MUSA: CRIS RIBEIRO– O TEMPO DA ELEGÂNCIA

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Durante décadas, Cris Ribeiro foi um dos rostos que ajudaram a ampliar a representatividade da mulher negra na moda brasileira. Agora, aos 54 anos, a modelo carioca vive um novo capítulo de sua trajetória ao retornar às passarelas com a mesma elegância, mas com um olhar ainda mais maduro sobre a profissão e sobre a vida. Em um mercado que finalmente começa a valorizar diferentes gerações, ela mostra que estilo, presença e autenticidade não têm prazo de validade.

Nesta entrevista à MENSCH, Cris relembra a infância simples, a paixão que nasceu ao descobrir nos desfiles, ainda adolescente, as referências que encontrou em pioneiras como Iman, Katoucha Niane e Deise Nunes, e a determinação que a fez superar inúmeros obstáculos até conquistar seu espaço. Ela também fala sobre a técnica por trás de um grande desfile, a experiência de viver fora do Brasil, o significado de recomeçar aos 50+, a importância da família e os sonhos que continuam movendo sua caminhada. Uma conversa inspiradora sobre perseverança, representatividade e a certeza de que nunca é tarde para escrever um novo capítulo de uma grande história.

Como foi sua infância? Infância pé no chão, correndo, joelhos ralados, brincadeiras em tardes infinitas interrompidas só quando se escutava a mãe chamar pra jantar.

O que sonhava? De criança eu vivia entre as revistas de moda que minha mãe comprava, com os saltos altos e vestidos dela pela casa, mas pensava em ser professora.

Como aconteceu de se tornar modelo? Eu cresci barbaridades e pra época era um acontecimento! As pessoas viviam falando que eu devia jogar vôlei, basquete ou ser modelo. Então o divisor de águas aconteceu quando meu pai foi transferido para Brasília e fomos morar lá. Nessa época íamos muito a um shopping perto de casa e ali vi uma passarela pela 1ª vez na vida! Eram aqueles desfiles de shopping e eu fiquei fascinada! Aquelas mulheres altas eu me identifiquei total! Saía da escola e ia pro shopping com minha mãe pra assistir TODOS! Depois disso era obsessão mesmo, eu consumia absolutamente tudo sobre moda que estivesse ao meu alcance. E pronto. Foco, convicção, muitos nãos e muitas portas fechadas que ignorei e assim furei a bolha.

Quais eram as modelos negras que se espelhava na época? Tinha um quadro dentro do Jornal Hoje aos sábados que se chamava Ponto de Vista com Cristina Franco. Era religião, todo sábado eu assistia! O que eu via de modelos negras eram as que passavam nesse quadro nos desfiles internacionais e as que via nas bancas de revistas. Uma que me marcou muito foi Karen Alexander na Vogue, a 1ª mulher negra que eu vi numa capa de Vogue! Essa revista eu ganhei de uma amiga da minha mãe que morava fora do Brasil.

Quais as referências? Eu não tinha os nomes de todas que eu via. Mas sei que vi pela TV a Katoucha Niane, Iman, Dalma Callado, Veluma, Deise Nunes…

Como é o andar perfeito na passarela? Envolve tanta coisa, tem que amar e respeitar a passarela, sabe… Tem que amar desfilar! Além do seu caminhar único e intransferível a modelo tem que pesquisar sobre a marca, público alvo, a história daquele desfile específico, o que o estilista quer que você transmita naqueles minutos, sentir a trilha sonora, postura. Tem umas técnicas também de marcação de passos, ritmo, posicionamento de braços.

Como é voltar ao mercado de trabalho? Sou uma mulher 50+ e nessa fase o mercado não é mais sobre quantidade de trabalhos. É toda uma readaptação! É sobre tempo! E aprendizado sempre, porque o dia que eu não tiver mais o que aprender é porque perdeu a graça, a beleza da descoberta, a sensação de friozinho na barriga.

Quais sonhos agora? Tenho uns objetivos a alcançar e uns lugares pra conhecer. Agora, o que quero mesmo é ver meus filhotes bem, família bem, meus bons amigos por perto, sou dessas que gosta de ter tempo pra ser feliz.

Como foi morar fora do país? Eu amo viajar, conhecer e descobrir culturas, sabores, cores. Aproveitei tudo.

Conta sua história de amor… e sua filha? Vivo um casamento longo de muita cumplicidade, carinho, respeito a nossas individualidades e realizando sonhos juntos desde sempre. Temos dois filhos que são os amores da minha vida! Impressionante esse amor. E minha filha? Minha melhor amiga!

Direção de arte Marco Antonio Ferraz 

Foto Felipe Gaspar 

Beauty Graciane Vazquez