Enquanto IA, câmeras e sistemas integrados avançam, Antônio Chaul Netto, CEO da CGTECH, alerta que falhas de procedimento, treinamento e comunicação podem comprometer até estruturas altamente tecnológicas.
A inteligência artificial está avançando rapidamente na segurança patrimonial. Câmeras inteligentes, análise de imagens, sistemas de controle de acesso e ferramentas capazes de identificar padrões ampliam a capacidade de monitoramento e prevenção. O investimento em tecnologia, porém, não elimina um dos pontos mais sensíveis de qualquer operação: o fator humano.
O State of Physical Security 2026, da Genetec, ouviu mais de 7,3 mil profissionais de segurança física em diferentes regiões do mundo. Mais de 70% dos participantes afirmaram utilizar sistemas unificados ou integrados, enquanto o interesse de usuários finais pela adoção de inteligência artificial mais que dobrou em relação ao levantamento anterior. Pela primeira vez, a IA apareceu ao lado de controle de acesso e videomonitoramento entre as principais prioridades de projetos para 2026.
Ao mesmo tempo, 70% dos usuários finais relataram preocupações relacionadas à forma como os sistemas de IA são desenvolvidos e implementados, especialmente em questões envolvendo uso de dados e compreensão sobre o funcionamento da tecnologia.
Para Antônio Chaul Netto, CEO da CGTECH, empresa de segurança patrimonial, a modernização é fundamental, mas não pode criar a impressão de que equipamentos são capazes de eliminar sozinhos as vulnerabilidades de uma operação.
“Um dos maiores erros é acreditar que a tecnologia, sozinha, é capaz de garantir segurança. Podemos ter os melhores equipamentos, sistemas inteligentes e uma estrutura de monitoramento avançada, mas, se não houver pessoas preparadas e processos bem definidos, continuaremos criando vulnerabilidades.”
GRANDES PROBLEMAS PODEM COMEÇAR EM PEQUENAS FALHAS
Em segurança patrimonial, uma vulnerabilidade nem sempre nasce da ausência de equipamentos. Ela pode surgir quando um protocolo deixa de ser cumprido ou quando uma exceção operacional começa a ser tratada como normal. “Na prática, muitas falhas acontecem em situações aparentemente simples: um procedimento que deixa de ser cumprido, uma informação que não é comunicada corretamente, uma exceção que passa a ser tratada como rotina ou uma equipe que não foi suficientemente preparada para identificar uma situação de risco.”
Por isso, o avanço tecnológico precisa vir acompanhado de uma estrutura operacional capaz de transformar informação em prevenção e resposta. “Segurança exige atenção permanente. A tecnologia é uma ferramenta extremamente importante, mas ela precisa estar inserida em uma operação que tenha método, treinamento, supervisão e responsabilidade.”
Humano ou tecnologia? Para Chaul, a pergunta está errada. Com a evolução da inteligência artificial, uma das discussões recorrentes no mercado é sobre a possibilidade de tecnologias automatizadas substituírem parte das equipes.
Chaul defende outra perspectiva. “Eu não acredito em substituição. Acredito em integração.” Segundo ele, recursos tecnológicos ampliam a capacidade de identificar riscos e fornecem mais informação para a tomada de decisão, mas determinadas situações continuam exigindo interpretação de contexto.
“A tecnologia evoluiu muito e continuará evoluindo. Inteligência artificial, análise de imagens, reconhecimento de padrões e sistemas de controle de acesso já aumentam significativamente nossa capacidade de antecipar riscos e tomar decisões com mais informação.”
“Mas existe algo que continua sendo essencial: a capacidade humana de interpretar contexto, perceber comportamentos, tomar decisões e agir diante de situações que nem sempre seguem um padrão previsível.”
Na visão do executivo, o avanço tecnológico torna a capacitação profissional ainda mais relevante. “O futuro da segurança não será exclusivamente tecnológico nem exclusivamente humano. Será a combinação inteligente entre os dois. Quanto mais tecnologia incorporamos à operação, mais precisamos qualificar as pessoas que irão utilizá-la.”
SEGURANÇA PRECISA FUNCIONAR COMO UM ÚNICO SISTEMA
A integração entre essas duas dimensões também depende de processos. Investir em equipamentos sem rever protocolos, ou criar protocolos que as equipes não compreendem, pode limitar o resultado de toda a estrutura.
“A integração começa entendendo que segurança não pode funcionar em partes isoladas. Não adianta investir em tecnologia sem revisar processos. Da mesma forma, não adianta ter bons procedimentos se as equipes não são treinadas para executá-los e compreender por que eles existem.”
Isso exige olhar individualmente para cada operação. “É preciso conhecer cada operação, identificar vulnerabilidades, estabelecer protocolos claros, capacitar continuamente as equipes e utilizar a tecnologia para ampliar nossa capacidade de prevenção, controle e resposta.”
Além da infraestrutura tecnológica e dos procedimentos, Chaul aponta um terceiro componente: a cultura de segurança. “Também considero fundamental trabalhar uma cultura de segurança. E cultura não se constrói apenas com regras. Ela acontece quando cada profissional entende sua responsabilidade dentro da operação e percebe que pequenas decisões podem proteger ou comprometer todo um sistema.”

Para o CEO da CGTECH, é essa integração, e não simplesmente a quantidade de tecnologia instalada, que define uma operação de segurança eficiente. “No final, segurança eficiente não é aquela que possui mais tecnologia. É aquela que consegue fazer pessoas, processos e tecnologia funcionarem como um único sistema de proteção.”


