Apaixonado pela família, pelo trabalho e por futebol, Iuri Maia Leite resolve revelar os segredos de uma carreira brilhante, em uma das maiores emissoras do mundo, à MENSCH. Ele aponta que o segredo não é tão impressionante assim, é só focar nos resultados, se relacionar bem com as pessoas e se manter uma pessoa humilde, pois ninguém cresce sozinho. Com Carteira de Trabalho Assinada aos 16 anos, Iuri é daquelas pessoas inquietas que não esperam as coisas caírem do céu. Afirma que já nasceu negociador e não está no Grupo Globo durante 27 anos à toa. “Meu nome ia ser Yuri Gagarin inspirado no primeiro cosmonauta que foi ao espaço e disse que a Terra era azul. Durante meu batismo o Padre não deixou, por isso digo que já nasci negociando. Meu avô entrou na discussão, – meu pai já irritado com o padre, concordaram em tirar o Gagarin e o Y, e então, ficou tudo certo”.

A segunda negociação de sua vida, aconteceu ainda na adolescência, quando o proprietário de uma empresa que estampava camisas, convidou o rapaz para fazer parte do seu quadro de colaboradores. “Naquela ansiedade jovem, querendo marcar presença no mercado de trabalho e sair da dependência dos pais, eu ficava com meus amigos no centro da cidade (Recife), observando o movimento das lojas. Nisso, um empresário observou meu interesse e fez o convite. Aceitei na hora, nem avisei ao meu pai”, afirma. O então Encarregado de Vendas transformou o negócio no qual passou a se dedicar após as aulas. “A loja fechava muito cedo, 18h, só que ela ficava junto de uma livraria e um bar muito badalados pelos profissionais dos empresariais do entorno. Então, eu esticava o horário até 23h, às vezes. Vendia muito”.

Em uma dessas noitadas de trabalho acabou dando de cara com o pai, o então Jornalista Ronildo Maia Leite, que perambulava pelo Centro com um grupo de amigos de profissão. “Uma pessoa do grupo dele foi lá fazer uma camisa e eu resolvi presenteá-los. Foi neste momento que meu pai me viu. Foi emocionante”, conclui. Após 2 anos inovando no ramo de estamparia, surgiu uma grande oportunidade. “Com 18 anos, meu pai e Cleo Nicéas abriram as portas da Globo para mim”, lembra. Comecei ganhando metade do que recebia, mas tinha a visão de algo muito maior no futuro. As pessoas mais velhas tinham sempre muita resistência, mas mostrei que minha intenção era colaborar, pois acredito que só vencemos através de resultados. As coisas precisam acontecer naturalmente, eu nunca quis tomar a frente de ninguém, é preciso estar feliz naquilo em que se está trabalhando, lembro isso a todos. Se eu notar que essa felicidade não é a mesma, irei me reinventar”, completa.

Daí em diante, foi só crescer – foi chefe de controle de pedidos, assistente comercial, pré-contato, contato, gerente comercial e diretor comercial. No meio disso tudo, ainda criou o Projeto Uniglobo. “Eu notava que o conteúdo que era aplicado na universidade não era o mesmo do mercado, essa foi nossa contribuição para meio acadêmico, o dia a dia do publicitário podia ser vivido aqui”. Foi um momento de oxigenação na equipe com a presença da juventude. A Uniglobo era um laboratório onde os estudantes ficavam três meses e depois eram indicados para três agências. Esta foi a forma de Maia retribuir toda ajuda que teve em sua carreira, dando oportunidade também. “Depois de toda minha jornada, entendo que o que credencia o profissional não é o local onde ele trabalha, mas sim os resultados gerados. É o que você pode oferecer para o mercado. Tenho a sorte de estar numa empresa como a Globo, onde tive grandes gestores como Cleo Nicéas, Mario Pestana, Zé Luiz Franquina e Celso Coli me estimulando, isso lhe inspira. É preciso ter sua pegada, mas aprender com o que há de bom de cada profissional para criar a sua identidade, é fundamental”.

Hoje Iuri Maia Leite é Diretor Regional, como vimos, começou muito de baixo, e dá muita importância ao relacionamento com as pessoas. É possível observar nos corredores da Globo como conhece a maioria das pessoas pelo nome, e se orgulha por quebrar a barreira entre as pessoas, sendo o primeiro escritório aberto da emissora, visando facilitar o contato com os colaboradores. Acredita que escutar é uma grande forma de aprender, conhecer histórias faz crescer junto com elas.

Vivendo o presente e o futuro como se fosse hoje, Maia Leite defende que é preciso estar sempre à frente, inovando e trabalhando muito junto de toda a equipe. “Trabalhar com 400 pessoas é uma grande missão, cada profissional é importante.  Se a pessoa achar que vai fazer tudo sozinha, ela não vai conseguir. O líder tem que ter essa visão de poder agregar, é preciso analisar que se está trabalhando em um grupo heterogêneo, perceber os potenciais de cada um e tentar tirar o melhor, esse é o segredo da liderança”, explica.

Em relação ao momento delicado do mercado Iuri diz que o pior já passou, a turbulência do atual momento político acaba afetando um pouco os negócios, mas o momento é de crescimento. “O primeiro trimestre ainda não está como a gente queria mas, melhorou. O consumo de TV tem crescido, historicamente saímos de de 4h consumo diário para 6h nos últimos 10 anos. O produto televisão tem se reinventado, funciona hoje em várias telas e formatos, o mercado publicitário local também está com nível internacional, só dá para projetar coisa boa vindo por aí”, concluiu.

Nas horas vagas, praia e futebol são as pedidas para distrair, mas sempre com um pezinho no trabalho. “Às vezes estou na praia e o pessoal não me reconhece, faço muita amizade, me relaciono, tenho muito orgulho do projeto “Praia Limpa” que preserva o ambiente e ao mesmo tempo as pessoas que lá trabalham e tanto precisam desse ambiente. É importante estar no mercado, ter faro, quem lhe dá estabilidade não é a empresa, mas os resultados, repito muito isso”.

Iuri acredita que, essa relação que ele tem com o futebol, que o esporte, estreita amizades e outros vínculos. Ele lembra que Pernambucano já nasce escolhendo um time e o quanto isso é bom, e, independentemente do time que escolher, as torcidas acabam mexendo com a economia. Pernambuco é o único estado do Norte e Nordeste onde as torcidas são todas locais. É uma grande forma de estreitar a relação entre pais filhos. “Eu ia muito com meu pai para os estádios, paixão que ele desenvolveu ao ser ‘forçado’ a trabalhar no caderno de esportes, para evitar expor sua opinião em outros cadernos, já que tinha sofrido bastante com o regime militar, por acreditar na corrente comunista”. O coração tricolor de Ronildo passou para o filho e para os netos.

A torcida pelo Santa Cruz não foi a única coisa que passou por gerações na família.  Dos cinco filhos, quatro já estão atuando no mercado de trabalho e acabaram seguindo carreira na comunicação, e é com muito orgulho que Iuri salienta a independência deles neste sentido, todos estão muito bem colocados por suas próprias competências. “A função do pai é ajudar e orientar os filhos, ter um cargo de mais expressão, às vezes acaba atrapalhando. É preciso saber dosar, estimular o crescimento, monitorar os rumos e só ajudar na hora que for realmente preciso”. Em casa estou muito ligado a minha família, e aos meus filhos. Fiz muitos amigos no mercado também, esses elos são muito importantes na vida de um homem, concluiu.