Quando é pra ser não tem como fugir, que o diga o ator Eduardo Parlagreco, paulista, 27 anos, e já muita história para contar. Pois sua estreia nos palcos foi aos 9 anos. Isso mesmo, aos 9 anos Eduardo já se interessava por dramaturgia e foi fundo na realização desse desejo. Foram 10 anos nos palcos até chegar à TV, e de cara um baita desafio, contracenar com Suzana Vieira e ainda fazer um strip-tease. Mas Eduardo tirou de letra. De lá pra cá, diversos personagens diferentes, do mocinho a vilão, e o mesmo desejo daquele garoto de 9 anos que pisou nos palcos de teatro fissurado por tudo aquilo.

Eduardo, conta pra gente como foi isso de começar a carreira no teatro aos 9 anos? Quando eu tinha 8 anos de idade, minha mãe foi selecionada para fazer parte de uma das primeiras turmas da Escola de Atores Wolf Maya. E como meu pai trabalhava e eu não tinha com quem ficar, eu a acompanhava e ficava no cantinho da sala assistindo as cenas dela e dos outros alunos… assistia o Wolf Maya dar aula e acabei me interessando muito por atuação! No ano seguinte entrei na turma de teatro da escola e desde ali nunca mais parei! 

Até chegar em sua estreia na TV, como foi sua trajetória? Dos 9 aos 19 anos fiz apenas teatro. Nesses 10 anos em que fiz teatro, os últimos 4 anos foram fundamentais para a minha decisão na vida. Na ocasião tive a oportunidade de trabalhar com um excelente diretor e ator, Geraldo Machado, que se tornou meu grande mentor e acreditando muito no meu potencial conseguiu uma bolsa de estudos com Fatima Toledo. Logo após o curso, ganhei outra bolsa na SP Escola de teatro e finalmente fui fazer o curso do Wolf Maya, onde foquei em Televisão e cinema. Alguns meses depois de começar o curso fui chamado para alguns testes na Globo, até que tive a oportunidade de vir morar no Rio de Janeiro.

Quando percebeu que atuar era o que queria pra vida? Tenho muito forte esse dia na minha memória e no meu coração, foi quando apresentei a minha primeira peça no Teatro Paulo Autran em São Paulo. Quando entrei em cena naquele palco gigante, eu não conseguia mensurar o tamanho da plateia, a visão do palco pra plateia é totalmente escura, não dá pra enxergar nada… ao final do espetáculo, quando as luzes se acenderam na hora dos agradecimentos eu pude enxergar o tamanho dela, o teatro estava lotado, e todos se levantaram e aplaudiram muito, meu coração disparou, senti algo que nunca havia sentido antes na vida… ali eu tive a certeza que era esse o caminho que eu queria seguir.

Falando em estreia na TV, a sua foi logo ao lado de Suzana Vieira na série “Os Dias Eram Assim”. E aí, deu um frio na barriga no primeiro encontro com Suzana? O que aprendeu com ela? Muito!! Trabalhar com a Susana foi maravilhoso, nos divertimos muito!! Ela é uma atriz excelente e um ser humano incrível! A cena era um tanto delicada, eu tive que fazer um Strip Tease em plenos anos 60, nunca tinha ficado nu em cena antes, muito menos fazendo um strip (risos), então tinha uma certa tensão no dia. Apresentei a coreografia que tinha criado dias antes e todos adoraram, inclusive a Susana, que até pediu depois para tirar uma foto comigo e postou no seu Instagram me apresentando como namorado dela na série, fazendo com que eu ganhasse mais cenas com ela. Então realmente foi um presente divino trabalhar com Susana Vieira.

Na sequência você era o carrasco de Cristo na novela “Jesus”. Como é isso rapaz? Que personagemzinho miserável esse heim? (risos) Como foi a repercussão e o que ficou de bom de um personagem mal? É um pouco complicado né? (risos) Ao mesmo tempo que tenho meu lado religioso e entendo quão pesado era o personagem que eu estava interpretando. Eu não posso deixar de me sentir extremamente grato e feliz por um trabalho tão incrível, ao lado de atores, diretores, e uma equipe fantástica contando a história mais importante da humanidade. A repercussão foi bem engraçada, algumas pessoas me xingaram muito no Instagram, levaram super a sério (risos) porém, outras também xingaram mas apenas ao personagem, no final dos xingamentos sempre tinha um “parabéns pela atuação”, “me fez te odiar de verdade” e por aí vai… (risos) 

Depois um cantor sertanejo em “Malhação – Toda Forma de Amar” e agora novamente vilão em “Gênesis”? Como é dar vida a personagens tão distintos? E tem coisa melhor pra um ator do que fazer personagens tão diferentes assim?! Sempre me pego pensando nisso, todos os meus trabalhos até hoje na TV, me deram a oportunidade de mostrar a minha diversidade para atuar, eu fui do garoto de programa ao tirano, do tirano ao cantor sertanejo e do sertanejo ao um sub-lider de uma tribo amalequita. Eu acho que essa é a grande maravilha de atuar, poder ser quem você quiser, poder fazer as pessoas terem vários sentimentos a cada trabalho, fazê-las rirem, chorarem, se emocionarem… e como ator meu objetivo é esse, jamais enxergar o Eduardo Parlagreco, apenas o personagem! 

Onde busca inspiração para interpretar e que desafios procura a cada novo trabalho? Em absolutamente TUDO que eu vejo. Seja na vida ou no cinema, em séries ou em novelas… Mas principalmente no cinema! O desafio que eu procuro é sempre me transformar a cada trabalho que realizo, e espero sempre poder ter essas grandes oportunidades! 

Desafios como o de dirigir, produzir e atuar em curtas-metragens que você participou recentemente? Como foi isso? Foi uma experiência muito boa, descobrir que eu tenho esse lado diretor foi uma surpresa pra mim, começou muito simples, fazendo curtas de 1 minuto em casa e quando vi já estávamos com uma equipe, com parcerias em produtoras, apresentando nossos filmes em cinemas, 3 curtas nossos ficaram em cartaz no Cine System no Rio! Então realmente foi uma experiência muito gratificante. 

E qual seu estilo na hora de se vestir? Ah depende muito da ocasião. Eu adoro me arrumar pra sair, tento manter uma linha entre o despojado e o arrumado! (risos) 

Você é um cara muito vaidoso? Do que não abre mão e qual o seu limite? Não muito, mas gosto de me cuidar, de me vestir bem, de me sentir bem comigo mesmo! Segundo a minha vó, não abro mão do perfume nunca, desde criança! (risos) E pra mim o limite é quando entro em cena… ali não existe espaço pra vaidade! 

E para relaxar e recarregar suas baterias o que curte? Ahhhh, nada melhor do que meditar, fazer academia, passear com minha cachorrinha, assistir ao pôr do sol ao lado da minha namorada… nada melhor que isso pra relaxar! 

O que podemos esperar de Parlagreco ainda este ano? Nesse momento difícil que estamos passando no Brasil e no mundo, o meu compromisso é dar o melhor de mim, como pessoa e como artista! Nosso meio foi um dos mais prejudicados pela pandemia, estamos retornando aos poucos, ainda devagar e extremamente cuidadosos, sempre seguindo todos os protocolos de segurança pra poder levar um pouco de arte, alegria e entretenimento para as pessoas em casa. Espero que tudo fique bem logo e que possamos todos viver e trabalhar normalmente! 

Fotos Robert Shwenck
Styling Samantha Szczerb
Agradecimentos MAM
Eduardo usou Amil Confecções, Vert, Eduardo Guinle, By Segheto e Ellus