Desde quando apareceu na TV na novela “Insensato Coração”, em 2011, Giovanna Lancellotti só tem conquistado seu lugar ao sol cada vez mais. Foi assim em Gabriela, em 2012, foi assim em “A Regra do Jogo”, em 2015, e está sendo assim com seu trabalho atual, a mimada Rochelle em “Segundo Sol”. Talvez o seu trabalho mais expressivo sem dúvida. Será um divisor de águas na sua carreira? “Cada personagem é especial. Rochelle também é. Ela é muito diferente de mim e permite que eu passe por situações que jamais passaria na vida”, comenta Giovanna. De um jeito ou de outro temos certeza que estamos vendo um belo momento na carreira da atriz. E já esperamos ansiosos pela vê-la em várias produções para o cinema esse ano ainda e em 2019. Quanto mais Giovanna melhor! Essa garota promete! 

Esperava esse sucesso todo com a chatinha Rochelle em Segundo Sol? Desde o começo, meu desafio era fazer com que Rochelle não fosse apenas odiada pelo público, porque eu sabia que ela ia aprontar muito com toda a família. Pela recepção que tenho das pessoas, acho que estou conseguindo isso (risos). Mesmo com todas as vilanias e loucuras, ela é uma personagem popular, as pessoas brincam que “amam odiar Rochelle”. Ela tem gifs nas redes sociais com as caras e bocas dela… Ter esse retorno é muito importante e me deixa muito satisfeita.

Diria que está sendo um divisor de águas na sua carreira? Cada personagem é especial. Rochelle também é. Ela é muito diferente de mim e permite que eu passe por situações que jamais passaria na vida. Experimento coisas muito fortes com ela. A relação dela com a família, por exemplo. Até aqui foi muito conturbada, ela faz questão de destratar a mãe. E eu sou o oposto. Amo minha família, minha mãe é minha melhor amiga. Agora, quando ela descobre que tem a Síndrome de Guillain-Barré e perde os movimentos das pernas e braços, será um momento até de reavaliação dessa relação. Será um renascimento para Rochelle. E para mim, também é um recomeço porque é uma outra personagem agora. Estou muito realizada com o trabalho.

Aos 25 anos e com trabalhos bem marcantes você é uma das promissoras atrizes de sua geração. Como você avalia sua trajetória? Mais acertos que erros? Fico feliz ao olhar para minha trajetória até aqui. São tantas histórias, tantas personagens diferentes, tanto aprendizado. São muitos acertos. E errando, a gente também aprende coisas valiosas. Para mim, o legal da profissão é que me permite ter contato com vivências diferentes, com plataformas diferentes… Por exemplo, estou na TV com Rochelle e estarei no cinema com “Tudo por um Popstar”, que estreia no dia 11 de outubro, e com “Tudo acaba em festa”, que está previsto para ser lançado no dia 8 de novembro. Adoro essa versatilidade!

Em Sol Nascente, sua personagem era mais complicadinha e agora com Rochelle você vai passar por um drama da personagem. Personagens mais densos te instigam mais? Onde você se sente mais confortável? Me sinto mais confortável em cena (risos). Todas as personagens me instigam porque eu adoro descobrir as histórias delas, entender aquela pessoa, onde ela vive, quem são as pessoas que a cercam… Eu adoro conhecer cada uma delas e, a partir daí, dar voz a ela. O que me instiga, portanto, é o ofício. É poder ser tantas pessoas. Acho isso fascinante!

A personagem perderá os movimentos e você teve que perder peso. Como foi (ou está sendo) gravar essa nova fase da personagem? Como você enxerga isso? Primeiro, foi um choque (risos). Eu não fazia ideia. Descobri lendo os capítulos. Desde o começo do projeto, faço preparação com a Katia Achcar para viver a Rochelle. Nesse momento, estou contando com mais ajuda ainda. Meu pai e meu padrasto são médicos e me ajudaram muito com a parte teórica. Assim que a notícia saiu, muitas pessoas me procuraram nas redes sociais para falar sobre a experiência delas e trocamos histórias. Uma das pessoas que eu conheci ficou mais próxima e eu a acompanhei em consultas no neuro, na fisioterapia e na Rede Sarah, onde ela faz a reabilitação. Tudo isso me ajudou. Além disso, faço preparação agora com a Patricia Carvalho também. Ela trabalhou com a Alinne Moraes em “Viver a vida”, quando sua personagem Luciana ficou paralítica. Nesse novo momento, cada movimento da Rochelle é marcado, é muito preciso. Vai ser uma fase em que ela vai precisar muito da família, daquelas pessoas que até então, ela desprezava. Eu torço para que seja um momento de renascimento da Rochelle, que ela possa redescobrir a si mesma e a todas essas pessoas que a cercam, porque algo assim, leva as pessoas por um caminho de reavaliação, e eu gostaria que fosse assim também com ela. Sem perder sua identidade, sua sinceridade, tenacidade… Mas que ela pudesse canalizar tudo isso de uma forma mais positiva. Sobre o peso, não foi um pedido da direção. Eu decidi perder uns quilos para dar mais fragilidade para a Rochelle, nesse momento. Mas nada radical. Procurei a minha nutricionista para fazer isso de forma saudável.

De Rochelle você consegue salvar alguma característica boa? Mesmo que seja o visual? (risos) Eu acho a Rochelle muito determinada, e isso é uma coisa que temos em comum. Claro que canalizamos isso para lados opostos (risos).

Sentiu alguma rejeição nas ruas? Como tem sido a relação com o público?

Não senti rejeição. As pessoas a criticam muito, e eu entendo mesmo o motivo. Mas rejeição à personagem eu nunca senti. Muito pelo contrário. As pessoas me abordam elogiando o meu trabalho, falando que a Rochelle apronta muito, às vezes em um tom de bronca (risos). Acho bem divertido!

Aliás como você tem lidado com isso de limite entre o pessoal e o público? O quanto às redes sociais, ajudam ou atrapalham? Eu sempre lidei de uma forma tranquila. Esse limite existe e eu procuro desenhar essa linha. Divido e compartilho o que tenho vontade, mas, claro, deixo algumas coisas para mim também. Com o tempo, a gente vai aprendendo como lidar com o interesse e até que ponto é bom e saudável mostrar.

Qual o limite que não te incomoda na exposição, seja nas redes sociais ou na vida real? Eu não gosto de me sentir na obrigação de compartilhar. Divido o que gosto, o que acho interessante, partes da minha vida. Acho que o limite é esse: fazer até onde você se sente bem e à vontade, para compartilhar.

Pelo que ficamos sabendo 2019 será o seu ano no cinema. Serão 3 filmes em sequência. É isso? O que vem por aí? Já vai começar agora! Estou com cinco projetos para ganhar as telonas. Dois deles já estreiam agora no fim do ano. “Tudo por um popstar”, adaptação da obra homônima da Thalita Rebouças, chega aos cinemas no dia 11 de outubro. Depois, no dia 8 de novembro, o público poderá me ver no longa “Tudo acaba em festa”. Para 2019, estão previstos “Incompatível”, “Intimidade entre estranhos” e “De novo não”, que ainda estão sem data de lançamento. Não vejo a hora de o público conferir o resultado de todos esses trabalhos, que foram tão especiais para mim.

E quando tem um tempo livre, o que mais curte fazer? Onde recarrega as baterias? Depende do dia. Tem dia que gosto de ficar em casa com a Filó, vendo Netflix. Em outros, gosto de uma atividade ao ar livre, como aproveitar um dia de sol na praia. Também curto sair e me divertir com os amigos. Ah, e adoro viajar, quando eu consigo, é uma ótima forma de recarregar as baterias. Gosto de tudo. Vai muito do momento.

Por falar nisso, você é figurinha frequente pelas praias de Noronha… O que te encanta por lá? Eu gosto muito de praia, e Noronha é deslumbrante. É cada paisagem, que lugar incrível! É muito bom colocar o pé na areia, sentir o sol bater no rosto, fazer mergulho, estar em contato com toda aquela natureza e aquela paz. Noronha inteira me encanta. Minha praia preferida é a Leão.

É muito vaidosa? Do que não abre mão e qual seu limite? Eu gosto de me cuidar e invisto nisso, sempre de olho na minha saúde. Não sou de fazer loucuras. Minha medida é eu estar me sentindo bem. Não abro mão do protetor solar, de beber bastante água e da minha drenagem (risos).

No início do ano, você encerrou um relacionamento de 2 anos. O que é mais difícil de manter em um relacionamento e quais as ciladas das quais temos que escapar? Relacionamento envolve duas pessoas diferentes que têm que aprender a ceder. Porque é isso, cada um cede um pouco para a coisa andar (risos). Acho que o que não pode fazer é você viver a vida de outra pessoa ou o outro só viver a sua. Porque mesmo que você esteja em um relacionamento, cada um tem sua individualidade. E é bom ter espaço para isso.

Sabemos que cada pessoa é um jeito e cada relacionamento é um. Mas para você como seria o formato ideal? Confiança é algo importante para mim.

Que qualidades suas quer deixar marcante para seu parceiro e o que tenta domar para não atrapalhar? Acho que cada um tem que ceder, mas não podemos mudar quem somos para agradar a outra pessoa.

Onde homens e mulheres devem aprender mais uns com os outros? Acho que sempre temos algo a aprender com o outro, seja numa relação romântica ou de amizade. Todo mundo que cruza o nosso caminho nos transforma, assim como transformamos também quem cruza o nosso. Eu acredito muito nisso.

Entrega pra gente… Para conquistar Giovanna basta… Ah, não posso entregar assim (risos). Tem que ter um mistério, né?! Posso dizer que o bom humor ajuda muito. Se me fizer rir, ganha pontos.