O gaúcho José Henrique Ligabue, de 38 anos, fez sua estreia na TV na série “O Tempo e o Vento”, em 2013. Mas foi aos 26 anos quando passava na frente da escola de teatro TEPA que ele pensou “vou fazer teatro!”. Começava aí sua jornada pela arte da dramaturgia. Depois algumas peças e muita publicidade no Sul, José Henrique resolveu tentar a vida de ator no eixo RJ-SP. Depois da série veio a primeira novela, “Flor do Caribe”, com um personagem que conquistou o público e a crítica. Recentemente fez uma marcante participação na novela “Gênesis” e atualmente está em cartaz no formato online com a peça “12 Pessoas Com Raiva”. Que por sinal terá apresentações dias 23 e 24 deste mês, aconselhamos anotar para não perder. Enquanto isso conheça um pouco da trajetória desse inspirado artista.

Você acabou de fazer uma participação importante na novela “Gênesis”. Como foi todo o processo, do convite à preparação e finalização? Fiquei muito feliz, foi uma oportunidade maravilhosa. Passei um tempo afastado da TV, até para me dedicar a ajudar na criação do meu filho, mas essa chance de voltar às telinhas e mostrar mais do meu trabalho na TV foi muito boa. Sabe aquela comoção de família, amigos e fãs que sempre torcem pela gente e nos enchem de amor e afeto? Parece que tudo novo de novo, eu adoro. Com a paralização tivemos que dar um tempo nas gravações, veio um tempo de incerteza e medo, mas logo voltamos e foi incrível fazer parte de um projeto tão grande como ‘Gênesis’. No final sempre dá aquele aperto no peito, pois fiz muitos amigos que já levo no coração e morro de saudades. Mas tenho certeza que fizemos um ótimo trabalho. Tenho muito a agradecer a Record TV por essa oportunidade. 

Na trama você interpretou o soldado Harshi, na fase “Ur dos Caldeus”. Explica um pouco para quem não acompanhou que fase foi essa e como foi o desenrolar do seu personagem na história? A fase de “Ur dos Caldeus” é a única que não está na bíblia, apesar de ter total relação com a atual fase que está no ar no momento, a história de Abraão. O Harshi entrou no meio da fase, após uma passagem de tempo em que seu pai vira um traidor e ele, junto ao general Gurik (Marcelo Argenta), investigam a tramoia. Ele não acredita que o pai é um traidor, mas no final as provas aparecem e ele é obrigado a ver a verdade.

Participar de uma trama de época, religiosa, teve que peso para você? Foi a primeira experiência? Sim, foi minha primeira experiência em uma trama de época bíblica em novelas e teve um peso especial para mim, pois eu vi como uma oportunidade de me desafiar novamente em um universo completamente novo.

Como foi sua saída da história? Minha saída, como a de várias personagens que faziam parte da fase “Ur dos Caldeus”, foi uma morte bem sangrenta no campo de batalha que chegou a impressionar alguns expectadores (risos), muitas pessoas vieram nas redes sociais comentando que estavam chocados com o tanto de sangue no capítulo final da fase.

E que momentos marcantes ficou? Porém o momento que mais marcou, com certeza, foi o encontro de Harshi com Dinin-Sim onde o príncipe revela e mostra as provas de que o pai de Harshi era um traidor.

Ainda recentemente você apareceu com seu personagem Lino em “Flor do Caribe”, um cara simples da praia que gostava de costurar. Como foi fazer o Lino? Algo em comum ou que gostaria de ter dele? Fazer o Lino foi um dos maiores presentes da minha vida. Ele é um personagem com muitas nuances e viradas no decorrer da novela, o que dá um tesão muito grande em atuar. Além de uma repercussão muito boa. Eu me preparei muito com aulas de sanfona, aulas de como fazer renda, preparação para pegar o sotaque e muita pesquisa, além disso, tive que encontrar esse tom desse homem do interior e tímido, algo bem diferente de mim. Mas apesar de eu não ser tímido acho que sempre temos muito em comum com os personagens, mesmo que sejam vilões (risos). No caso do Lino eu me identifico com a sensibilidade e empatia que o personagem levava ao telespectador. E com certeza eu gostaria de ter um pouco mais desse jeito tranquilo e sereno que o Lino tinha, sou muito elétrico (risos). 

Aliás, durante o processo de criação de um personagem, já levou algo de algum deles pra vida? E já emprestou algo seu pra eles que não existia? Acredito que sempre levamos muito de cada personagem e que tudo que ele tem é emprestado de nós em algum lugar. No teatro em meu primeiro solo a peça “TEDY – O amor não é para amadores”, eu emprestei muito da minha história amorosa da época e do meu jeito de ser para criar o texto com o roteirista e diretor Bob Bahlis. Por sinal em maio farei uma apresentação online da peça que vale conferir.

Indo bem para o início, como foi o começo como ator? Quando despertou que era isso que queria para você? Eu comecei em 2009 quando ainda morava em Porto Alegre. Eu já tinha trabalhado em mil coisas e estava com 26 anos e sem muitos planos, até que um dia passei na frente da escola de teatro TEPA e pensei: vou fazer teatro! E foi amor à primeira vista (risos) na mesma semana que fiz um curso de verão já tinha decidido que esse seria meu ofício e que eu faria isso a vida inteira com amor e dedicação. Então fiz algumas peças e muita publicidade no Sul e logo resolvi tentar a vida de ator no eixo RJ-SP, no começo foi difícil, mas logo veio o convite para ‘O Tempo e o Vento’ seguido da novela e hoje o Rio é meu lar. 

Com a pandemia muitos projetos foram adiados e mais tempo em casa. Como foi administrar isso e como usou o tempo extra? Ainda está sendo difícil organizar a vida em casa com filho, carreira e demandas da vida, não tive muito tempo extra, pelo contrário até, parece que tenho menos tempo para tudo agora, pois tenho que correr muito mais atrás com o mercado parado. 

Imaginamos que parte desse tempo extra deve ter sido curtindo o filho Arthur. Como você é como paizão? Eu sempre tive como prioridade o tempo com meu filho e pretendo continuar assim até o final da minha vida. Esse tempo “extra” com os filhos é precioso e é algo que não volta, de que vale uma vida de trabalho, mas longe de quem se ama? Minha profissão é algo muito importante, mas não abro mão do tempo que tenho com o Arthur. Quero participar ativamente do seu crescimento e saber que o adulto que ele vai se tornar faz parte da criação que dei.

E para relaxar, o que faz sua cabeça? Eu gosto muito de relaxar na natureza. Tomar um bom banho de cachoeira é algo que me faz sentir renovado. 

O que costuma ler, ver e ouvir? Alguma dica? Tenho lido muitos artigos e livros sobre a luta indígena como pesquisa para meu novo espetáculo. Vejo muitas series e adoro filmes de animação e de heróis que vejo com meu filho (risos), sou o ‘loco dos podcasts’ também, não ouço muita música, apesar de adorar dançar e cantar. Uma dica de podcast que eu adorei e indico demais é o “Vinte Mil Léguas”, que passeia pela história de Charles Darwin com um olhar literário sobre a sua principal obra “A origem das espécies.” 

Se analisando, qual maior qualidade e qual maior defeito? Acho que minha maior qualidade, que foi adquirida e veio junto com a maturidade, é a paciência. E meu maior defeito é as vezes achar que sei de tudo. 

Qual seu maior pecado? Não resiste a que? Não compartilho muito do conceito de pecado (risos), mas não resisto a um fast food e refrigerante (risos) 

Soubemos que você tinha planos para teatro este ano. Como estão os projetos? Quais os próximos passos se tudo der certo? Os projetos presenciais estão andando devagar, porém os online estão a todo vapor. Estou em cartaz com a peça “12 Pessoas Com Raiva” com direção de Juracy de Oliveira e produção da Pandêmica Coletivo Temporário de Criação, que é referência e sucesso no universo online, esse mês faremos duas apresentações nos dias 23 e 24 de abril, procurem saber é imperdível. Em maio faço uma apresentação única do meu primeiro solo “TEDY”, e depois dou início a montagem do meu principal trabalho esse ano, o solo “Ideias Para Adiar o Fim Do Mundo” com texto de Ailton Krenak e direção de Luís Carlos Vasconcelos.

Fotos Marcio Freitas (@marcio9k)

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