Depois de um longo período morando em Londres onde atuou no teatro e inclusive fez uma participação na badalada série “Game of Thrones”, Diogo Sales encara mais um desafio, dessa vez em seu país. Ele está na fase final de “Gênesis”, da Record, onde irá interpretar Kaires, um camponês que trabalha na irrigação do Egito. Fomos conversar com Diogo para conhecer um pouco da sua trajetória até aqui.

A repercussão da sua participação em “Game of Thrones” foi grande no Brasil e rende até hoje. Conte-nos como aconteceu esse convite? Foi através de teste de elenco na Inglaterra. Eu já vivo em Londres há dez anos. A Nina Gold que foi a produtora de elenco da série entrou em contato com meu agente, na época.

Além do seu papel na série, quais outros trabalhos marcaram a sua carreira na Europa? No teatro, espetáculos como: “Amazônia” no Young Vic; “The Two Gentlemen of Verona” no Barbican e RSC (Royal Shakespeare Company).

Para um ator brasileiro, quais as dificuldades para se viver de arte em outro país? As dificuldades são as mesmas. E mais a diferença de você estar longe da sua família e amigos, num território estrangeiro com um povo de cultura, estilo de vida e língua diferentes.

Algum outro convite para voltar a viver em Londres? Qual? Eu tenho que voltar para Londres em algum momento e organizar as coisas que deixei por lá. Por enquanto sem muita previsão.

Você está de volta ao Brasil para um papel na novela “Gênesis”. Qual será seu personagem? O nome do personagem é Kaires. É um pobre Camponês egípcio que trabalha na irrigação do Egito. Tem uma vida dura e infeliz, pelo fato de ser solitário e não ter família. É um cara fechado por circunstâncias de uma vida sofrida, porém super generoso. O personagem estará em praticamente todos os capítulos da fase e terá um arco dramático bem interessante. Ele terá cenas com muitos personagens como: José, Abumani, Heriti, Shareder, Adja, Kefera e Atarum.

Fale-nos sobre o seu processo criativo. Para esse personagem, especificamente, fiz pesquisas sobre a história e a cultura do Egito. Ouvindo podcasts, assistindo palestras com historiadores, e tive também uma preparação com a Helena Varvaki e o Ronaldo Nogueira.

Seu trabalho busca de alguma forma incentivar novos atores a buscarem trabalhos fora do Brasil? Sim. Essa carreira é muito injusta, incerta e limitada. Existem muitos atores talentosos e desempregados por aí, mas com as novas plataformas de streaming, as portas estão se abrindo mais e mais. E para atores que dominam uma outra língua, eu aconselharia buscar oportunidades fora do país de origem, pois o mercado amplia certamente.

A pandemia fez com que mudássemos nossa forma de ver o mundo. Como foi esse impacto para você e como tudo isso interferiu no seu trabalho? Minha vida pessoal e profissional sempre foram cheias de incertezas. A pandemia não me abalou muito nesse sentido, mas de uma certa forma, me fez acordar ainda mais para a realidade da vida que sempre foi escondida no sistema em que a gente vive. Passei a dar mais valor para as coisas simples e buscar a minha felicidade e paz interior. No meu trabalho não interferiu em nada. Na verdade estou produzindo até mais do que o normal.

Como você enxerga a TV aberta hoje em dia? Acredito que a TV aberta irá se renovar cada vez mais por conta da concorrência e do público totalmente diferente do que era antigamente.

Qual personagem você gostaria de interpretar? É uma incógnita. Não tenho como saber qual personagem irei interpretar depois desse, mas sempre valorizo os personagens que faço, independente quais sejam. Eles sempre me trazem desafios e aprendizado. Exigem muito do meu potencial e habilidade, me transformando num ator mais rico do que eu era e numa pessoa melhor.

Todos nós temos sonhos. Quais são os seus? Normalmente eu prefiro guardar meus sonhos com carinho e dividi-los com pessoas que amo. Mas posso falar que um deles já está sendo realizado, que é ter a oportunidade de trabalhar como ator e mostrar um pouco da minha arte.

Que recado você deixa para quem está começando na carreira de ator? Não espere ser chamado para trabalhar. Corra atrás do que você acredita que é seu. Se auto produza e nunca pare de trabalhar, pois o nosso trabalho é solitário mesmo e toda experiência é enriquecedora.