Moldar o alimento é semelhante ao ofício dos oleiros: eles moldam o barro em estado bruto para, então, torná-lo arte. No Oleiro Cozinha Artesanal, dos sócios Claudemir Barros, Manoelzinho Fernandes e Thiago Vita, é assim. Ingredientes em estado puro trabalhadossão elevados ao patamar de obra de arte, após a intervenção criativa de Claudemir, que está à frente da cozinha.

Absolutamente afinado com a linguagem gastronômica atual, o menu do Oleiro pretende mostrar a força que os ingredientes brasileiros têm. O embasamento para o cardápio de estreia vem também com as pesquisas de ingredientes e técnicas do cozinheiro executivo do restaurante – por anos visitando municípios do interior de Pernambuco. Sob técnica afiada, insumos como fruta pão, castanha-de-caju, mel de engenho, queijo de coalho, tapioca, maxixe e chuchu foram transformados em pratos criativos de cores vívidas, marcados ainda pelo contraste de texturas. Tudo servido em pratos e cumbucas de barro preto produzidos em Caruaru, no Agreste de Pernambuco.


O tartar de atum de sol é uma das propostas de entrada de Claudemir e equipe. Chega à mesa com aspecto vermelho brilhante, acompanhado por um rendado de beijus de tapioca e purê de macaxeira denso. Não passam despercebidas também as boas-vindas com o prato de polvo, vinagrete de caju, maxixe e chuchu, mais chips de batata-doce. E o que dizer do carpaccio brûlée de coalho defumado? A viagem do Oleiro segue com os “principais”, categoria em que proteínas robustas, cheias de personalidade, mostram a potência da gastronomia de Claudemir. A costela de porco sobre musseline de castanha brejeira (vinda do Interior e assada de forma semelhante como lá se faz), jerimum assado e roti de mel de engenho é exemplo. O ossobuco cozido lentamente no próprio molho, enriquecido com lardo (gordura que fica sob a pele do porco) e guarnecido com purê de fruta pão aromatizado com chá verde é outra das criações mais encorpadas da casa. O passeio continua com criações com tucupi, manteiga de garrafa, caramelo de umbu, vatapá de jerimum e farofa de amendoim.

SOBREMESAS: CAPÍTULO À PARTE 

O trio de sócios deixou a cargo da chef Sofia Mota a criação da confeitaria da casa. Conhecida pelas finalizações estéticas indiscutíveis (atributo essencial na montagem de sobremesas elegantes), Sofia se alinhou à proposta de valorização da cozinha brasileira. Em “Cacau Café Cupuaçu”, reúne o melhor do Norte e do Nordeste em uma só cumbuca: creme de cupuaçu, paletas de suspiro de chocolate, mousse de chocolate com café pernambucano, castanha-do-pará e crocante de café torrado. Reverencia também uma das mais brasileiras das frutas em o brùlée de caju. Mas também não esquece o clássico “Romeu e Julieta”, que, sob a visão de Sofia, não tem nada de banal. Leva requeijão de corte feito em Pernambuco, mais sorvete de queijo, raspa de queijo e compota quente de goiabada cascão caseira e derramada na hora, na frente do cliente.


O SERVIÇO

No comando do salão e da carta de vinhos está um gigante do setor da restauração. O maître paraibano Otoniel Abílio voltou ao Recife com exclusividade para o Oleiro. Com mais de 30 anos de experiência em casas de quilate em todo o País, Otoniel foi braço direito do chef francês Laurent Suaudeau por boa parte a sua carreira.

Como o nome da casa sugere, o trabalho dos artesãos do barro de Pernambuco, os oleiros, o material rústico é destaque no restaurante. Toda a decoração é composta por peças de artistas locais, assim como todo o enxoval em tradicional barro preto, produzido pela Olaria Gonzaga, no Alto do Moura.

OS SÓCIOS

Claudemir Barros (chef de cozinha e sócio) – Formado pelo Curso de Cozinheiro Internacional do Senac Pernambuco, Claudemir tem se dedicado às pesquisas dos ingredientes brasileiros, sobretudo os da região Nordeste.
Claudemir tem no DNA o ofício de cozinheiro. Sua mãe, dona Anita, foi cozinheira líder por 17 anos do tradicional restaurante Leite, considerado o mais antigo em funcionamento do País. Na bagagem profissional, Barros acumula 14 anos à frente do recifense Wiella Bistrô, levou o título “Chef do Ano” pelo prêmio “Melhores do Ano de Pernambuco”, da revista Prazeres da Mesa, em 2012, e, recentemente, o lançamento do seu primeiro livro: o “Sonhos e Sabores”, com apoio do Funcultura, no qual traz um recorte de suas descobertas no Interior do Estado, desvelando ingredientes desprestigiados e elevando a importância gastronômica de insumos corriqueiros da cultura local. Da sua trajetória ainda constam estágios no Emiliano, junto ao chef Russo, braço direito do francês Laurent Suaudeau; no D.O.M de Alex Atala, ambos em São Paulo, e na Casa Marcelo, uma estrela Michelin, localizado em Santiago de Compostela, na Espanha. É idealizador do projeto “Plantar Ação”, que busca valorizar o trabalho dos pequenos produtores pernambucanos, e que serviu de ponto de partida para o seu livro.

SERVIÇO
Oleiro Cozinha Artesanal

Endereço: rua Albino Meira, 58, Parnamirim
Informações: 3128.1708
Instagram: @oleirocozinha