Chegar à velhice hoje é uma realidade, mesmo nos países mais pobres. Ainda que a melhora substancial dos parâmetros de saúde das populações observada no século XX esteja longe de se distribuir de forma equitativa nos diferentes países e contextos socioeconômicos, envelhecer não é mais privilégio de poucos. O crescimento da população idosa é um fenômeno mundial e se constitui como um grande desafio. Atualmente, 01 em cada 10 habitantes do planeta já tem mais de 60 anos e segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), este grupo já corresponde a mais de 12% da população mundial.

No Brasil, estima-se que enquanto a população geral crescerá cinco vezes entre 1950 e 2025, a população idosa aumentará quinze vezes no mesmo período, de acordo com o IBGE. Podemos falar que o Brasil hoje é um “jovem país de cabelos brancos”. Encontramo-nos ante um fenômeno novo e surpreendente, em que pela primeira vez na história da humanidade a faixa etária superior aos 60 anos é a que mais cresce.

Contrariando a idéia presente no imaginário popular de que na velhice os indivíduos estariam excluídos da vida pública ativa, nas últimas décadas, o idoso brasileiro se tornou um protagonista social cada vez mais visível, ocupando espaço na mídia e ganhando a atenção do mercado de consumo, do lazer e do turismo, exigindo cada vez mais produtos e serviços que satisfaçam suas necessidades e anseios. Passam a existir com mais freqüência os grupos de terceira idade, faculdades abertas, centros de convivência, clubes, associações, nos quais os idosos participam ativamente. Mas, apesar de toda essa atividade e participação, e dos importantes avanços científicos e tecnológicos dos últimos anos, o aumento da longevidade evidencia a fragilidade dos idosos que atingem idades mais avançadas, uma vez que esta vida mais longa também acarreta uma maior incidência de doenças crônicas e degenerativas.

O prolongamento da vida é uma aspiração em qualquer sociedade, no entanto, só pode ser considerado como uma real conquista na medida em que se agregue qualidade aos anos adicionais de vida. Contudo, envelhecer com qualidade é uma questão de escolha pessoal. O envelhecimento natural acontece com todos nós e não nos impedirá de realizar nossas atividades diárias e de lazer. Porém, o envelhecimento inadequado pode trazer terríveis limitações. Se olharmos para um idoso debilitado que não consegue cuidar de si próprio, é muito provável que houve algo errado com seu envelhecimento. Ele não envelheceu bem.

A resposta é: desde sempre! O processo de envelhecimento se inicia desde o nascimento, mas é por volta dos 30 anos de idade que normalmente atingimos o nosso auge físico em termos de capacidades mentais e dos processos biológicos de que dependemos. A partir de então teremos uma lenta queda, que faz parte do processo normal do envelhecimento. O que nos faz idosos é, portanto, um processo contínuo e não uma mudança súbita a partir de certa idade. É a prevenção continuada e os hábitos saudáveis ao longo da vida que contribuem para o envelhecimento saudável. É um processo ativo. Envelhece com saúde quem se previne das doenças através de exames médicos periódicos e do controle de fatores de risco. Vale ressaltar a importância da manutenção regular da prática de exercícios físicos e de uma alimentação saudável como fortes aliados para o bom envelhecimento.

Enfim, o envelhecimento saudável é uma aplicação científica do velho ditado: prevenir é o melhor remédio. Bem falavam as nossas avós! Abaixo seguem algumas dicas para o envelhecimento saudável:

– Mantenha hábitos saudáveis: não fume, não beba em excesso, evite ambientes com ruídos intensos e exposição solar prolongada sem proteção;

– Tenha uma alimentação balanceada rica em fibras (frutas e verduras) e pobre em gordura saturada;

– Pratique exercício físico, além de melhorar sua condição física também ajuda a prevenir doenças crônicas não transmissíveis, diminui o estresse, a depressão e o isolamento;

– Mantenha um sono adequado: dormir bem ajuda a manter o corpo em bom funcionamento;

– Pratique atividades de lazer, como fazer viagens, ir ao cinema, ao teatro, sair para dançar, ou seja, tenha como atividades de lazer aquilo que lhe dá prazer;

– Tenha metas e objetivos, planeje seu futuro e participe de decisões pessoais, familiares e sociais;

– Não deixe de ter atividades intelectuais, leia muito, faça cursos e esteja por dentro das coisas que acontecem no mundo. Isso ajuda a preservar sua memória;
Lembre-se, até o momento a ciência não descobriu nenhum antídoto para combater o envelhecimento, por isso, um estilo de vida saudável com medidas simples como as apontadas acima podem fazer a diferença e proporcionar maior saúde e bem estar.

* Raphael Fragoso é formado em educação física e atua como personal trainer.

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