Essa bela morena dessas fotos anda dando o que falar com seu atual trabalho na TV. Day Mesquita é formada em Artes Cênicas, Jazz e Ballet Clássico, tem também em seu currículo participações nas séries “O Negócio”, da HBO, e “(Des)Encontros”, do Canal Sony, no seriado “Morando Sozinho”, do Multishow, protagonizou o programa “Viagem sem Fim”, também do Multishow, além de ter participado de algumas novelas como “A Terra Prometida” dando vida a Ioná e “Os Dez Mandamentos”, como Yunet. Já no teatro, Day atuou em cinco peças sendo uma delas o drama “Gota D’Água”, texto de Paulo Pontes e Chico Buarque. Atualmente em “Jesus”, onde interpreta a polêmica personagem Maria Madalena, Day tem conseguido mostrar um trabalho cada vez mais forte e conquistado crítica e público. Aqui na MENSCH ela chega cheia de atitude nessa capa.

Day atualmente você interpreta um dos personagens mais populares das histórias bíblicas, a Maria Madalena. Como recebeu esse convite e como se preparou para essa personagem? Eu já havia feito algumas novelas na emissora, que já conhece meu trabalho, e no início de abril recebi um convite para integrar o elenco da novela. Me preparei através das referências passadas pela direção, como os filmes “A paixão de Cristo”, “Ben Hur”, “Maria Madalena”, e li livros (Maria Madalena – Michael Haag e Maria Madalena – Lilia Sebatiani) para entender, descobrir e me aprofundar mais no universo, na época e na história das personagens. Depois disso o foco é no texto, nas características e nuances que a personagem vem mostrando a cada cena.

Já conhecia a história dela? O que tem aprendido e o que mudou no seu ponto de vista em relação à ela? Eu conhecia a personagem bíblica de uma forma um pouco mais superficial. Descobri que há muitas controvérsias em torno da sua história. Comprovamos isso em pesquisas e leituras de estudiosos e historiadores. Procurei começar os estudos sem pensar em nada do que eu imaginava sobre ela anteriormente. Então, todas as coisas foram e estão sendo descobertas ao longo do trabalho. Para mim atuar é sempre uma troca, não só entre outros atores e equipe, mas comigo mesma, sempre com aprendizados. Olhando para as ações das personagens consigo ver lados meus que talvez estivessem mais ocultos. É um trabalho de auto investigação. Maria Madalena é uma mulher de muita coragem, determinação, que busca e acredita na igualdade, no amor e no respeito ao próximo. É uma mulher com virtudes que eu admiro muito. Viver essa personagem me traz mais certezas de algumas buscas em mim.

Você tem sido apontada como uma promissora atriz e promete muito mais. Como se avalia? Eu amo o que eu faço e acho que o tempo e a experiência ao longo dos anos de carreira trazem (ou pelo menos procuro fazer com que tragam) uma evolução a cada trabalho. Então fico muito feliz em receber o carinho e reconhecimento do público e da empresa.

Como se prepara para um personagem? Me preparar e viver uma personagem para mim é maravilhoso! Me preenchem. É um processo minucioso, intenso, onde procuro descobrir o máximo de possibilidades para que na hora do jogo de cena possa me entregar com a intensidade e a verdade do momento. Todo esse processo desde o início, onde há o estudo e pesquisas anteriores, até o estudo das cenas em si e depois as gravações são maravilhosos.

Você já tem uma trajetória com vários trabalhos em diversas emissoras. Como tudo começou? Aos 18 anos quando resolvi me tornar atriz, procurei uma escola de teatro e comecei um curso profissionalizante. Desde que conclui, fiz inúmeros testes, gravei várias campanhas publicitárias e em paralelo a isso também trabalhei como modelo. O primeiro teste de novela em que fui aprovada, foi com a personagem Amanda, da novela “Dance Dance Dance” na Band. A partir daí, outras oportunidades foram surgindo. São 14 anos de carreira, 7 novelas, algumas séries, longas-metragens e peças de teatro.

Para interpretar Maria Madalena você viajou com equipe até o Marrocos. Conta um pouco dessa experiência… Gravar no Marrocos foi uma experiência incrível. Além de ter a oportunidade de conhecer um país e uma cultura nova, sair do local habitual de gravação influencia e agrega muita coisa no trabalho. Gravamos no deserto a 40 graus. Estar em um clima muito seco e no calor extremo faz tudo ser diferente, as sensações, os desconfortos, a respiração, tudo muda diante de um lugar como esse, e é ótimo porque colaboram para a construção e vivência das personagens, nos deixa mais próximos da realidade em que elas viviam e isso enriquece bastante o trabalho. Fui ao Marrocos para gravar a sequência da Via Crúcis, que são cenas densas, complexas. Na maior parte do tempo não estamos de fato gravando, mas sim aguardando todo o processo de preparação do set para estar tudo pronto na hora da ação. Então, embora estivesse muito quente, acho que a maior dificuldade mesmo foi manter a concentração e o estado de emoção e entrega que as cenas pediam durante as 8 ou 9 horas em que ficávamos no set de gravação. Não foi fácil, mas foi uma grande e linda experiência.

Você é do Paraná, terra conhecida também pelas belas mulheres. Em algum momento a beleza já foi elemento decisivo ou atrapalhou? Acho a beleza muito relativa. No primeiro contato a imagem de uma pessoa pode chamar atenção, mas precisa existir algo a mais que sustente. Quase perdi a personagem em um comercial uma vez por conta do meu perfil não ser muito “popular” como a marca pedia (como eles comentaram), mas a intepretação e o trabalho como atriz chamou atenção e passou por cima disso. Acho importante usar o que temos a nosso favor sempre. O externo pode sempre ajudar ou atrapalhar, por isso acredito que o trabalho tenha que vir sempre em primeiro lugar.

É muito vaidosa? Até que ponto e do que não abre mão? Gosto de me produzir quando vou sair ou fazer alguma coisa diferente, mas também tenho momentos de preguiça desse processo todo de produção. Dá trabalho, leva tempo, então às vezes estou mais prática. Tem coisas que eu procuro sempre fazer, usar protetor solar, corretivo e rímel para sair, mas isso não é uma regra. Então não existe algo que eu não abra mão nunca. Acho que a real beleza vem de dentro para fora, e se você está bem consigo mesmo pode bancar qualquer visual ou aparência. Estou num momento muito feliz, mas procuro sempre cuidar mais da mente e alma, porque isso comanda tudo.

O quanto a vaidade influencia na atriz que você é? Para um trabalho abro mão de tudo, qualquer vaidade. Se a personagem tem que estar “bonita” e bem arrumada, eu estarei. Se precisar estar “feia” eu estarei também. Como Maria Madalena, por exemplo, muitas cenas preciso estar caracterizada com cabelo bagunçado, suja, pálida, com machucados, olheiras… Era isso que a personagem estava vivendo, então não existe vaidade, existe verdade e coerência com o momento que a cena pede. Além de ser algo necessário para contar a história, me ajuda muito na construção da cena.

Soubemos que além de atriz você é bailarina… Como surgiu isso? O que te encanta na dança? Tem praticado? Comecei aos 7 anos de idade e pratiquei até os 20 e poucos. Sou formada em ballet e jazz, dei aulas durante alguns anos, foi meu primeiro trabalho. Há quase 3 anos não pratico, porque exige uma disciplina, um tempo que com o trabalho como atriz já não consigo tanto. A dança foi meu primeiro contato com a arte, e eu amo dançar! É uma forma diferente de se expressar do que como atriz, mas também é uma arte. Vivi muitos anos dançando e embora não dance mais com frequência, é algo que sempre estará presente na minha vida. A vivencia e a consciência corporal ajuda muito no trabalho como atriz.

Por falar em encanto, o que te encanta em um homem? O que ele precisa ter ou ser para atrair sua atenção? Num primeiro momento acho que o que atrai é algo que não se explica muito. A admiração é algo que precisa existir para que se mantenha um interesse. Respeito, cuidado e parceria me encantam e para mim são essenciais em qualquer relação.

Qual a medida de um homem vaidoso? O que ele não pode abrir mão e qual o limite para você? Acho que vaidade é algo que pode nos ajudar a nos sentirmos bem com a gente mesmo. E só. Tem que ser algo que complemente e não que seja a coisa mais importante. Quando sinto que um homem está mais preocupado com a imagem do que com qualquer outra coisa, perco o interesse.

Atualmente está comprometida? Quando não está é de demonstrar interesse ou fica na espera só observando e jogando charme? Não estou comprometida. Acho que faço um pouco das duas coisas. Depende da pessoa e da situação. Em um primeiro momento prefiro ficar observando mais e tentando entender o que a pessoa está querendo e se está mesmo interessada ou não. Mas já tomei a iniciativa algumas vezes.

O que é mais importante numa relação? E qual a maior cilada? Acho que é importante ter reciprocidade. Precisa haver uma troca equilibrada. Se relacionar é um exercício constante de aprendizado. São duas pessoas com mundos diferentes, então respeitar o espaço e aceitar o outro como ele é, para mim, é essencial. Claro que em uma relação é preciso ceder em alguns, ou em muitos momentos, mas tem que ter coerência e equilíbrio. Quando um dos dois quer impor mais e não aceita nunca o outro lado, acaba sendo uma relação que não é saudável, e se relacionar tem que ser bom! Tem que te fazer evoluir e melhorar como pessoa.

É mais fácil te encontrar na noite ou durante o dia? Que programas faz sua cabeça na hora de se divertir? Não acho que consigo me definir sendo uma pessoa mais do dia ou da noite. Depende do momento, da fase em que eu estou vivendo. Adoro sair encontrar os amigos, fazer trilhas, ir à praia, ir ao teatro, cinema, sair para dançar…

Algum plano para quando encerrar esse trabalho em “Jesus”? Vamos gravar a novela até o início do ano que vem, e até lá, por conta da demanda de gravação, é impossível entrar em outro projeto. Após a novela, quero começar a trabalhar em uma ideia de um curta-metragem que tenho vontade de fazer. E no ano que vem estreia o longa “Nada a perder 2” que já foi todo filmado no ano passado.