Uma verdadeira “peixinha” aos 3 anos de idade nas piscinas durante sua infância. A atleta Joanna Maranhão cresceu, participou de vários campeonatos e se tornou uma verdadeira sereia quando o assunto é nadar. Ao longo de sua trajetória Joanna foi se descobrindo uma vencedora, seja no lado pessoal quando teve coragem de denunciar o abuso sexual que sofreu na infância pelo próprio treinador, seja pelas competições internacionais que enfrentou na raça para representar seu país e mostrar o que de melhor sabia fazer. Lutadora e campeã, Joanna Maranhão virou nome de Lei e Campeonato. Por onde ela passa ela faz a diferença. E tudo isso sem perder o sorrisão e atraindo todos os olhares. Falando nisso duvido que você já não tenha visto o ensaio que ela fez pra MENSCH antes de ler essa entrevista.

Quando foi seu primeiro contato com a natação? Há quantos anos você pratica o esporte? Comecei a nadar aos 3 anos de idade no Clube Português em Recife por questões de segurança, pois minha mãe tinha medo que os filhos não soubessem nadar em locais de lazer que tivessem piscina e praia.

Você começou a se destacar muito nova nos campeonatos e a ter um resultado expressivo. Como era lidar com a pressão de ser estudante e atleta ao mesmo tempo? Sempre fui uma estudante na média e por já ter uma consciência de ser uma atleta desde muito cedo, a minha vida não era igual a das outras meninas. Nada disso me incomodava, pelo contrário, me sentia um pouco mais responsável, mais cobrada, mas, era uma cobrança boa.

Você participou de campeonatos pan-americanos e mundiais desde muito jovem. Como era competir fora do país e, também, disputar com atletas de outras categorias? A primeira vez que fui para um campeonato internacional foi em 2002, no Pan Pacifico, Japão com 14 anos. Assim que entrei em uma Arena com piscina coberta, com vários atletas renomados, questionei meu treinador sobre o que eu estava fazendo ali? Ele respondeu dizendo que eu estava ali pra fazer o meu melhor e que poderia até chegar em uma colocação qualquer, mas, que pra chegar onde eu tinha que chegar, precisava passar por aquele enfrentamento de estar em um ambiente competitivo muito forte e desde muito cedo. O atleta de natação tem essa capacidade de se adaptar ao meio com uma facilidade muito grande e isso foi bastante facilitador.

Qual foi a edição dos Jogos Olímpicos que mais marcou sua carreira? E por quê? Acho impossível escolher uma única edição de Jogos Olímpicos pois se a gente dorme em um dia e acorda de outro jeito no dia seguinte com experiências diferentes, imagina de 4 em 4 anos? Acredito que o público se identifique mais com a minha primeira Olimpíada de 2004, quando fui finalista aos 17 anos mas, todas as 4 foram igualmente muito expressivas, cada uma foi determinante para meu amadurecimento e com experiências incríveis para a história minha vida. Tenho um carinho especial a de 2008 que, mesmo obtendo minha pior colocação, foi quando voltei a gostar de nadar. Bater recordes sul americanos, trouxe minha história à público, foi a seletiva mais difícil para se classificar, mesmo sabendo que eu não estava na minha melhor forma física.

A natação te ensinou alguma lição que você leva para a vida? Infinitas e constantes lições, impossíveis até de listar mas, amadureci cedo, me tornei uma pessoa pública muito cedo. Aprendi a lidar com vitórias e derrotas, aprendi a me apegar aquilo no que eu tenho controle e desapegar o que me foge ao controle. Aprendi que apesar de ser atleta de um esporte individual, sozinha você não chega a lugar nenhum, é importante lutar dentro da piscina pra melhorar o tempo mas fora dela pelas questões de justiça e de um esporte mais limpo.

Ainda muito jovem você passou pelo traumático caso de abuso sexual, sabemos que é um assunto delicado, mas acreditamos que reflete em quem você é hoje. Brevemente, como foi lutar contra isso por tantos anos? São muitas fases que uma pessoa que passou por um abuso sexual e se calou por muitos anos passa. Passei por todas as fases como, achar que não iria me afetar e depois da maturidade, compreender a gravidade, enfrentamentos, turbilhão de emoções, depressão, tentativa de suicídio… Mas, o mais importante foi compreender primeiro que eu sou vítima, não tenho culpa de nada, nunca vou superar porque é IMPOSSÍVEL de fato ESQUECER. Mas, é possível a busca pelo próprio equilíbrio e, ela se dá com a aceitação, é possível através desse episódio do qual eu não tive controle e através da minha imagem (pública) ajudar outras pessoas a não passarem por isso.

Quem foi seu maior apoio durante os momentos mais difíceis da sua vida? Sempre tive pessoas fortes e importantes na minha vida, mas, destaco sempre minha mãe que foi sempre meu esteio. É absolutamente tudo pra mim, meu berço, meu futuro, sempre esteve comigo e é uma mulher muito forte que eu idolatrava quando criança e achava que era perfeita. E quando ficamos adultos, percebemos que ama ainda mais quando vê que ela não é perfeita pois também tem suas limitações e suas dificuldades como qualquer ser humano e se torna muito mais linda. A minha relação com minha mãe foi se aprofundando muito dentro desse processo de humanização.

Você acha que terapia deveria ser o direito de todo atleta? Terapia não deveria apenas ser um direito e sim uma necessidade que o Estado deveria ofertar para todo ser humano.

Apesar de tudo o que passou, você criou a ONG Infância Livre. Quais trabalhos são realizados? O projeto Infância Livre foi criado pela minha própria vontade e outras pessoas para combater a pedofilia de uma forma não-violenta e, trazer sentido para minha própria história através das minhas palestras. Tenho as minhas redes sociais abertas para receber mensagens e ajudar quem precisar de um acalento.

A Lei Joanna Maranhão com certeza auxilia muitas meninas que precisam de amparo após passar por situações de abuso. Qual a importância dessa lei? A Lei Joanna Maranhão foi sancionada em 2013 e, todos os crimes de pedofilia que aconteceram de 2013 pra frente, o tempo de prescrição passa a dobrar. Assim, a vítima tem o dobro de tempo de prescrição para denunciar, tem todo o tempo dela para reconhecer sua própria história, digerir e denunciar se assim ela desejar.  O mais importante é que a denúncia seja feita se a vítima quiser e, esse direito precisa que seja respeitado.

Como foi participar do “Dancing Brasil”? O que você levou de aprendizado? Minha participação no “Dancing Brasil” foi bastante transformadora uma vez que eu nunca tive vivência com arte, interpretação, dança ou canto pois meu foco sempre foi a natação. A dança entrou na minha vida no momento certo, mesmo com um pouco de medo do desconhecido foi uma experiência encantadora. E, a partir de agora fará parte da minha preparação como atleta, bem como nos meus projetos sociais.

Joanna, neste mês de julho você lança a primeira edição do “Campeonato Joanna Maranhão” – evento que leva o seu nome e tem fundo beneficente, qual seu envolvimento no projeto? Como surgiu a ideia? O evento acontece dia 28 de Julho em Belo Horizonte, cidade onde moro com o meu marido Luciano Correa. Eu viajo o Brasil inteiro para ministrar palestras sobre a pedofilia e conversar com jovens e crianças sobre a importância de discutir a educação sexual em casa e nas escolas para que cada um tenha a consciência do quão importante é o corpo e mente são para vivermos em equilíbrio. Então tivemos a ideia de criar o “Campeonato Joanna Maranhão” – onde a verba será revertida para os projetos Infância Livre e Emancipa Esporte. No Campeonato teremos apresentações de dança com os bailarinos do “Dancing Brasil” da Xuxa – Bruno Coman (que dancei na última edição) e sua esposa Sarah Lage, além do judô e por fim as crianças competirão na piscina mas todas irão ganhar medalhas de participação mesmo que não peguem podium.

Em relação ao futuro, quais são seus planos? Meus planos pro futuro, a curto prazo, são continuar com a minha carreira de atleta até 2020, e, nos projetos sociais Infância Livre e Emancipa Esporte nosso sonho é conseguir profissionalizar o projeto para poder atender mais crianças ofertando minhas palestras, aulas de natação, judô e dança.

Fotos Mari Brochado

Produção de moda Márcia Dornelles

Beleza Tissi Balboa

Locação Blue Tree Design Hotel

Joanna veste: Biquini branco R de Sol, biquíni azul estampado Verde Limão, body e saia p&b de praia Verde Limão, saída de praia estampada Chilout Biquinis, biquíni azul claro Chill Out Bikinis (@chilloutbikinis), biquíni verde estampado Verde Limão (@verdelimaomodapraia)