A jovem atriz Ana Hikari traz em seu DNA a rica mistura de africanos, indígenas e japoneses. Uma verdadeira musa das etnias. Alto astral, divertida e inquieta, Ana esteve na TV com sua personagem Tina em “Malhação, Viva a Diferença” e não podia ser mais apropriado para ela que traz tantas misturas. Ligada à natureza e sem tempo à perder na hora da paquera, Ana vive divide suas paixões pelo Rio, São Paulo e Salvador, de onde vem o namorado, e aqui conosco nesse ensaio e matéria que traduzem bem o seu espírito de bem com a vida. Esperamos logo vê-la de volta à telinha para nos encantar mais uma vez.

Desde o final da temporada de “Malhação” até agora tem sentido muita saudades de Tina (personagem na novela)? Eu sinto saudades dela, mas ao mesmo tempo estou feliz de ter terminado esse trabalho com tanto saldo positivo. Foi uma experiência profissional muito grande para mim. Estou satisfeita por ter me dedicado tanto e ter colhido bons frutos. Às vezes bate uma saudade de ver o roteiro do Cao chegando! Ele é um ótimo autor, eu ficava realmente ansiosa para ler cada capítulo.

Como despertou que queria ser atriz? E como foi que chegou até esse papel? Eu iniciei meus estudos no teatro com 12 anos e antes disso também fazia canto. Desde sempre a arte foi presente em minha vida. Eu estava cursando a faculdade de Artes Cênicas na USP e fui até o Rio fazer cadastro no banco de atores da Globo. Dentro do Projac acabaram me chamando para fazer teste pra “Malhação”. Fui chamada mais duas vezes para teste e no fim passei!

Você é uma incrível mistura de descendências de africanos, indígenas e japoneses. Como é isso na sua vida? Como cada cultura te influencia? Eu tenho muito orgulho de ser brasileira com uma mistura tão rica de etnias e culturas na minha família. A maneira que minha família encontrou de me ensinar valores importantes como o respeito e a empatia foi através desse encontro de diferentes culturas. Um dos valores que tenho sempre comigo é empatia com as questões raciais. Infelizmente presenciei situações de racismo vividas pelo meu pai e, se hoje me posiciono tanto, é porque já fiquei cansada e muito magoada de ver que ele passa diariamente por isso.

Você é uma paulista com muita ginga de carioca. É isso mesmo? O que cada cidade te completa mais? Acho que sou um pouco de cada lugar que já conheci. Meu namorado, que é baiano, diz que eu sou uma baiana que nasceu no lugar errado (risos). Gosto de São Paulo, porque tem milhões de atividades pra fazer o tempo inteiro (muitas peças pra ver, vários museus, shows de graça, festas diferentes etc), é uma cidade que não para (como eu!). E no Rio, a melhor coisa que tive contato foi a natureza. Pra todo lugar que você olha lá, você consegue ver a natureza te trazendo paz.

A sua temporada de Malhação tinha como título “Viva a Diferença”. O quanto isso é importante hoje em dia? Já percebeu (com você ou outras pessoas próximas) que ser diferente em algum momento foi problema? Esse tema é extremamente importante hoje em dia, porque, infelizmente, vivemos em um mundo com muito preconceito e discriminação. Em um país que se diz tão diverso, ainda somos o que mais mata transsexuais no mundo, ainda temos índices altos de desigualdade social, ainda temos discriminação vivida cotidianamente por tantas pessoas etc. Como descendente de oriental no Brasil, eu sofri com diversas “micro-agressões” disfarçados de “piadinha”. A minha personagem nessa “Malhação Viva a Diferença” sempre se posicionava e falava em vários capítulos: “eu odeio que me chamem de Japa! Eu tenho nome! É TINA!”.

Você está com 23 anos. Acha que sua geração é mais tolerante (ou não) com algumas coisas? Jovens da sua idade estão mais preparados ou conscientes sobre conviver com as diferenças? Acredito que, de uns anos para cá, o diálogo sobre questões sociais se desenvolveu bastante com as gerações mais novas. E cresceu tanto que eu percebo outras gerações já se envolvendo nesse assunto também. O acesso a internet auxiliou muito na ascensão desse diálogo. Espero que as gerações futuras venham cada vez mais abertas ao questionamento e debates para criarmos um mundo mais justo e com menos desigualdade.

Nas horas vagas o que te diverte? Onde é mais fácil te encontrar? Eu sou uma pessoa muito curiosa, sempre quero aprender algo novo. Eu me divirto quando estou aprendendo algo, seja lendo um livro em casa, seja visitando um museu, seja ouvindo um CD que descobri, seja conhecendo um lugar novo… tudo que traz conhecimento eu me interesso. Ultimamente comecei a estudar francês e teatro musical, então possivelmente você me encontrará fazendo exercícios da aula de francês ou estudando peças da Broadway (risos).

Como seria um final de semana perfeito? Com MUITAS coisas para fazer. Eu odeio ficar parada. Eu brinco que não sei o que é descanso, porque passar uma tarde cochilando, por exemplo, pra mim é um dia desperdiçado! Gosto de lotar meu dia de atividades diversas.

O que Tina e você tem em comum e mais diferente? Tanto eu quanto a Tina somos muito curiosas e gostamos de aprender coisas novas. Somos diferentes nas nossas criações, a Tina teve muito mais influência da cultura japonesa na vida dela, enquanto, na minha, eu quase não aprendi coisas sobre essa parte da minha origem.

Você descoloriu o cabelo para a personagem. Você é muito vaidosa? Até que ponto? Eu não sou muito vaidosa, mas eu gosto de cuidar do meu corpo pensando na minha saúde física e mental. Me sinto muito bem mentalmente quando estou mais ativa, praticando exercícios/fazendo academia. Em relação ao cabelo, sempre vejo meu corpo como meu instrumento de trabalho e sei o quão importante é eu, como atriz, me entregar para um papel por inteira. Os processos que passei com meu cabelo esse ano foram parte do meu trabalho como atriz.

Na paquera você joga seu charme de que forma? Dá a entender que está interessada? Ah eu sou muito sincera e direta. Se estou interessada eu chego, falo, chamo pra sair, mando mensagem etc. Tem um vídeo da JoutJout que fala sobre “não fazer joguinhos”. Eu sou super a favor dessa teoria dela! Fazer joguinho, para mim, significa perder tempo de aproveitar o momento com aquela pessoa. Se estamos aqui e não temos nada a perder além de tempo, pra que perder tempo fingindo desinteresse etc? Sou a favor da sinceridade na hora de jogar charme.

Para te conquistar basta… Ser inteligente e ter uma boa conversa.