A primeira vez em que o ator Osmar Silveira foi capa da MENSCH, isso em fevereiro de 2014, ele estava despontando como ator com o espetáculo “Cazuza” e era uma promessa da nova geração. Quatro anos depois, Osmar volta à nossa capa diante do sucesso que foi sua estreia em horário nobre na Globo com o personagem Narciso em “Segundo Sol”. O personagem começou quase que como um figurante e aos poucos personagem e ator foram mostrando a que vieram. O auge desse trabalho foi quando Narciso abandona a família de traficantes depois de desafiar o pai e vai viver nas ruas. Momento difícil para o personagem e um prato cheio para Osmar mostrar que tem talento para ir muito longe. O sucesso foi tanto que na reta final da novela o personagem voltou, trazendo um Osmar mais dramático e abatido, mas com força total. Força essa que levou esse jovem ator a largar sua terra natal, Mato Grosso, e se aventurar no Rio de Janeiro. Onde conquistou seu sonhado lugar ao sol. Hoje, Osmar não é só uma promessa de um grande ator, ele é! E o futuro promete para esse jovem talento promissor. E nós estamos aqui de olho acompanhando tudo de perto. Que venham outras capas!

Osmar, como está sendo voltar à trama de “Segundo Sol” depois de tantos acontecimentos na vida do seu personagem? Eu tinha uma grande expectativa de que o personagem voltasse, mas não tinha certeza de como seria essa volta. Quando recebi os capítulos, fiquei contente e assustado porque era uma cena enorme e com bastante peso dramático. Então mergulhei fundo pra poder dar o máximo de veracidade ao personagem em seu depoimento, mostrar não só o sofrimento, mas também sua força de vontade em se recuperar. E levar uma mensagem de que as pessoas podem se recuperar, se tratar e que, às vezes, só precisam de ajuda. Enquanto ator, me senti honrado em poder passar essa mensagem, mostrar o quão importante é o tratamento no N.A. (Narcóticos Anônimos) ou no AA. Recebi diversas mensagens de pessoas que passaram por isso, e até pessoas dizendo que meu depoimento as ajudou a entender que precisavam de ajuda. Trazer esse assunto de extrema importância para a sociedade foi muito especial para mim. Tenho recebido muito carinho e acolhimento das pessoas em geral.

E como está sendo encerrar esse trabalho? Afinal, foi uma grande estreia em horário nobre na Globo. Fazer parte desse trabalho foi um grande presente desde o início, um grande aprendizado. Eu só tenho a agradecer ao João Emanuel, ao Dennis Carvalho pela confiança e pela oportunidade de viver esse personagem que trouxe tantas coisas boas para minha vida! Encerro já com saudades de tudo que vivi, mas com a certeza de que aprendi, amadureci e cresci muito como profissional!

Esperava essa aceitação toda por Narciso? O que aprendeu com ele? No começo eu achava que fosse ser um personagem odiado pelo público, mas nunca quis fazê-lo apenas com seu lado “ruim” sempre tentei fazê-lo oscilar entre bondade e maldade, atos ruins e bons… Acho que isso deixou o personagem humano e verdadeiro o que acabou conquistando o público e trazendo essa massa de carinho que tenho recebido. A maior lição que eu levo é que somos humanos, passíveis de erros, porém podemos voltar atrás e arrumar a bagunça. Se existe vontade, você pode se reconstruir.

Soubemos que você participou de algumas de reuniões em grupos de ex-drogados. Como foi a experiência? É uma experiência bastante forte, alguns relatos são muito duros, emocionantes, e nesse momento pude perceber o quão difícil é essa luta para se livrar do vício, por quantas coisas forçados pelos vicio temos que passar. Escutar esses relatos me deu muito material humano para trabalhar a minha cena no N.A. Eles nunca dizem “estou curado”, mas usam “só por hoje”: por essas 24 horas eu não usei; e assim vão adquirindo confiança, lutando e sobrevivendo ao vício. São guerreiros lutando diariamente pra sobreviver. Foi uma linda experiência.

Antes desse trabalho na Globo, você tinha feito um dos principais personagens na novela “Rico e Lázaro”, na Record. Como você enxerga seu trabalho de ator de um personagem para outro? São linguagens bastante diferentes, por outro lado acredito que o trabalho do ator seja cumulativo, cada experiência vivida fica armazenada e servirá no que virá depois. Fazer o Joaquim em o RICO E LÁZARO foi extremamente importante para que eu pudesse fazer o Narciso em SEGUNDO SOL. O aprendizado que tive me ajudou a crescer enquanto ator e descobrir ferramentas de atuação que pude utilizar com o Narciso e aperfeiçoar. A cada novo trabalho ganho novas ferramentas, uma vez que é um aprendizado diário e acumulativo.

Como foi que tudo começou? Como e por que decidiu que ser ator era o que você queria para a vida? Tudo começou muito cedo, eu tinha apenas oito anos de idade quando entrei para o teatro, depois juntei com o canto e dança. No começo era tudo uma grande brincadeira, mas, com o passar dos anos, a brincadeira foi ficando séria: vieram os festivais, as competições e fui entendendo que eu não tinha escolha, já que a arte havia me escolhido. Até tentei cursar outras faculdades, contudo o amor pela arte sempre foi maior, tanto que resolvi largar a família e emprego, para vir ao Rio lutar por esse sonho.

Na primeira entrevista que fizemos com você, em 2014, falamos muito do especial Cazuza. Foi sua 1ª grande experiência como ator? O que mais marcou desse trabalho? “Cazuza” foi minha grande experiência no mercado musical profissional, meu primeiro grande trabalho no Rio e o que me abriu grandes portas para trabalhos seguintes. Posso afirmar que foi o meu divisor de águas. A partir dali as pessoas começaram a me conhecer como ator no mercado. Éramos uma família. Durante quase dois anos juntos, vivíamos mais juntos do que em nossas casas e essa convivência foi extremamente especial pra mim devido ao fato de eu vir do Mato Grosso sozinho e encontrar aquela família na arte.

Você largou o Mato Grosso, sua terra natal, e se mudou para o Rio de Janeiro. Em entrevistas você já comentou que passou por muitas dificuldades. Depois desse sucesso no horário nobre da Globo você tem certeza que tudo valeu a pena. Como avalia isso? Acho que até mesmo nas dificuldades eu já senti que estava valendo a pena. Nunca pensei em desistir, visto que pensava sempre em soluções para prosseguir lutando por esse sonho. O momento que estou vivendo hoje me prova que sim: cada minuto de luta valeu a pena. Mas a carreira artista oscila e sei que tenho muitas batalhas pra vencer ainda. Com fé, força e foco vou lutar para vencer.

Tem uma frase que diz: “É que Narciso acha feio o que não é espelho”. Como você lida com a vaidade? Qual seu limite?

Eu até completaria…

“E foste um difícil começo

Afasto o que não conheço

E quem vem de outro sonho feliz de cidade

Aprende depressa a chamar-te de realidade…”

Acho que a vaidade é importante, desde que comedida, que não seja exacerbada. Sou vaidoso, gosto de me sentir bem, de me cuidar, de estar bem apresentável, mas se precisar ficar feio, destruído, acabado, emagrecer, engordar em função da minha profissão, saúde ou sobrevivência o farei sem qualquer questionamento.

Você sempre teve um corpo em forma e agora na reta final da novela você teve que enxugar mais a silhueta. Como foi esse processo? Perdi quatro quilos para o retorno de Narciso, não foi um pedido da novela, mas algo que achei interessante para esse momento do personagem. Aparecer um pouco mais abatido, para que pudesse ser mais crível ao telespectador. Não foi nada muito sofrido, eu já estava habituado a fazer dietas por conta da minha rotina de treinos. Tive apenas que fazer alguns ajustes na alimentação, treino e manter o foco. Gostei do resultado na cena, deu a impressão que eu estava buscando.

Com a exposição do personagem deve ter vindo o reconhecimento do grande público e por consequência o assédio. Como tem lidado com isso? Tento lidar de forma natural, responder quando achar necessário. Normalmente me abordam de forma respeitosa, com elogios e tudo mais. Tento sempre agradecer e ser solícito. Quando percebo que extrapolam o limite do respeito, me reservo ou digo que não está sendo agradável. Porém, geralmente, não preciso chegar a esse extremo.

Um dos grandes pecados para os atores é o excesso de vaidade. Como lidar com isso? Acredito que se deva saber controlar. Como disse, eu Osmar pessoa física, sou vaidoso, gosto de me cuidar e estar bem. Entretanto não deixo minha vaidade entrar dentro do estúdio: lá sou um instrumento a favor da arte e não posso deixar a vaidade me atrapalhar. No caso do Narciso, as pessoas estavam acostumadas a vê-lo todo arrumado, bem vestido, dentes brancos. Já no retorno, ele volta magro, roupas sujas, dentes amarelos, olheiras profundas, pois isso era necessário para contar a história. Confesso que eu adorei!!! Adoro essa desconstrução da imagem. Gosto de poder me desconfigurar, me transformar em alguém que as pessoas não estão acostumadas a ver. É importante nesse momento o ator não estar preso à vaidade.

Falando em pecado… qual o seu favorito ou ponto fraco? Gula… (risos) Eu sou muito guloso, sou apaixonado por doce. Na verdade, comida em geral. Mas os doces são meu ponto fraco.

E curte mais o dia ou noite? Onde é mais fácil te encontrar? Sou diurno, meia-noite no máximo já estou na cama. Costumo dizer que tenho uma alma velha: meus amigos estão todos na noite e eu tô em casa vendo filmes. O lugar mais fácil de me encontrar é em casa, sou muito caseiro. Quando não estou trabalhando, estou em casa, curtindo meu cachorro, vendo filmes, séries.

O que te distrai nas horas vagas? Tô ficando viciado em ver séries, no entanto sou daqueles que assistem cinco temporadas em três dias. Como adoro ficar em casa, acabei adquirindo esse hábito.

O quanto você é ligado em moda? Qual seu estilo? Bastante. Estou sempre atendo a tudo o que está acontecendo no mercado da moda. Sou apaixonado por tênis e sapatos. Então, geralmente escolho cores neutras (branco, preto, azul e jeans) sem estampas e coloco um sapato maneiro.

Com o fim desse trabalho já tem algum plano? Primeiro vou descansar um pouco, já que estou vindo de três novelas seguidas, ou seja, estou praticamente sem férias. Porém, já estou buscando novas oportunidades através de algumas conversas ainda embrionárias sobre futuros projetos.