A música sempre esteve presente na vida de Gio Bianco. Fosse através da mãe pianista e compositora, fosse pelas reuniões em família que sempre acabavam em muita cantoria. Foi um caminho até natural que Gio fosse enveredando por este lado e aos poucos adotando seu estilo e construindo uma carreira sólida como intérprete de grandes canções de jazz/bossa nova, pop e MPB. Sua paixão por musicais, desde a infância, lhe rendeu participações em produções do estilo na adolescência. Com sua voz melodiosa, um timbre aveludado e agudos potentes foi deixando sua marca. Característica que a levou ao time de jurados do programa Canta Comigo da Rede Record. Ano passado Gio deu início ao seu trabalho autoral com a gravadora Midas Music de Rick Bonadio e lançou o primeiro single. Novas faixas estão sendo finalizadas neste fim de ano, para lançamento no início de 2022.

Gio, como a música entrou na sua vida? Como despertou pra ela? Eu nasci e cresci em contato com música. Minha mãe é pianista e compositora. Quando eu e meus irmãos éramos crianças, minha mãe dava aula de música em algumas escolas e chegou a compor no hino da escola que estudávamos, que é tocado até hoje. Então a música sempre embalou nossos fins de semana e reuniões familiares. Cantar sempre foi algo muito natural para mim, ainda criança, vivia cantando pela casa e ouvindo repetidamente as músicas que gostava e procurava aprender com as cantoras que me inspiravam. Incentivada pela minha mãe, comecei a estudar canto na adolescência. Passei por algumas técnicas de canto, do lírico até chegar ao pop. A trajetória por essas escolas e professores, fez com que eu pudesse enriquecer minha maneira de cantar. Sempre falo que o canto é um estudo sem fim. Se pararmos para analisar a técnica vocal de grandes divas como Celine Dion por exemplo, com o passar dos anos, nota-se mais sofisticação e refinamento em sua maneira de cantar. Eh natural encontrarmos novos caminhos para colocação da voz, isso é uma das maravilhas da arte de cantar.

Como foi o início da sua trajetória? Na adolescência comecei a estudar canto, violão e a fazer aula de teatro. Nessa época, cheguei a fazer participações em produções pequenas de teatro musical. Quando entrei para faculdade de jornalismo, comecei a me apresentar em eventos sociais e corporativos. Foi uma fase de muito trabalho, conciliava a faculdade com meus ensaios e estudos de canto. Recém firmada, cheguei a trabalhar com jornalismo televisivo, mas a paixão pela música falou mais alto e depois do nascimento de minha filha, minha carreira na música passou a ser minha prioridade no âmbito profissional. Meu trabalho como intérprete ganhou notoriedade e recebi o convite de uma gravadora para desenvolver meu trabalho autoral. Foi o começo de uma nova fase em minha trajetória musical.

Você tem uma sólida carreira como intérprete de grandes canções de jazz, Bossa Nova, pop e MPB. Ritmos que agradam em cheio um público de gosto musical mais apurado. Esse sempre foi seu foco? Meu foco sempre foi e continua sendo, cantar músicas com as quais me conecto com a letra e melodia. Passei por todos esses estilos e mais alguns. Meu trabalho autoral é diretamente influenciado por todas essas referências e cantores que sempre ouvi. Quando um artista canta sua verdade, seja qual for o estilo musical, transmite emoção ao público. 

Como é cantar música de qualidade num Brasil onde o popular cada vez ganha mais espaço? Muitos cantores incríveis terminam passando a cantar ritmos mais populares para poder conquista público e se firmar no mercado musical? Como você percebe isso? Todo artista busca qualidade em seu trabalho, expressando sua verdade. A liberdade artística é fundamental, e as escolhas musicais devem ser respeitadas. Não creio que meu trabalho seja melhor ou pior, na verdade nem penso desta maneira, apenas me dedico em fazer a música que eu gosto, que acredito e reflete quem eu sou. Acho isso fundamental. Respeito e reconheço o valor da diversidade de estilos musicais.

Quem são seus grandes ídolos e inspirações na música? Tenho uma lista! (risos) São muitos artistas que me influenciaram desde criança, nacionais e internacionais. Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia, Ivete Sangalo, Roberto Carlos, entre outros. Ainda criança, adorava ouvir as trilhas de grandes musicais da Broadway, álbuns da Barbra Streisand, Celine Dion, Dionne Warwick e as lindas composições de Burt Bacharach. Pavarotti, Frank Sinatra, Michael Jackson, Alicia Keys, como falei a lista é grande! (risos)

O que te move, hoje, a compor e a cantar? Ainda outro dia estava pensado nisso, cantar é minha sina. Canto todos os dias. Se não tivesse a música em minha vida, sentiria um vazio enorme. Sabe aquela frase de Aristóteles “nós somos o que fazemos repetidamente, excelência não é um fato e sim um hábito” ?! Assim é o canto, um treino diário e constante. E isso se aplica em todas as profissões, não somente na música. E essa paixão e dedicação é que move a compor e criar. 

Certa vez Maria Bethânia disse numa entrevista: “O palco é minha tribuna”. O que é o palco para você? Maria Bethânia é uma grande artista que admiro muito. O palco para mim, é o lugar onde posso fazer ecoar minha mensagem através da música.

E como anda a produção de seu primeiro EP que vem sendo desenvolvido? O ano de 2020 foi de muito trabalho, dedicação e crescimento. Priorizei meu tempo, minha energia e concentração na produção dessas músicas novas. Aprendi a colocar em palavras meus sentimentos e escrevi letras para as novas músicas, que tem verdade e contam histórias. As faixas estão sendo finalizadas neste fim de ano, para lançamento no início do próximo ano. Estou muito feliz com essa conquista e não vejo a hora de poder dividir com todos esse novo trabalho. 

Inclusive soubemos que esse projeto vem com novas parcerias e a busca por novas sonoridades. Como tem sido isso? Quando iniciamos a pesquisa por referências e estilos musicais que pudessem influenciar no desenvolvimento das faixas desse Ep, passamos por músicas e artistas dos anos 70 e 80 (nacionais e internacionais). Essas décadas são musicalmente, muito ricas. Então foi uma consequência do processo de pesquisa, a influência no processo criativo. Não somente nos arranjos musicais, mas também na maneira de cantar. Encontrei novos caminhos para voz, que antes não havia experimentado. O clipe oficial e uma das faixas terão Participações especiais. Aguardem o lançamento! 

Fazer parte do time de jurados do programa Canta Comigo (Record) deve ser uma bela experiência para um cantor. Como é para você julgar o trabalho dos cantores? É uma grande alegria poder participar desse programa. Estar em contato com a música, especialmente em um momento difícil de pandemia, tem sido muito especial. Ao avaliar uma apresentação, considero a técnica vocal, a desenvoltura de palco e principalmente a emoção. Se o candidato está cantando sua verdade e com o coração, isso faz toda a diferença.

Em muitos casos se vê neles em momentos diferentes da sua carreira? Claro! Cada candidato tem sua história de vida e divide com a gente suas emoções e inspirações. O formato do programa proporciona isto. Então além de nos emocionarmos com as apresentações, nos conectamos com as histórias e as dificuldades que todo artista passa. É de grande importância que a cultura receba mais incentivo em nosso país. O Brasil tem pessoas muito talentosas. 

Cada vez mais necessário ser ativo nas redes sociais. Ao mesmo tempo você parece bastante discreta em relação à sua vida pessoal. Como equilibrar isso? Tudo na vida é equilíbrio! Mostro um pouco da minha vida pessoal nas redes sociais, mas não gostaria que as pessoas tivessem mais interesse pela minha vida íntima do que pela minha música. Eu mostro minha vida pessoal nas redes sociais, quem me acompanha, consegue me conhecer e saber como sou no meu dia a dia. Mas não é meu maior foco. A cantora Adele lançou recentemente um álbum lindo, que ela certamente dedicou grande parte de seu tempo e energia na produção de cada faixa. Até a ordem das faixas foi bem pensada. Ela fez uma live para divulga-lo e algumas pessoas perguntavam com quantos ela havia transado até hoje! Eu entendo que exista uma curiosidade, mas no momento de um lançamento especial, o artista quer falar sobre sua obra. 

Quando procura relaxar e recarregar as baterias, o que procura? Durante este ano todo, quase não consegui parar para relaxar! Com a produção das músicas novas, lives, participações em programas de TV e rádio, aulas de canto e dança e toda produção de conteúdo para as redes sociais, os momentos de relaxamento foram pouquíssimos. Mas neste Réveillon conseguirei parar um pouco e reabastecer as energias para o próximo ano. Vou viajar com minha família para praia. Em contato com o mar e a natureza, consigo me desligar e me reequilibrar. No meu dia a dia, procuro meditar escutando músicas com sons da natureza e leio livros de assuntos que adoro. Essas coisas me ajudam muito a relaxar a mente. 

Projetos para 2022. O que vem por aí que pode nos adiantar? Somos movidos a sonhos e pela busca em tentar realizá-los. No início de 2022 farei o lançamento do meu Ep e vou seguir com uma agenda de shows e novidades já programados para o primeiro semestre.

Fotos @paulotroya

Stylist @fausehaten

Make @luizaamarop