PERFIL: Jenson Button, o piloto das corridas difícies

Campeão Mundial em 2009, Jenson Button se destaca pela sua forma diferenciada de guiar carros de Fórmula 1. Com um toque mais sutil, o britânico costuma levar vantagem quando o assunto é desgaste dos pneus, o que tem feito a diferença em algumas etapas da categoria. Neste ano, por exemplo, Button abriu e fechou a temporada com vitórias. Por sinal, os triunfos em Melbourne, na Bélgica e no Brasil foram os únicos de Jenson nesta temporada. Mesmo assim, o inglês não perdeu o prestígio na principal categoria do automobilismo mundial e, na próxima temporada, será o grande líder da McLaren, que não terá Lewis Hamilton em um dos seus cockpits.
Nascido em 1980, na cidade de Frome, na Inglaterra, Jenson começou cedo no automobilismo. Com apenas oito anos de idade, o garoto britânico já participava das primeiras competições de Kart. O primeiro título veio três anos depois, em 1991. Naquela época com onze anos, Button saiu com o troféu de campeão no British Cadet Kart Championship, uma espécie de torneio juvenil de Kart.
Empolgado com o seu primeiro título, ele conseguiu repetir o feito na temporada seguinte. Desta vez em uma categoria superior, a Junior TKM Champion. O bom desempenho do piloto nas pistas de Kart fizeram com que ele ganhasse uma chance de guiar carros maiores. Entretanto, nos anos seguintes, Button não conseguiu conquistar muitos títulos importantes.
Jenson voltaria a ser destaque de uma competição na temporada de 1998, quando sagrou-se campeão da Fórmula Ford Britânica. O título lhe rendeu uma vaga na Fórmula 3 Britânica, uma das principais categorias da base do automobilismo mundial. Nela, Button voltou a se destacar com duas vitórias e a terceira colocação no Campeonato. O bom trabalho realizado na Fórmula 3 Britânica rendeu ao jovem piloto, que na época tinha 19 anos, um prêmio simbólico como o piloto revelação da competição. O prêmio foi concedido pela McLaren e pela revista britânica ‘Autosport’.
E foi com base nos bons resultados nas categorias inferiores que Frank Williams resolveu abrir as portas do time britânico para Button. Na época, o inglês substituiu o recém aposentado Alessandro Zanardi. Com 12 pontos conquistados, Button terminou a temporada na oitava colocação – um grande resultado para um estreante na categoria. Mesmo se dando bem na Williams, Jenson acabou acertando a sua transferência para a Benetton na temporada seguinte. A expectativa era de se manter entre os dez primeiros do campeonato de 2001, mas a equipe italiana não obteve muito êxito naquele ano. O resultado foi que o britânico só terminou na zona de pontuação em uma oportunidade, no GP da Alemanha, e concluiu o ano com a modesta décima sétima colocação no campeonato.
Beneficiado pela venda da Benetton para a Renault, Button conseguiu ter um ano mais positivo em 2002. Naquele mundial, o time de Flávio Briatore conseguiu encontrar o melhor acerto para o carro e Jenson terminou o ano na sétima colocação entre os pilotos. Os seus melhores resultados foram os quarto lugares nos GPs da Malásia e do Brasil, despertando o interesse da BAR. A equipe britânica, por sinal, foi a casa de Button entre os anos de 2003 e 2005. Nestas três temporadas, o jovem piloto inglês se destacou principalmente em 2004. Com dez pódios em 18 corridas disputadas, Button terminou o ano na terceira colocação do Mundial de Pilotos, atrás apenas de Michael Schumacher -campeão- e Rubens Barrichello -vice-campeão.
Com dificuldades financeiras, a BAR acabou sendo vendida para a Honda, que na época era a fornecedora de motores da equipe, em 2006. A venda acabou não interferindo muito no desempenho da equipe, que se manteve com um carro competitivo durante as temporadas de 2006 e 2008. Button, que já era piloto da BAR, acabou permanecendo na Honda e continuou a sua trajetória na Fórmula 1. Por sinal, foi com a equipe japonesa que o jovem britânico conquistou a sua primeira vitória na principal categoria do automobilismo mundial. O triunfo veio no GP da Hungria, disputado no circuito de Hungaroring, em 2006. Depois de largar na décima quarta colocação, Jenson teve uma prova espetacular e cruzou a linha de chegada em primeiro.
Mesmo com a vitória, Button terminou a temporada apenas na sexta colocação. Apesar de não estar entre os primeiros colocados, o piloto comemorou bastante, já que voltava a ter um ano competitivo na Fórmula 1. Mas a felicidade não durou muito. Nas duas temporadas seguintes, a Honda não desenvolveu um bom carro e Button ficou longe dos pontos na grande maioria das corridas.
Sem condições de manter a equipe funcionando, a Honda declarou que iria desfazer o time. Quando parecia que Button iria ficar sem vaga na Fórmula 1, eis que Ross Brawn, ex-chefe da Ferrari, resolveu adquirir a equipe. Famoso por comandar o time vermelho nos anos de glórias da escuderia, Brawn deu o seu toque competitivo e construiu um carro excelente para disputar o campeonato de 2009.
O projeto da Brawn GP foi um sucesso. Aproveitando-se de uma brecha no regulamento, Ross desenvolveu o chamado “difusor duplo”, que fez a diferença no BGP 001. O artifício dava muito mais estabilidade ao bólido, que dominou a primeira metade da temporada. Button foi quem obteve os melhores resultados, assumindo a liderança do mundial e abrindo uma grande vantagem.
Na segunda metade do campeonato, o BGP 001 não teve mais a mesma superioridade e o RB6, da Red Bull, começou a se destacar, mas já era tarde. No fim do ano, Jenson conquistou o seu primeiro título na principal categoria do automobilismo mundial, consagrando a carreira vitoriosa do britânico.
Com o troféu, Button recebeu a proposta para guiar um dos carros da McLaren. Sem pensar duas vezes, o inglês resolveu se transferir para o lendário time de Woking. Apesar de não ter conseguido o mesmo sucesso de 2009, Button terminou a temporada de 2010 com uma colocação razoável (5º), atrás do seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton.
O destaque maior de Button na McLaren aconteceu durante a temporada de 2011. O seu toque diferenciado ao guiar os carros do time britânico fez com que ele conservasse bastante os pneus, o que fez a diferença no fim do ano. Ao término do campeonato, o inglês estava na vice-liderança, atrás apenas de Sebastian Vettel, que dominou o campeonato e se tornou bicampeão mundial.
Neste ano, Button não obteve o mesmo sucesso, mais uma vez. Mesmo assim, o britânico conseguiu vencer a primeira e a última corrida do ano, em Melbourne e no Brasil, além do GP de Spa-Francorchamps. No Mundial de Pilotos, ele terminou na modesta quinta colocação. Com a confirmação da saída de Lewis Hamilton, Jenson será o principal nome da McLaren em 2013. Por sinal, ele entra como um dos favoritos ao título da próxima temporada.
* Matéria desenvolvida e gentilmente cedida pela equipe da revista RaceF1 em parceria com a MENSCH. Acesse www.racef1.com.br e conheça mais do trabalho da RaceF1.