O Jammil e Uma Noites existe desde 1994 e desde então os sucessos são muitos, tanto na Bahia, sua terra de origem, como no resto do Brasil que já cantou e dançou muito ao som de “Praieiro”, “Ê Saudade” e outros hits do grupo. Em 2011 a banda mudou de vocalista, saiu Tuca Fernandes e entrou Levi Lima. Na estrada da música desde muito cedo Levi comemora com alegria e entusiasmo estar à frente de uma grande banda. Ciente de sua responsabilidade, ele faz bonito no palco ou no trio elétrico e provando que o Jammil e Uma Noites continua com força total desde os tempos em que foi fundado. Levi foi muito bem recebido pelos músicos e por Manno Góes, co-fundador da banda e também baixista e vocal. Nessa entrevista você perceberá o quanto Levi é tranquilo e leve, tem alegria na alma e a humildade digna de grandes talentos. E para quem acha que Levi só curte o ritmo baiano fica a dica: dê de presente CDs de Michael Jackson, Bruno Mars e Aerosmith que ele vai adorar! Um ídolo do Levi? Podemos dizer que Carlinhos Brown é um dos músicos mais admirados por ele. Conheça mais sobre o menino que vira gigante no palco ao som do Jammil e Uma Noites.

Em menos de um ano você conseguiu alcançar uma projeção nacional ao ser escolhido como vocalista da Jammil. Foi tudo muito rápido? Como você tem encarado esse “up grade” na carreira? Temos que aceitar todas as coisas que Deus nos dá e no tempo dele. Venho trabalhando na musica desde os 17 anos e hoje com 28 a minha carreira tomou essa proporção. Sou grato por todas as oportunidades e pessoas especiais que ele colocou na minha vida e tento retribuir ao universo tudo isso através da arte. O importante é evoluir como ser humano e o resto acaba acompanhando essa jornada de aprendizado.Luan Santana gravou música sua, Fina Estampa, novela do horário nobre da Globo teve música sua… Isso tudo faz você pensar “cheguei lá” ou seus sonhos vão ainda além? Isso me faz pensar que já galguei passos importantes e que posso continuar o caminho. A música é a minha obsessão e a minha cura. Nunca vou achar que já cheguei lá. O aprendizado nunca se acaba e “os sonhos não envelhecem jamais”.

 

Algumas críticas ao estilo axé falam de letras e melodias superficiais, sem grande apuro musical, de composições puramente comerciais. O que acha de tudo isso? Não gosto de julgar aos outros e nem a mim mesmo. Apenas acredito que a música e as mensagens devem ser criadas e passadas com responsabilidade. É possível festejar sem ser raso. Assim como a felicidade é um dos sentimentos mais profundos que existem. Eu levo a sério o talento que Deus me emprestou e quero aproveitá-lo da melhor maneira possível sempre. Cantando, compondo, dançando e sorrindo.
O baiano é o primeiro a valorizar seus artistas, independente da crítica nacional. Isso é bairrismo, orgulho ou somente estão sendo justos com o que a classe artística baiana produz? A Bahia sempre contribuiu culturalmente e artisticamente em diversos gêneros musicais. Mas em todo o Brasil temos grandes artistas de mesma importância. Temos muito orgulho do que produzimos e representamos. E sabemos aplaudir e admirar artistas de todos os cantos do país. Nosso carnaval recebe muitos artistas até de fora do Brasil. Meu orgulho é de ser Brasileiro! As fronteiras são pequenas diante do que nosso país tem em riqueza humana. O primeiro passo para ser admirado é admirar, e isso o baiano sabe fazer.O que é que a baiana tem? Tem cores vivas, ritmos simples e compostos, tem orgulho de suas heranças africanas, tem o ardor da pimenta e uma beleza rara. As baianas são maravilhosas assim como todas as mulheres brasileiras. O mundo sabe disso.

 

Quais suas crenças religiosas sendo de um dos estados de maior sincretismo religioso do país? Acredito em tudo que for para o bem. Fui educado em uma família evangélica, mas conheci outras religiões. Cheguei a conclusão de que a fé e o amor tem força própria e é ali que eu me encontro com Deus. A gratidão é a oração mais bela.Da época como vocalista da Via Circular até Jammil, você deu uma mudada no visual. Digamos que seria um relançamento da sua imagem. O quanto você se preocupa com sua imagem, seu visual? Mudei meu visual ainda no Via Circular e me sinto bem como estou. Gosto de estar saudável e bem vestido para os meus fãs e para mim mesmo. Sei que a imagem é importante para qualquer artista, mas a música é muito mais. Então meu foco maior sempre será a música.

Fora do circuito de música baiana, o que você curte ouvir e o que não toca no seu som? Michael Jackson, Carlinhos Brown, Bruno Mars e Aerosmith. Esses são os que eu mais ouço. A pergunta pede algo fora da música baiana e mesmo assim eu quero citar o Carlinhos Brown, porque na minha opinião ele transcende essa definição. Ele é mundo. Acho ele um gênio e um grande patrimônio brasileiro. Continuando a outra parte da pergunta, no meu som toca todo tipo de musica. Não gosto de preconceito e devemos conhecer antes de conceituar.

A banda Jammil vive um momento muito especial com a chegada do novo vocalista (esse aí de cima) e uma alegria contagiante de quem acaba de encontrar o sucesso. E muito dessa trajetória que passou a Jammil se deve a Manno Góes, “o cara” por trás da banda. Autor de grandes sucessos na banda, Manno se diz realizado e num momento de muita sintonia e maturidade, tanto pessoal como da banda. Sua paixão pela música faz com que Manno se sinta muito à vontade em transitar pelos vários ritmos da música sem se rotular. Motivado pela alegria e amor incondicional pela música e as pessoas agregadas a ela, Manno começa o ano em ritmo de sucesso e muitos sucessos em vista.

 

Você é um dos principais nomes do Axé, já tendo composto vários sucessos, mas em um projeto solo gravou um cd de pop rock. Outros artistas baianos começam no Axé e depois buscam variar seus repertórios. Isso é simplesmente uma vontade de fazer coisas diferentes e evitar rótulos ou o Axé é o caminho mais ‘natural e fácil’ de conquistar sucesso para em seguida se buscar o caminho desejado? A música baiana está para mim, assim como o samba, o reggae, o ska, o pop, o rock, a MPB. Tudo é música e artisticamente permitido. Não devemos nos limitar criativamente. Tenho orgulho e muita alegria em ser o compositor de sucessos da banda Jammil como PRAIEIRO, TCHAU, MINHA ESTRELA, Ê, SAUDADE, MILLA, entre outros. Orgulho também por ter sido gravado por artistas maravilhosos, como Daniela Mercury, Netinho, Asa de Águia, Cheiro de Amor, Claudinha Leite, bem como artistas como Orlando Moraes, Flávio Venturinni, Biquini Cavadão. Sempre transitei bem em todos os segmentos musicais. Meu disco solo é um projeto paralelo que realizei justamente desse desejo de me permitir passear por pensamentos musicais diferentes. Amo o que faço e o amor pela música é libertário, e não sectário.O Jammil passa agora por uma nova fase, um recomeço, pode-se dizer assim. Quais as expectativas e os cuidados para tudo dar certo? O primeiro passo pra que o nosso novo Jammil, mais jovem, rejuvenescido, se apresentasse pra mídia, foi dado com muita competência: Mostrar a cara da banda através da personalidade e comportamento musical de Levi, que além de ser um excelente cantor, é um compositor muito talentoso e criativo. A partir daí é direcionar o foco e o coração na positividade. A receptividade das pessoas está sendo muito carinhosa e gentil. Já conseguimos emplacar o primeiro hit desta nova fase, que é “Colorir Papel”. E Levi tem uma virtude que marketing nem dinheiro nenhum podem comprar: juventude. Estamos só no início. E um belo início.

 

 

Vamos fazer a mesma pergunta que fizemos pro Levi: o que é que a baiana tem? Saudade de uma Bahia limpa, bem cuidada e sendo tratada com o respeito que merece. Toda baiana, todo baiano clama pra que a Bahia saia logo dessa UTI administrativa e política em que vivemos hoje. Salvador está uma merda. Mas vamos conseguir reverter essa sutil decadência e aí então nossas baianinhas cheias de malemolência vão poder mostrar tudo que elas têm com um sorrisão de orgulho no rosto.
O que uma composição precisa para fazer sucesso? Primeiro e principal passo: a composição ser boa. Uma boa música é o que justifica tudo. Com uma boa canção em mãos, todo o trabalho de marketing e divulgação traz resultados positivos. Vide “Colorir Papel”, por exemplo.O que a fama significa pra você?Ela já te incomodou em algo? Eu dou mais valor ao sucesso do que à fama. O sucesso é resultado de trabalho e cria raízes. Resulta de ser bem sucedido, de obter êxitos em seus objetivos. A fama é êfemera, passageira. Com o sucesso, a fama vem junto. Mas o inverso não é necessariamente verdadeiro. Uma pessoa pode ser famosa, posar de celebridade, mas isso não significa que ela tenha sucesso. O sucesso do Jammil me alegra muito. Mas não tenho perfil de celebridade. Cago pra esse céu de tantas estrelas e poucas constelações. Meu reino é meu lar.

 

 

Muitas bandas de sucesso terminam acabando por vaidade interna. Como você vê isso tendo em vista que o Jammil já existe há tantos anos. Já passaram por “crises” assim? Em todo grupo pode haver divergências. Cabe a cada um ter maturidade e profissionalismo para que processos de desgastes sejam interrompidos. Ou para, pelo menos oxigenar o convívio o suficiente para que o objetivo do trabalho não seja afetado. Além disso, cada um tem o direito de escolher para si o que acha mais adequado para sua felicidade. Nessa nova fase do Jammil temos muita maturidade e sinceridade. O diálogo é superior às vaidades, o que fortalece o convívio e amizade do grupo.

Você aposta mais num Carnaval de ritmos (de outros estados) ou concorda que cada região deve trabalhar seu ritmo para não perder sua identidade? Carnaval é a celebração do excesso, a festa da multiplicidade. A mistura de ritmos enriquece a festa e possibilita agregar foliões de gostos diferenciados. Enriquece também a nossa antropofagia cultural maravilhosa, em que transformamos tudo e todos através das nossas impressões e formas de assimilar a arte. Protecionismo é positivo para manter viva certas tradições. Mas o espírito do carnaval é permissivo. Portanto, viva a pluralidade cultural da festa de Baco!O que podemos esperar da Jammil para esse ano? Muito trabalho, muitos shows bacanas, muita dedicação, alegria e motivação. Estamos celebrando a arte do encontro. Que nossa música provoque encontros bons, sentimentos bons, motivações positivas. A felicidade é um estado de espírito chamado amor.

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