Foi meio que sem querer que Jeniffer Dias, essa bela negra de 27 anos e muito samba no pé, chegou na TV. À convite da atriz e apresentadora Regina Casé, Jeniffer foi parar no “Esquenta” e de lá não parou mais. Se descobriu como atriz, deixando o curso de Engenharia ambiental para mergulhar de cabeça na carreira de atriz. E tem dado muito certo, depois de sua estreia como atriz na novela “Novo Mundo”, Jeniffer agora está dando o que falar com uma personagem cheia de personalidade em “Malhação” como a Dandara. O resultado disso? Nos encantamos por ela e a convidamos para ser nossa primeira capa de 2019 e nossa musa de verão. Nada melhor do que começar o ano com sangue novo e garra para fazer e acontecer. Taí Jeniffer para atestar tudo isso!

Jeniffer é verdade que você nunca pensou em ser atriz mas acabou abandonando o curso de Engenharia Ambiental para seguir a carreira artística? Como foi isto? Eu não pensava em ser atriz porque achava uma realidade muito distante da minha. Não via ninguém parecido comigo na TV e não conhecia o teatro. Fui assistir uma peça no teatro acho que com uns 17 anos já.

A partir da sua primeira experiência na TV no “Esquenta”, você foi fazer teatro e cursos, então descobriu que era isto que você queria de fato? Eu me formei em Gestão Ambiental e depois comecei a Engenharia Ambiental, mas no meio do curso, em uma roda de samba que eu frequentava, fui convidada pela Regina Casé (que também estava nesse samba) para fazer um teste para o “Esquenta”. Depois que entrei no programa me apaixonei, entendi que também podia fazer parte do mundo da teledramaturgia.

Como você define a sensação de largar engenharia pelo palco? Fiz 3 anos de escola Wolf Maya, que é uma escola de teatro, TV e cinema, e me encontrei. Entendi que fazia Engenharia muito por uma questão de sobrevivência, porque minha família é humilde, então precisava pagar as contas de casa. Mas depois que me encontrei na arte, me apaixonei e vi que dinheiro nenhum paga nossa felicidade. E que quando a gente ama o que faz as coisas simplesmente acontecerem, apesar de todos os pesares. Óbvio que na época que tomei essa decisão me deparei com várias questões, ainda me deparo. Porque não é fácil viver de arte no Brasil, ainda mais sendo mulher, preta e periférica.

Sua primeira novela foi “Novo Mundo” na TV Globo, como foi a composição da Luana? Foi tudo muito rápido porque a princípio era só uma participação de 5 capítulos. Na época eu estava lendo o livro “Um defeito de cor” da Ana Maria Gonçalves, e muito do universo da Luana eu conhecia graças ao que tinha lido no livro (que inclusive foi o que me fez conhecer mais profundamente minha ancestralidade e a história do meu povo). Mas acabou que fiquei até o final da novela, a Luana chegou a casar, vestida de oxum, e foi muito emocionante. Entendi que estava no lugar certo, no caminho certo. Foi muito gratificante tanto pra minha trajetória como atriz, quanto pro meu encontro com minha ancestralidade.

Você está no ar em “Malhação” vivendo a Dandara uma menina empoderada, como está sendo a receptividade do público? Recebo muitas mensagens carinhosas de meninas que tem a origem parecida com a minha e que se sentem representadas. É a primeira vez que se fala tão abertamente sobre racismo, machismo, igualdade de gêneros, e sinto que o público está bem feliz. O meu termômetro é minha irmã de 12 anos. Ela sempre me passa o feedback dos amigos da escola, (risos). E fala que se espelha na Dandara para questionar os professores. Acho lindo! Na idade dela eu não sabia nada sobre racismo, e muito menos sabia falar sobre o assunto.

Soubemos que você idealizou o “Projeto 111”, do que se trata? É um projeto de resistência cultural, onde a arte é respeitada e valorizada. O 111 começa de uma vontade de movimentar os circuitos artísticos com pluralidade de culturas e experiências de troca. Se consolida no encontro de artistas com diferentes formações e lugares de fala-escuta. Entendemos a arte como agente transformador, sendo indispensável numa construção social que pretende ser inclusiva. Completamos 1 ano em novembro passado.

Além da TV o que você gosta de fazer na vida, quais são seus hobbies? Eu adoro estar com meus amigos, me reunir e fazer um som. Fazer trilhas, ir à cachoeira, praia, cinema. E também amo estar com a minha família, que é super animada… Fazer churrasco no fundo do quintal e tocar samba.

No amor vale tudo? O que é preciso fazer pra te conquistar? Vale. Sou muito intensa! (risos) Mas é preciso ser muito leal, parceiro e amoroso, que são coisas que não me faltam.

Qual seu sonho de consumo? Pode parecer utopia, mas eu sonho grande! Sonho que nosso país seja mais justo e igualitário.

Pra manter a boa forma, o que você faz? Eu fui atleta de ginástica rítmica por 7 anos da minha vida. Hoje não pratico mais. Mas muita gente pergunta sobre minha definição corporal e tenho certeza que vem daí! (risos) Confesso que não me exercito diariamente, mas sempre que posso faço uma trilha, jogo uma altinha na praia, e passo pra dar um olá na academia. (risos).

Quais são seus planos pra este ano? Quero continuar trabalhando muito. Tanto com dramaturgia quanto com o “Projeto 111”. Axé!

Deixe uma mensagem para os leitores da MENSCH. Beijo grande pra todos os leitores! Que esse novo ano seja especial pra todos nós. Mais justo e de igualdade. Que não nos falte energia pra seguir nosso caminho, e amor! Porque essa é a única coisa que levamos dessa vida.

Fotos Nilo Lima

Tratamento de imagens Hércules Versiani

Direção criativa e stylist Márcia Dornelles

Cabelo Jucilene Souza

Make Camila Carneiro

Agradecimentos Hotel Best West Premiew Barra 

Jeniffer veste: Look 1: biquíni Niord, saída de praia Verde Limão; Look 2: maiô La Bamba, brincos Santa Feminice, sandálias Via Curtume; Look 3: Conjunto B Soul, anéis Silvia Dorinha, sandálias EVA; Look 4: vestido Nina Delic, brincos Magma, anéis VF