Pode não parecer mas o ator Maurício Mattar completou 40 anos de carreira este ano. Que ainda guarda na memória o personagem João Ligeiro em Roque Santeiro não imagina o quanto Maurício já percorreu por esse universo de dramaturgia. Seja no cinema, teatro ou TV, onde ele começou. Aliás, o que muita gente não sabe é que o lado musical começou muito antes do que o ator. “Minha trajetória foi galgada à base de muito estudo também. Desde o teatro procurei sempre me aperfeiçoar o tempo todo como ator, sendo tudo muito positivo”, comentou o ator ao longo dessa entrevista. Atualmente ele se prepara para um novo desafio, o personagem Joaquim de Nazaré, um personagem bíblico de muita importância, e que agora Maurício dará vida na novela “Jesus”, na Record.

Maurício, de João Ligeiro (praticamente sua estreia na TV) em 1985, em “Roque Santeiro”, até Joaquim de Nazaré em “Jesus” este ano, existem anos de carreira e muitos personagens. Como você avalia sua trajetória? Considero minha trajetória muito feliz. Uma trajetória de ouro. Vim do teatro, comecei com quatorze anos, em 1978, no Teatro Tablado. Agora em outubro completo 40 anos de carreira como ator com muita alegria, porque tive a oportunidade de alçar voos maravilhosos na minha carreira inteira até aqui, tanto no teatro, como no cinema e, principalmente, na televisão.

Teria como vocês destacar os momentos mais marcantes desses 40 anos de atuação? Eu destaco ao logo desses mais de 30 anos de atuação na TV, minha trajetória com momentos de muita alegria, de dor, de desafios. Foram momentos especiais. Minha trajetória foi galgada à base de muito estudo também. Desde o teatro procurei sempre me aperfeiçoar o tempo todo como ator, sendo tudo muito positivo.

O que faz um personagem ser realmente completo e marcante para você (independente de ibope e público)? Eu acho que para responder essa pergunta, eu vou imediatamente a uma frase de Walter Avancinni, que pela primeira vez falou para mim, sobre o DNA de um personagem: “Eu considero a coisa mais importante que completa o ator, quando realiza um personagem é um encontro do DNA do próprio personagem. Quando isso acontece, você realmente conseguiu entender a vida da forma mais plena daquele personagem e aí você tem o próprio DNA desse personagem e isso completa o encontro desses dois, da forma mais perfeita”.

O quanto ibope, crítica e público te influencia ou te toca durante um trabalho? O que me importa em um trabalho é somente o público. O ibope e a crítica não mexem comigo. Aliás, eu nem me preocupo. Eu já li muitas críticas que foram construtivas, positivas, que foram realmente benéficas e muitas críticas negativas, que com certeza não eram aquilo tudo. Já fiz vários trabalhos que não tiveram sucessos no ibope, mas foram novelas marcantes, peças de teatro fantásticas e filmes incríveis. Mas o que importa é a relação do público com o trabalho. Até hoje tem pessoas que citam trabalhos que eu fiz, que não foram bons no ibope e nas críticas positivamente, mas marcaram a emoção de muitas pessoas do meu público até hoje.

No meio disso tudo surgiu o Maurício cantor. Como foi isso e como a música te toca? Na verdade o cantor e o compositor vieram antes do ator. Eu comecei aos quatorze anos a fazer teatro para completar e dar uma base ao cantor, porque a minha atmosfera era de músicos e o cantor é o que mais hoje em dia, de dez anos para cá, se mantém ativa de uma forma muito forte, com turnês pelo Brasil e fora do Brasil, com CDs e DVDs. Como o último que lancei em 2015, o “Mauricio Mattar 20 anos de Música”, gravado em 2014. Até hoje continuo em turnê e muito feliz com a música.

Com tudo isso veio a fama de galã. Isso mexe com vaidade. E de certa forma coloca o ator numa classificação que ajuda e atrapalha. Como você vê isso? Em algum momento incomodou? Esse rótulo de galã, esse título, ele não me incomoda, porque eu não alimento essa questão. Apenas se apresenta como uma questão que observo, mas não dou importância. Respeito, acho muito positivo as pessoas considerarem, mas procuro até hoje, desde o início, a ter uma profundidade maior, uma visão muito mais contundente sobre minha carreira e sobre a posição do oficio do ator.

Aos 54 anos como a vaidade te toca? Como se cuida? Eu não tenho muitas vaidades, na verdade, nunca tive. Minha vaidade é normal, cortar o cabelo, fazer a barba, estar sempre com uma imagem limpa e arrumada. Me considero até uma pessoa desprovida de vaidades. Nunca coloquei botox, nunca fiz cirurgias, nunca fiz nada que fosse ligado a uma vaidade maior, do que apenas a naturalidade. Me cuido sempre buscando um bom descanso, uma boa noite de sono, alimentação saudável e o esporte que me alimenta a alma.

Que altos e baixos destacaria até hoje na sua vida? Altos e baixos eu considero uma carreira dentro da minha própria vida. Momentos de grandes ensinamentos, de grandes aprendizagens, que culminam na sabedoria. Todos os grandes sucessos que realizei na televisão foram momentos de muitas alegrias, momentos altos. O meu sucesso na música, quinze músicas em novelas, discos de ouro, de platina, shows, reconhecimento, são todos os altos e os baixos que fazem a gente entrar em equilíbrio. Eu acredito que em determinados momentos, não existem baixos e sim aprendizados e passa ter a compreensão que o ápice tem uma hora que acalma. Hoje como um profissional veterano na profissão, estou na velocidade cruzeiro de um avião.

Ser pai de três filhos de mulheres diferentes e em momentos diferentes da vida te tocou como? Ser pai de três filhos é uma delícia! Tenho graças à Deus três filhos de ótimos corações, de caráteres exemplares, educados, filhos profissionais, cada um na sua área. Exercendo da melhor maneira possível uma responsabilidade social, de grupo, já que trabalham com arte. Existe muita união.

O que você aprende com eles e que ensinamentos procura deixar de herança? Eu aprendo muita coisa. Aprendo não só a modernidade da internet, mas ao mesmo tempo eu aprendo o comportamento de pensamentos auspiciosos, de espiritualidade, de caráter, de conduta, de pensamentos novos, de novas ideias e o que eu deixo sempre, foi tudo o que eu vivi tanto de certo quanto de errado. Eu passo sempre aquilo que se deve fazer e principalmente, o que não se deve fazer.

Que defeitos gostaria de mudar em você e que qualidades procura realçar mais? Eu tenho um grande defeito que é a ingenuidade. Sou uma cara que tem a visão pura da vida e procuro alimentar isso e me alimento dessa visão. Sempre muito preocupado com a ética positiva, com a espiritualidade, com a educação, com a simplicidade, que me deixa capaz de estar sempre com a positividade, com os pensamentos bons e construtivos. Tento mudar em mim cada vez mais o que é preciso e necessário para ficar cada vez melhor, no equilíbrio acima de tudo e com sabedoria.

Participar de uma novela como “Jesus”, na Record, mexe com o lado religioso ou é apenas mais um personagem? Como tem sido a experiência? Realizar o personagem Joaquim na novela “Jesus” para mim é um grande presente, uma grande benção, porque é o livro mais famoso do Universo e o personagem mais grandioso da humanidade. Eu costumo dizer que foi um momento escrito até por ele mesmo. Tenho uma grande fé, não sou ligado em religião, e com certeza, acrescentou muito, porque estar em contato com uma história tão linda como a de Jesus Cristo, é sempre muito positivo e enriquecedor para o nosso trabalho e principalmente para a alma.

Tem algum personagem que você se sinta mais confortável em fazer? Por que? Não existe isso de ter um personagem mais confortável. Eu cada vez mais e sempre busquei na minha vida e na minha carreira de ator fazer personagens que sejam totalmente diferentes de mim. Isso sempre foi muito difícil por conta do estigma de galã, mas sempre que eu pude e tive algumas grandes oportunidades de realizar personagens de composição, que descaracterizam totalmente o que as pessoas conhecem, olham o Maurício Mattar e não enxergam, porque estou caracterizado por uma outra figura e isso é uma grande delícia. Um voo maravilhoso como ator.

Como pessoa pública acha que pode/deve fazer algo para o cidadão numa época de eleição? Ou procura separar as coisas e não se pronunciar? Eu procuro sempre ter a minha opinião politicamente privada. Não sou muito de falar, mas o que posso dizer em relação ao ano de eleição, é que as pessoas devem comparecer e estudar o candidato que fazer a coisa certa. O que tem que ser feito em prol do nosso país, para que esse quadro mude e não permaneça nesta mesmice, que a cada vez nos leva para um buraco imenso.

O que te faz relaxar nos momentos de folga? Com certeza é estar com quem eu amo, amigos, família, amor, a minha casa. Ou nos esportes que amo, sempre ligados à natureza, como voo livre e surf. Viajar, assistir um bom filme, ler um bom livro, escutar uma boa canção que mexa comigo, estar nas minhas práticas de oração, são coisas que me deixam sempre em eterna gratidão.

 

Fotos Edu Rodrigues

Beleza Dani Kobert

Assistente de foto Matheus Polis

Produção de moda Zany Assessoria