Sem dúvida o ator Gabriel Contente é um garoto prodígio. Aos 13 escreveu seu primeiro texto para o teatro, aos 19 anos fez sua estreia no cinema, aos 20 estava fazendo musical no teatro e agora aos 21 entrou para o elenco de “Malhação – Vidas Brasileiras” com o personagem Felipe. E se depender da vontade de Gabriel de aprender e se desafiar isso é apenas o começo. “Quero e pretendo ainda fazer outros musicais. Já escrevi dois musicais também e pretendo entrar em cartaz com um deles em breve”, comenta ele. Fique de olho em Gabriel, ele ainda vai dar muito o que falar dentro ou fora da telinha. Enquanto isso conheça um pouco mais desse grande artista.

Gabriel como está essa estreia na TV com “Malhação – Vidas Brasileiras”? Como surgiu o convite? É uma experiência nova pra mim. Muito feliz de poder estar fazendo um personagem tão bacana e que me permite explorar tanto a parte dramática como a parte cômica. Muito feliz também por estar trabalhando com um grande amigo da vida, Daniel Rangel. Fiz uma entrevista com a Gabriela Medeiros, produtora de elenco e o Matheus Malafaia, assistente de direção. Fui passando nas etapas de testes e oficinas e cá estou.

Aos 21 anos você já participou de um musical de sucesso. Como foi esse desafio? Pretende atuar e cantar mais vezes? Eu amo cantar. No filme “Intimidade entre estranhos” também canto e toco violão. Quero e pretendo ainda fazer outros musicais. Já escrevi dois musicais também e pretendo entrar em cartaz com um deles em breve.

Você foi protagonista do espetáculo “A Very Potter Musical” e ficou conhecido como Harry Potter brasileiro. Como foi essa experiência? Como toda criança da minha geração, era um sonho poder ser o Harry Potter um dia. Além disso, ainda era uma paródia super engraçada do romance. E o que mais gosto de fazer, principalmente quando se trata de musical, é uma boa comédia. Foi uma experiência incrível, onde me desafiei em relação ao canto e a dança e onde tive contato com profissionais maravilhosos, o diretor Júlio Angelo, a diretora musical Maíra Garrido e meus parceiros de cena Ingrid Klug (Hermione), Jeff Fernandéz (Rony) e Héctor Gomes (Voldemort).

Antes da estreia na TV você já tinha participado de dois longas e duas peças. Como é provar dessas diferentes formas de atuar? Fiz muitas peças de teatro, de diferentes linguagens, Farsa, Surrealismo, Realismo, Absurdo, Musical e todas elas foram experiências incríveis. No cinema meu maior prazer foi poder fazer um filme com um diretor tão artista como o Alvarenga e ainda de bônus contracenar com dois atores super generosos e experientes, Rafaela Mandelli e Millhen Cortaz. Acho que a principal diferença entre esses veículos não é a forma de se atuar e sim com o que você tem que se relacionar. No teatro a voz e o corpo tem que lidar com um espaço maior. No cinema, o volume é mais baixo que na TV. No audiovisual tem a câmera, no teatro tem a plateia. O ator que está presente na situação e no espaço, está pronto pra se relacionar com qualquer que seja o veículo.

Como é para você conseguir um espaço (e sucesso) na Globo? Como isso mexe com você e como cuida disso? É sempre bom estar trabalhando com o que a gente gosta em um momento onde há um grande número de desempregados no Brasil e onde a cultura recebe tão pouco investimento. Desde cedo invisto muito no meu sonho de ser ator. Passei para o colégio Pedro II para que minha mãe tivesse condições de pagar a CAL (Casa de Artes de Laranjeiras) e estudei muito para passar pra Unirio, onde hoje faço o curso de Licenciatura em Artes Cênicas. Acredito muito que o papel do artista, seja ele músico, ator, artista plástico, é fundamental para a sociedade. Portanto é preciso que saibamos o que estamos fazendo e estudemos, não só para executar um trabalho, mas reinventar e questionar o mundo.

Sempre soube que queria ser ator? Como surgiu isso? Decidi oficialmente aos 13 anos. Nessa idade eu tive certeza. Comecei a investir aí. Nessa época fiz parte de um grupo ministrado por uma das artistas que mais admiro, Leticia Cannavale, que além de me ensinar muita coisa e despertar minha paixão pelo teatro, é uma senhora atriz. Com 13 também escrevi meu primeiro texto “A verdadeira história da Chapeuzinho Vermelho” mostrei ao público pela primeira vez em uma roda de contação de histórias, promovida pelo grupo “Tapetes contadores de histórias” onde o público se misturava com os atores contando as suas histórias. Era um grupo só de adultos e meus pais também estavam. A história foi um sucesso e me ajudou a convencer meus pais que ser ator era minha opção de vida.

Com a exposição que a TV proporciona vem o assédio. Como lida com isso?  Não sofri assédio até agora. Muitas pessoas me reconhecem, várias vem falar comigo, tirar foto, elogiar o trabalho… Outras me mandam mensagens nas redes sociais. Mas até agora sinto sempre um grande carinho da parte do público, algo que positivamente ou negativamente, acalanta o ego.

Em tempos de redes sociais, toma cuidado com o que posta ou não se importa? Como você é como internauta? A minha relação com as redes sociais é difícil. Tento me adequar a este mundo, descobrindo qual é a minha forma de usar o Instagram, por exemplo, e investigando qual a melhor forma de usar isso para fomentar e produzir mais arte. Gosto muito de fazer comédia com isso também. Inventei até um personagem “Blogueirinho do Instagram”.

Você é um cara vaidoso? Até que ponto? Sou mais narcisista que vaidoso. Eu tenho um vício tremendo em me olhar no espelho. Não necessariamente por que eu queira estar bonito, mas eu quero saber como está o meu corpo, como funciona a minha ferramenta de trabalho e por fim, olhar minha própria imagem me deixa mais calmo. Mas não sou uma pessoa que se preocupa tanto com que roupa vestir ou se estou bonito o suficiente para ir em algum lugar.

Você é mais do dia ou da noite? O que curte fazer para relaxar? Eu amo o dia, com o sol que nos dá força e renova as energias. Mas de noite temos a lua, que alimenta nossos hormônios e nos deixa apaixonados. Os luais são feitos à noite, e as grandes festas também. E a praia de noite? Quando a água é quente e o silêncio das vozes permite que o barulho do mar invada você. Nada melhor do que um sítio no interior à noite e aquele céu estrelado com o amor da sua vida.

Quando encerrar essa temporada de “Malhação” já tem planos para a carreira de ator? Quais os próximos passos? Realizar meus projetos no teatro, engatar em outra novela, fazer outro filme. Acho que desejo o mesmo que os demais da minha profissão. Farei o que sempre fiz, correr atrás e estudar para me desenvolver, cada vez mais, como artista e pessoa.

O que aprendeu com seus pais que você leva para o resto da vida? Meus pais são meus exemplos da vida. Tenho muito orgulho de ter sido criado por pessoas de tão bom coração e com tanto a ensinar sobre a vida e sobre respeito. Sempre me apoiaram em tudo que eu escolhi e sempre tiveram escuta para mudar. Essa escuta eu herdei. Nós temos que parar de ser tão encismesmados, tão egoístas. Devemos olhar para o outro e ser mais solidários e ter mais empatia. Eles me ensinaram sobre respeito, sobre não desistir dos sonhos, e principalmente a ser grato. Sabe, falo muito sobre arte. Eu tive grandes mestres que me ensinaram sobre as coisas que falo. Anderson Anibal, Hamilton de Oliveira, Lourival Prudencio, Ticiana Studart, Celina Sodré, Celina Bebiano, Marina Henriques, Cris Moura, Paulo Merísio, José Alvarenga, Kleider Luciano e minha ídola, Letícia Cannavale. Sou muito grato a eles e aos outros mestres que tive.

Como se vê daqui a 10 anos? Consegue imaginar? Eu espero que esteja com a mesma vontade de mudar o mundo, que foi o que sempre me moveu. Espero que a dificuldade de se fazer arte no nosso país não atrapalhe meus sonhos. Uns 10 filmes, 20 peças, 6 séries e 2 novelas não seria ruim também. (risos)