Luz e sombra, formas e ângulos. A fotografia é o casamento perfeito entre tudo isso. Talvez isso represente a harmonia do casal de fotógrafos Camila Mira (@_camilamira) e Fabiano Battaglin (@fbattaglin) que se conheceram em 2019 e a sintonia foi tanta que os dois juntaram suas lentes e câmeras e hoje trabalham e moram juntos. Ele como fotógrafo na Rede Globo na época e com trabalhos de publicidade, ela com ensaios de moda, publicidade e fotos de divulgação de espetáculos teatrais. Mas sempre trocando opiniões, referências e falando muito sobre fotografia, claro. Até por que foi a fotografia que os uniu. Já no primeiro trabalho juntos, numa campanha para o estilista João Pimenta, ambos descobriram que além da paixão mútua, o dois combinavam fotografando. ”Percebemos o quanto nos complementamos desde a concepção do ensaio, passando pelo trabalho no set, até o tratamento das fotos. O resultado ficou incrível e a vontade de termos uma carreira conjunta só aumentou”, comentou Fabiano.

Enquanto um clica, o outro já está pensa em um ângulo diferente, em uma nova pose, e de repente a câmera passa de mãos naturalmente. Essa cumplicidade tornou a experiência ainda mais completa. Da parceria profissional surgiu a GLIN+MIRA (@glin.mira), onde a ideia é conectar, transformar a sessão de fotos em uma experiência agradável, leve e ao mesmo tempo significativa para todos os envolvidos, e claro, sempre com muito amor.

Como a fotografia surgiu para vocês? Como foi o início? Camila Mira: Sempre quis trabalhar com Arte, me expressar de alguma forma. Em um momento da vida, estava um pouco indecisa sobre meu futuro profissional. Numa conversa com um amigo, falamos sobre como a vida passa rápido e que não devíamos deixar de fazer nada que amamos, para não nos arrependermos depois. Isso me fez pensar em que profissão eu poderia juntar tudo que amo. Peguei um papel e comecei a escrever: viajar, criar, moda, beleza, imagens, liberdade… E a palavra Fotografia apareceu para amarrar tudo isso, foi uma epifania. Nesse momento, senti que já era fotógrafa e não sabia. Uma semana depois, estava fazendo um curso e me encontrei.

Fabiano Battaglin: Antes de haver celulares com câmeras, eu adorava fotografar com uma CyberShot super básica, devia ter uns 2 megapixels. Até então, via a fotografia apenas como um hobby, fotografando em viagens e situações cotidianas. Durante a faculdade de Comunicação, fiz um laboratório de fotografia e me apaixonei na hora. A partir daí, comprei uma câmera profissional e não parei mais.

Qual o ônus e o bônus de trabalhar juntos? É muito bom ter alguém para dividir os esforços durante todas as etapas do processo. Além disso, aprendemos muito um com o outro. E quando o outro é uma pessoa com tantas qualidades diferentes das suas, vem a melhor parte: se complementar. Nossos ritmos de trabalho são diferentes, e isso às vezes é um desafio, mas como temos os mesmos objetivos e uma visão artística muito parecida, conseguimos tirar isso de letra. 

Acredito que um ponto positivo deve ser quando um está sem inspiração ou ideia e o outro entra em ação trazendo inspiração. Com certeza. Isso é parte do que falamos sobre complementar um ao outro. Inclusive quando estamos no set, enquanto um está clicando, outro já está tendo ideias de uma luz, uma pose ou um enquadramento diferente. Então as ideias não param e fluem naturalmente. 

Celebridades, moda, publicidade… Onde se sentem mais à vontade? Cada tipo de trabalho tem suas características próprias e gostamos muito das três áreas, mas sentimos que na Moda podemos nos expressar mais criativamente. 

Percebemos que para vocês a fotografia transcende o ato do registro. É uma conexão pessoal entre vocês e o fotografado. É isso? Exatamente isso, é totalmente pessoal. Essa conexão é o principal para deixar o fotografado à vontade, livre para mostrar a sua essência de forma espontânea. Ver a pessoa entregue e alegre no set é a certeza de que vamos ter o melhor resultado possível. Essa troca é riquíssima e muito gratificante.

Dentre os trabalhos de vocês muito nu e sensualidade. Ter um olhar feminino e masculino sobre a mesma proposta deve ajudar muito. Como isso funciona entre vocês e como isso reflete no trabalho? Sinceramente não conseguimos fazer essa separação entre a Camila ter um olhar feminino e o Fabiano, masculino. Existem os dois olhares dentro de cada um. Ambos buscamos o que é belo, artístico e isso se expressa em fotos às vezes sensuais, às vezes não.

Como trabalhar o olhar na fotografia? Tem como? Acreditamos que o olhar fotográfico é o que há de mais intrínseco em cada um. É a sua sensibilidade, o resultado de tudo que você viveu, viu, sentiu e guardou para você. E isso reflete em como você vê o mundo. A gente trabalha o nosso olhar constantemente, seja numa nova experiência de vida, seja estudando, vendo um filme, uma exposição. 

E onde buscam inspiração? O que inspira vocês? Às vezes a gente vê uma pessoa na rua que dá muita vontade de fotografar. Às vezes vemos uma roupa e já começamos a imaginar todo um ensaio a partir daquela peça. O mesmo acontece vendo um filme, ouvindo uma música ou até com um sentimento que temos vontade de expressar através de imagens. O trabalho de outros artistas também é grande fonte de inspiração.

Falando nisso, quem são os grandes mestres da fotografia pra vocês? São tantos! Para citar alguns: Peter Lindbergh, Kat Irlin, Guy Aroch, Mert & Marcus

Trazer uma certa intimidade nas fotografias aguça mais a imaginação e traz um impacto maior para quem vê. Como percebem isso? “Esquece a câmera” é uma das frases que mais dizemos durante uma sessão de fotos. Quanto mais natural, espontânea, menos posada a foto é, maior a sensação de intimidade que ela passa. O ideal é que a pessoa que vê a foto não sinta a presença de uma câmera (e um fotógrafo) entre ela e o fotografado. 

Quando existe divergência de ideias entre vocês, como resolvem isso? Felizmente não temos muitas divergências em questões artísticas importantes, mas quando elas aparecem, conversamos e tentamos ver o ponto de vista do outro com respeito e muito amor. No fim das contas, a gente sempre se resolve. (Risos) 🙂

Em época de isolamento social como foi dosar inspiração, tédio, criar e fotografar no meio disso tudo? Foi difícil não poder extravasar as inspirações como fazemos normalmente. A saída foi fotografarmos um ao outro: colocamos a vergonha de estar na frente da câmera de lado e o resultado foram ensaios caseiros divertidíssimos! Fora a ansiedade e as preocupações naturais desse momento único, conseguimos ficar mais unidos do que nunca e dar mais valor à companhia do outro.

O que ainda falta ser registrado por vocês? Tanta coisa! Todo dia temos novas ideias para ensaios diferentes, pessoas que queremos fotografar, lugares a que queremos ir juntos. E sempre vai faltar alguma coisa, pois a fotografia é parte essencial de tudo que sonhamos.