Claudia Ohana é o tipo de mulher atemporal. Ela não precisa estar na TV, no cinema ou nos palcos para ser lembrada. Ela já virou ícone! Mas não apenas por sua beleza ou talento, mas também por sua atitude, alto astral e brilho próprio. Estivemos com ela em 2017, quando foi capa da edição impressa, e podemos perceber o poder de atração que ela exerce. E não estamos falando só da beleza. A atriz é enigmática e cativa as pessoas em poucos minutos de contato. Seu pique é contagiante e seu sorriso apaixonante! E como se não bastasse, depois de papéis inesquecíveis em novelas como “Vamp” e “Tieta”, além de “Erêndira” nos cinemas, Ohana agora vive Janice em “Verão 90”. E ela não para por aí! Nos cinemas, a atriz lançará, em breve, dois novos filmes intitulados “Légua Tirana” e “Nós somos o amanhã”. É, isso tudo é Claudia Ohana… Tem como não amar essa mulher?! Que venha muito mais!

Claudia na nossa última entrevista (out/17) você estava no auge do musical VAMP. Como foi a receptividade do espetáculo e o que ele te deixou de bom? O musical foi um sucesso incrível. Acho que todo mundo estava com saudade da Natasha, do Vlad… Lembro que quando eu entrava no palco cantando Sympathy for Devil as pessoas iam ao delírio com o disco da novela nas mãos. Foi uma delícia ter voltado a trabalhar com o Ney Latorraca e com o Jorge Fernando. E fazer uma vampira roqueira é um luxo! Embora eu já estivesse fazendo musicais em São Paulo, “Vamp” me trouxe ótimas lembranças e me deu vontade de fazer show, de gravar discos, de cantar mais.

Lembramos que você estava num ritmo frenético com ensaios e apresentações seguidas. De onde vem esse pique todo? Eu me poupo muito, não saio pra qualquer lugar, não faço qualquer coisa. Vou a nutricionista, cuido do corpo, faço exercício. Alimentação é fundamental. Agora mesmo estou fazendo uma dieta que eu tenho que comer desde geleia real até sopa de rã! (risos)

Onde recarrega as energias? Como cuida do corpo e da mente? Além da alimentação, o sono também é muito importante. Eu durmo nove horas por dia e faço exercício físico: alongamento, esteira, dança, musculação. Não corro porque emagrece. Fora isso, faço meditação. Essa vida é muito agitada, por isso, é preciso acalmar a mente. Ah, e renovo as minhas energias no mar!

Você virou um ícone de beleza que tem atravessado o tempo com tranquilidade preservando sua beleza natural. Como é isso pra você? Obrigado pelo “ícone”! É claro que toda mulher gosta de se sentir bonita, mas a beleza é efêmera. O mais importante é ser feliz.


Atualmente você está no ar em “Verão 90”, década em que você estava no auge com trabalhos em novela como “Vamp” e “A Próxima Vítima”. Como está sendo participar dessa novela e rever essa década? A novela é muito leve e a minha personagem também. Mas o engraçado é que, pra mim, os anos 90 tinham sido ontem… E não foram! Revivendo aquela década na novela é que eu vejo como as coisas mudaram. As tecnologias, a forma de se ouvir música, as gírias, tudo! Agora é que eu vejo que estamos realmente em outro século!

Que referências e hits guarda desse período (anos 90)? A lembrança que me vem agora é da novela “Vamp”. Eu gravava na Globo Tijuca e ia escutando Freedon. Essa é uma música que, pra mim, marcou aquela época. A mesma em que comecei a fazer teatro e mudei muito minha forma de ser e de atuar.

Você é um mulher que tem vivido intensamente todas essas décadas. Dá pra citar qual foi mais intensa para você e por que? Sem dúvida, a década de 80! Primeiro, porque foi quando tudo começou pra mim. Segundo, porque eu era adolescente. E nada é mais é intenso do que ser adolescente. Você descobre tudo, acha que pode tudo, sua vida muda a cada mês, conhece muita gente, está disponível, solteira… Foi quando eu comecei a trabalhar, perdi minha mãe e fui morar sozinha. Enfim, vivi intensamente!

Você se acha uma mulher atual? Está conectada (não de forma eletrônica) com nosso período ou se pudesse viveria em outra década? Eu me acho extremamente atual! Não sou uma mulher nostálgica e não fico pensando no que passou. Adoro internet, modernidade. É claro que, hoje, há muita ansiedade por conta de tanta informação, mas eu realmente não gostaria de estar em outro época. Estou feliz vivendo o agora!

O que perdemos e ganhamos dos anos 90 para os dias de hoje? Acho que as coisas eram mais calmas. Hoje é tudo muito rápido Você recebe uma mensagem no Whatsapp, a pessoa já sabe que você leu, e se não responde, acaba magoada. (risos) Nos anos 90 era preciso telefonar! Acho que perdemos um pouco do nosso precioso tempo e do contato mais humano com as pessoas.

Hoje em dia a internet e as redes sociais “fabricam” celebridades a todo instante. Tudo é muito rápido e às vezes superficial. Como você vê isso? Já faz um tempo que fabricamos celebridades efêmeras. Como dizia Andy Warhool, todo mundo teria direito aos seus 15 minutos de fama. Mas eu não vejo um grande problema nisso. Acho que faz parte desse momento, dessa geração. Que façam bom proveito.

Existe algo que você não se permita mais hoje em dia? Algum tabu foi construído pelo tempo? Eu não costumo me permitir fazer o que eu não quero, mesmo assim às vezes, é preciso. Tabu, acho que não adquiri nenhum.

O fato de ser atriz sempre te impulsionou a ser mais ativista, levantar bandeiras ou ser porta-voz de minorias? Artista, ou não, acho que toda pessoa pública se vê numa posição em que precisa se colocar de alguma forma e acaba levantando as bandeiras daquilo em que acredita. Agora, por exemplo, através do movimento feminista que está ganhando cada vez mais força, a mulher está tomando o seu lugar e os seus direitos. Nesse, e em muitos outros casos, não é preciso ser atriz, artista, pra levantar essa bandeira, basta ser mulher.

Em breve você volta às telas de cinema em dois filmes. O que podemos esperar nesses trabalhos? Podem esperar diversão! ‘Nós somos o Amanhã’ é um musical sobre os anos 80. Eu faço uma professora muito louca e prafrentex. Canto músicas da Xuxa, do Balão Mágico… Acho que vai ser hilário! O outro será uma participação especial em “Légua Tirana”. Acho que vai ser um filme lindo! Será sobre o Luiz Gonzaga e eu faço uma cigana que lê a sorte dele, tipo a profetisa Cassandra da mitologia grega.

Existe algo que não te atraia como atriz? Difícil, porque eu gosto muito de todas as possibilidades desse ofício. Talvez personagens ruins. Esses são mesmo pouco atraentes.

Qual seu maior pecado e virtude? O meu maior pecado, embora não pareça, é a preguiça. A minha maior virtude é a honestidade.

Para conquistar Claudia precisa… Precisa ser verdadeira. (Pausa) Mentira! Precisa ser mais que isso: precisa me atrair. (Risos) Mas acho que o que me atrai mesmo é justamente a verdade no olhar, é alguma coisa inexplicável, algo que acontece de forma meio incompreensível. Mas uma pessoa feliz me atrai. Feliz e sincera.

 

Fotos Sergio Baia

Styling Paulo Zelenka

Beleza Ewerton Pacheco