Por Madson Ferreira / Fotos Divulgação / Madson Ferreira

Para se chegar à terra Down Under, como é conhecida a Austrália, é necessário um pouco  mais do que os e-tickets emitidos pela companhia aérea. A grande distância da terra tupiniquim torna a viagem uma tarefa conjunta de paciência, conexões aéreas e longas horas de vôos. Um “atalho”, para evitar as escalas na África do Sul e Dubai, é atravessar o Pacífico, indo de Santiago a Sydney, com escala na Nova Zelândia, trajeto que pode durar 16 horas.

Mas um país tão distante deve ter algo de recompensador, não é verdade? Sim. Só na terra dos cangurus pode-se experimentar um amálgama de vários países num só. Explico. A Austrália foi colonizada pela Inglaterra em 1770, herdando princípios, leis e a monarquia constitucional parlamentarista britânica, tendo até hoje a rainha Elizabeth II também como sua majestade. No entanto, essa tradição também vem sofrendo, nos últimos 50 anos, muita influência americana na tecnologia, comida e estilo de vida moderno. Isso faz com que o maior país continental da Oceania condense um sabor misto de duas das maiores nações do mundo.

 

Humor, polidez, sotaque e constituição genuinamente britânicos, habitando a mesma excelência dos transportes públicos, ciência e, por que não, fast-food dos americanos. A McDonalds, KFC, Starbucks, Hungry Jack (versão aussie da Burger King), bem como as principais cadeias de restaurantes americanos, a preços super acessíveis, tornam a gula o maior pecado capital australiano.
Aliado a isso é possível perceber nas principais cidades australianas uma proliferação de restaurantes asiáticos e indianos advindos de um grande processo de imigração. Todos os anos, centenas de chineses, japoneses, coreanos, indianos e tantos outros migram para a Austrália em busca de seus modelos invejáveis de saúde, qualidade de vida, desenvolvimento humano, educação pública, liberdade econômica, bem como a proteção de liberdades civis e direitos políticos.
 

Melbourne é a segunda cidade mais populosa da Austrália é também a mais interessante do ponto de vista antropológico. “Multiculturalidade” é a palavra que melhor define Melbourne, onde pode-se encontrar um indiano de mãos dadas com uma japonesa ou presenciar um distinto grupo de paquistanesas de véu comendo na McDonalds, fazendo perceber que é muito tênue a linha que divide as nações e que a globalização abocanha até o intocável e tradicional mundo do Oriente Médio. E, assim, num misto de jogo e sedução, chineses, iraquianos, vietnamitas e muitos outros vêm até Melbourne viver essa experiência.

A Federation Square é o coração pulsante da cidade. Durante todo o dia, centenas de turistas e jovens em geral se reúnem nesta praça de design futurista e moderno. Também rolam shows e apresentações nos fins de tarde lá. A dica é tomar um cappuccino com brownie em algum de seus Cafés e desfrutar a bela visão ao redor, a pulsação turística e até mesmo o free wi-fi da praça.

Para compras o Victoria Market é o local mais barato. Um mercadão onde encontra-se de roupas e artigos tecnológicos, até os super procurados cangurus, coalas e pinguins de pelúcia, com opções de 8 por $ 10. A dica é andar por todas as lojas para tentar encontrar os souvenirs mais baratos. Pechinchar está fora de questão.

 

Para quem gosta de artes em geral, as melhores opções são o Museu da Imigração, na Flinders Street e o Museu Victoria, na Swanston Street. O primeiro, a $10, com o acervo do processo de imigração e refugiamento de centenas de estrangeiros na Austrália depois das duas guerras mundiais. E o último, de graça, com uma linda coleção budista, além de quadros, esculturas e peças de artistas australianos e asiáticos. A noite de Melbourne atende por nome de St. Kilda Beach, bairro no litoral com dezenas de restaurantes vietnamitas e chineses, boates e pessoas nas ruas. Procurar o centro da cidade e o bairro de Richmond, não muito longe da praia, também é uma boa pedida.

Um super dica em Melbourne é pegar o tram (bonde elétrico) com o nome City Circle e um ônibus vermelho chamado Free Shuttle, que sai a cada 30 minutos da Federation Square. Ambos são gratuitos e percorrem os principais pontos turísticos da cidade. Durante o dia você pode pegá-los várias vezes e ir aos melhores locais.

 

Sidney é a maior e mais badalada cidade da Austrália é um destino sine-qua-non para quem visita o país. Todos correm sedentos para a foto mais concorrida da Oceania, que é aquela na frente do Opera House. Uma excursão por dentro desse sumptuoso desafio arquitetônico custa $35. Ao redor também tem vários restaurantes e bares que movimentam o porto. A dica para quem tem pouca grana é pegar seu fast-food e fazer um pique-nique no Royal Botanic Gardens, um parque gigantesco e belíssimo ao lado do Opera House. Sydney também oferece um Free Shuttle (verde) que percorre o centro todo com paradas nos points de graça. E o nível de civilidade é tão grande que os que moradores da cidade raramente o pegam, deixando esse privilégio para quem ele realmente foi feito: os turistas.Outro ponto efervescente e muito bonito é o Darling Harbour, outro porto em Sydney, com grande movimentação turística na cidade. Lá foram realizadas várias apresentações nas Olimpíadas de 2000. Andar pelo Habour é um prazer incomparável. E longas distâncias são percorridas facilmente por causa do belo entorno e rush turístico.

 

 

A dica é comprar um combo por $50 para ir ao Sydney Wild Life, zoológico exclusivo de animais da fauna australiana, o Sydney Tower, edifício com vista panorâmica da cidade, e de quebra um ótimo cruzeiro que dá a volta na baía de Sydney. A noite da cidade é agitada por todo lado. A dica para os mochileiros é ficar ligado nos albergues. A cada dia da semana rolam festinhas em vários deles. A entrada é sempre gratuita e muitos distribuem vouchers com free drinks. O Shark Hotel e o Maloney’s são bons exemplos de albergues com lounges que ficam lotados de gente bonita e azaração todos os dias a partir das 22h.Outro hot point é na Oxford Street, que divide os bairros de Darlinghurst e Surry Hill, o centro da cultura gay de Sydney desde a década de 1960. As bandeiras flamejantes do arco-íris GLBT não negam a efervescência do local. Aqui a palavra de ordem é liberdade. Não importa sua sexualidade. Abra a mente para ótimos shows Drags em bares e boates com entradas gratuitas, torando o bairro a meca GLS da cidade, contando com hotéis concorridos durante o ano inteiro.

Compras é no Paddy’s Market, onde os souvenirs, roupas e vários artigos são bem baratos. Também vale a pena, depois de um dia andarilho por Sydney, que pode ser facilmente percorrida a pé, descansar no maravilhoso Hyde Park, o maior e mais bonito do centro, inspirado em seu homônimo britânico localizado em Londres, mas sem perder em nada a majestade.

“Veja a si mesmo na capital da Nação” é o lema da convidativa capital federal da Austrália. Camberra é o berço de toda a história do país. Embora as atrações sejam a uma distância razoável uma das outras, vale a pena pegar os organizados ônibus e percorrê-las, pois é tudo com entrada gratuita, graças ao nobre entendimento australiano de que todos devem ter acesso à história do país.

 

 

Destaque para o Australian War Memorial e a Biblioteca Nacional. Fonte de cultura e conhecimento, a capital australiana fica um pouco fora do roteiro de agitação das demais cidades. Camberra combina com caminhadas pelo centro e momentos de contemplação. A vida noturna pode ser sim, uma opção, mas nada comparada às demais metrópoles. Uma dica é aproveitar os bons e diversos restaurantes no centro da capital para experimentar diferentes gastronomias, dentre elas indiana, chinesa, italiana e grega.Não importa aonde quer que você vá: o fato é que com cidades tão belas e roteiros fascinantes, deixar a Austrália será um processo difícil. De sorrisos fáceis, educados e uma qualidade de vida invejável, os australianos bem como suas atrações turísticas marcam saudades no peito de todos aqueles que desafiam as leis da distância e do fuso horário e se arriscam a viver um pouco, mesmo que só de passagem, nesse reino tão, tão distante.

 

Siga a MENSCH no
Twitter: @RevMensch, curta nossa página no Face:
Revista Mensch e baixe no iPad, é grátis:
http://goo.gl/Ta1Qb