito mágico de uma fotografia. Fotografia tem que ser mágica. A não ser que ela venda produto para emagrecer ou produtos para a pele. Ai, então, não precisa passar tanta evidência. Nesse caso, ela não vende só uma ideia, mas, vende um resultado. Quando engana as pessoas é complicado. Agora quando é para criar uma imagem lúdica, de beleza, distanciada da realidade… É para isso que serve. De realidade basta a vida. A gente quer ver fantasia, beleza e harmonia. E ele pode ajudar muito bem. O que não pode é passar do ponto.

Você é um profissional realizado? Sou! Não posso dizer que não. Já fiz muita coisa. Mas eu quero fazer muito mais coisas. Eu sou muito grato e feliz pelo que já conquistei, mas, eu estou longe de estar satisfeito. Eu quero fazer muito mais coisas. Eu sou realizado pelo que já fiz, mas, eu não realizei metade do que pretendo.
Look 1: Blazer: Alexandre Hercovitch / suéter: Emporio Armani / jeans: Diesel
Look 2: suéter: Martin Margiela / calça: Paul Smith / relógio: Rolex para Carlos Rodeiro / anel: Carlos Rodeiro
Look 3:  camisa: Noir Le Lis / colete: Emporio Armani / calça: Emporio Armani / relógio: Rolex / tênis: Nike
Look 4:  smoking: Tom Ford / camisa: Emporio Armani / sapato: Dior

 

Fotos: Drica Donato
Styling: Maria Torquatto
Beauty: Fernando Torquatto e Fabiano Windres