Filha de pais atores e com talento natural para interpretar os mais diversos personagens com uma verdade no olhar que impressiona, Lara Tremouroux nunca teve dúvidas de que ser atriz era seu caminho. Aos 21 anos e em seu segundo papel na TV, a atriz encara uma personagem com grande carga dramática na série “Onde Nascem os Fortes”, onde interpreta Aurora. Antes disso, ela trouxe leveza e humor na série “Filhos da Pátria”, também da Globo. Apesar de ter começado com o pé direito, Lara não se deixa deslumbrar por suas conquistas. “Tô sempre atenta porque ainda tenho muito que compreender e descobrir”, afirma. A história da jovem atriz apenas começou e promete ser marcada por muito talento e carisma.

Pelo seu currículo e estudos parece que você nunca teve dúvida de que queria ser atriz. É isso mesmo? Quando percebeu isso? Isso mesmo! Meus pais também são atores. Desde pequena, eu ficava assistindo às peças deles na coxia, gostava de chegar junto no teatro e ficar esperando no camarim. Foi um processo bem fácil perceber que era o que eu queria fazer da vida! (risos) Sempre fui e sigo completamente apaixonada pela minha profissão.

Muito jovem mas com dois importantes papéis na TV (as séries “Filhos da Pátria” e “Onde Nascem os Fortes”). Como foi essa estreia na TV? Eu estreei fazendo uma novela (“Babilônia”) que, apesar da pequena participação, foi super importante pra eu ir entendendo mais esse veículo que é a televisão. Como sempre estudei teatro, pra mim, estar trabalhando com a teledramaturgia é um aprendizado diário. Tô sempre atenta porque ainda tenho muito que compreender e descobrir.

Falando em “Onde Nascem os Fortes” sua personagem Aurora tem lúpus e traz uma carga dramática grande. Como tem sido fazer esse trabalho? Eu amo a série! Queria trabalhar com o Zé e toda a equipe incrível dele há bastante tempo. Realmente não tem nada que me faria mais feliz agora do que fazer parte de “Onde nascem os fortes”! E a possibilidade de dar vida a qualquer personagem, desde que ela me interesse, é sempre linda. Tem toda uma descoberta. É muito gostoso fazer a Aurora. Acho linda a sensibilidade dela.

Sente que com Aurora é uma forma de trazer o debate sobre uma doença pouco conhecida? Acredita que esse também é o papel do ator? Sim, completamente. Ainda mais se considerarmos que o lúpus é uma doença que ainda há muita desinformação à respeito. Percebo a importância e a responsabilidade de tratar desse assunto e fico muito feliz de poder ajudar a ampliar o diálogo em relação à doença. Quem sabe, dessa maneira, não conseguimos ir diminuindo o preconceito que ainda existe em torno dela? Esse é o objetivo.

Você estuda artes cênicas e já passou pelo teatro. Ir para a TV é um outro universo dentro das artes cênicas ou não sente essa diferença? Sim, de fato é outro universo e eu estou em constante adaptação em relação à vários aspectos em cena. Mas a essência ainda é a mesma e o prazer de fazer só cresce!

As séries de TV estão ficando cada vez mais refinadas, do texto à fotografia e edição. Virou um produto mais refinado dentro do universo da TV aberta. Como você percebe isso? Me acho bem sortuda de poder estar participando desse universo das séries que me interessa tanto como espectadora quanto como atriz. Independente disso, tudo é relativo também. Dependendo do trabalho e da equipe que está presente, tanto uma novela quanto uma série podem ser incríveis!

O que te agrada e o que você procura na hora de escolher algo para ver na TV, cinema e teatro? Pergunta difícil porque sou bem eclética! (risos). Artisticamente me interessam muito os rasgos, as quebras, as interrupções, as sujeiras, as brechas. Assisti recentemente “Cérebro Coração”, monólogo da Mariana Lima dirigido por Enrique Diaz e Renato Linhares (de quinta a domingo, às 20h, no Oi Futuro Flamengo). É um espetáculo que demonstra bem o que eu gosto de assistir, ou seja, uma peça incrível, com texto incrível, direção incrível e uma atriz incrível, dessas que dá vontade de estar em cena e de ver mais trabalhos como esse sendo feitos. Na televisão, uma série que vi recentemente e amei foi “Big Little Lies” com uma trilha sonora linda, fotografia sensacional, elenco e direção ótimos e que aborda sororidade e empoderamento feminino. E no cinema tenho também referências bem diversas como “Pulp Fiction”, “Paris, Texas”, “A viagem de Chiriro” e outros nacionais, como “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, “Amarelo Manga”, “A falta que nos move”, entre outros.

Em “Filhos da Pátria” sua personagem tinha um tom cômico bem diferente dos dramas de Aurora. Onde você se sente mais confortável? Eu amo fazer de tudo. Seja comédia, drama e todas as possibilidades e caminhos que existem no meio disso. Como falei mais cedo, desde que a personagem me interesse, mergulho inteiramente nela – o que não significa estar sempre confortável, mas isso já faz parte do processo. (risos)

Uma pergunta básica para o elenco de e “Onde Nascem os Fortes”… como foi filmar no sertão? Qual o ônus e o bônus? Foi uma das experiências mais incríveis e transformadoras da minha vida! Muito bonito sentir a potência do sertão, a simplicidade das pessoas de lá, a pedra, a poeira, o chão, o céu e assim estar mais próxima do lugar e das personagens dessa história que estamos contando. Pra mim, foi tudo lindo, engrandecedor, fundamental… Eu morro de saudade todos os dias.

Depois de um período isolada no sertão com certas limitações, o que mais queria na volta pra casa no Rio de Janeiro? O que mais fez falta? O que mais fazia falta foram as companhias do Rio mesmo, os amigos…  Mas, na verdade, eu pude ir e voltar bastante. Não cheguei a ficar tanto tempo seguido por lá e, por isso, foi bem tranquilo pra mim. Só guardo lembranças maravilhosas!

Já sofreu algum tipo de preconceito por conta da sua orientação sexual? Por que isso ainda acontece hoje em dia? Já sofri, sim. Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade bastante preconceituosa. O Brasil, em especial, é o país que mais mata LGBTs no mundo e que vive atualmente uma onda de conservadorismo crescente. Sinto que falta empatia, falta afeto, falta diálogo… Mas acredito também que isso esteja mudando e gosto de pensar que a próxima geração já será muito mais bem resolvida em relação à essas questões do que é a minha.

Como se combate qualquer tipo de preconceito? Tem algo que as pessoas precisam fazer para refletirem mais sobre o tema? Eu acredito muito que a melhor e mais efetiva maneira de transformar essas ideias que já estão tão enraizadas é começando pelo nosso universo, fazendo uma política de base. Dialogar com as pessoas que são próximas de nós, se perguntar sobre seus próprios preconceitos e reconhecer privilégios é um trabalho diário, permanente de desconstrução. Acredito que é o melhor caminho. A luta é todo dia!

O que te faz muito feliz? Ouvir música, dançar, rir até doer a barriga com meus amigos, estar em cena, assistir filmes com minha namorada num domingo chuvoso, comer chocolate, estar na natureza…! Amo viver!!!

Para onde você ainda não foi que seria uma realização de um sonho (como atriz)? Nunca fiz cinema e tenho muita vontade, mas sinto que esse momento tá chegando!

Para te conquistar basta… Bom-humor, rir por qualquer besteira que nem eu (risos), compreensão, empatia… E pronto!