ENTREVISTA: Rodrigo Pandolfo mostra por que é sucesso de público e crítica no teatro e TV

Cria do teatro e fruto de um trabalho impecável talhado desde muito jovem, o ator Rodrigo Pandolfo tem se destacado na novela “Cheias de Charme” da TV Globo. Inquieto e complexo ao se definir como ator, Pandolfo paira entre o humor e o drama tirando de cada um o que melhor se aplica a cada novo personagem. Descobrir o seu talento através da vida de seus personagens é o grande barato para esse ator que pode ser novato do grande público de TV, mas que já vem se destacando na cena teatral ao ponto de receber muitos elogios da crítica especializada e indicações à prêmios importantes. Pandolfo faz sua brilhante estréia na TV e se revela cheio de talento para muitos outros desafios, seja no teatro, TV ou cinema. Agora ninguém segura mais esse cara…!

 

Sua atuação há tempos vem rendendo elogios de gente de peso e você figura como uma grande promessa artística. Como lida com isso? Essa expectativa dos outros assusta ou impulsiona? Impulsiona. Acreditar que sou essa “grande promessa” é que pode ser um problema. Sou o que sou. A promessa é hoje, agora, resultado de cada trabalho. Procuro sempre o caminho do meio: conquistar segurança no trabalho sem achar que sou super-homem. Quando o reconhecimento começou a aparecer tive medo de ficar refém das expectativas do outro… Mas acabei descobrindo que se eu devo alguma coisa a alguém, é a mim mesmo. Então, o excesso de cobrança ou a falta dela, é um equilíbrio que eu busco dentro de mim dia após dia.

Duas indicações para o Prêmio Shell. Isso te deixa com a certeza de que está no caminho certo? Sim e não. Sim, por que conquistamos segurança com a recíproca e crítica do outro. Não, por que a qualquer momento um novo caminho pode aparecer. Tudo se movimenta.

Seus personagens têm sido complexos, o Moritz do musical
“Despertar da Primavera” é um suicida, o Sábato, de “Cine-Teatro Limite”, é esquizofrênico, essa complexidade ajuda a mostrar a diversidade e a qualidade do ator?
Sim. Um personagem recheado de riquezas é meio caminho andado. Um bom texto e um bom personagem com certeza enchem os olhos de qualquer ator.

 

Qual a grande função do ator para o público? E qual a grande
realização da arte de interpretar para o ator?
A grande função é transformar, seja como for. E a grande realização é justamente a troca, a certeza de que o público está sendo afetado.Quando decidiu sair do Mato Grosso pra ser artista no Rio de Janeiro qual foi a reação da sua família? Eu tinha 14 anos, era uma criança. Minha mãe demorou 1 ano pra entender que esse desejo era uma realidade. E quando a ficha caiu, foi a maior parceira que tive. Com 15 anos me mudei pra cá e a partir daí minha família sempre me estendeu a mão para quaisquer que fossem as minhas escolhas.

 

Assim como você, muitas pessoas precisam deixar seus estados e cidades de origem para tentar a vida artística no eixo Rio/São Paulo. Essa mudança é positiva ou dificulta quando não se consegue trabalho logo no início? As duas coisas. É uma mudança… Isso já é positivo levando em conta a experiência de respirar um novo ar, receber novas informações. Mas sempre é difícil. Tudo o que é novo demanda esforço, trabalho, tempo de adaptação. Fora a glória e a dor da mudança, existe a glória e a dor da conquista na carreira artística. Raramente se consegue emprego fácil, rápido. É um trabalho intenso e sem fórmulas.Drama ou comédia? O que tem mais a ver com você, a pessoa e não o ator? Sou hilariamente dramático. Amo o drama e o humor da vida. Já na arte, quando se tem qualidade não importa o gênero.

 

 

O que faz uma mulher ser Cheia de Charme? Segurança, elegância, carisma, sorriso nos olhos.Qual personagem das novelas brasileiras você gostaria de interpretar num remake? Tonho da lua, de “Mulheres de Areia”. Trabalho inesquecível do Marcos Frota.

O ator de TV, ainda mais quando faz novela, acaba tendo uma exposição maior, tanto do seu trabalho quanto de sua vida pessoal, está preparado pra isso? Mesmo quando nos preparamos nunca é o bastante. É uma experiência forte… e só passando por ela pra poder dimensionar e entender se aguentamos o tranco ou não.

O que curte para LER, VER e OUVIR? Gosto de ler jornal todos os dias. Na literatura, sou encantado pelo realismo fantástico do Gabriel Garcìa Marquez. Amo cinema e teatro. Vou do cult ao pop. Só não curto muito ficção. Na TV, atualmente estou vidrado e banhado de charme por nossas Empreguetes, que iluminam minha novela do coração e, claro, hipnotizado pelo estouro de qualidade em Avenida Brasil. Em casa ouço muito Yann Tiersen, Maria Bethânia, Arnaldo Antunes, Cake e outros tantos.

Para agradar Pandolfo faça… Carinho na cabeça. (risos)

 

Produção de moda: Jhon Santana
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