ENTREVISTA: Max Fercondini – Cara de bom moço e talento de ótimo ator e apresentador

Por Nadezhda Bezerra 

Mais do que um ator, um cidadão, um homem ciente do seu papel de homem no trabalho e na sociedade. É essa a impressão que se tem ao conhecer um pouco mais do ator Max Fercondini. Com muita simpatia e simplicidade Max nos recebeu para esse papo muito legal que vai de sustentabilidade, prendas domésticas, fotografia, aviação…. e claro, TV! Sim, não podíamos deixar passar em branco a sintonia e admiração que ele nutre pela amada Amanda Richeter, que brilhantemente clicou Max nessa matéria da MENSCH. Max Fercondini, um cara típico bom moço que todo mundo quer como colega de trabalho, amigo de mesa de bar (moderadamente) ou simplesmente para um bom papo.

 
O que mais te marcou nesses anos todos de apresentação do Globo Ecologia? Este é o meu terceiro ano na apresentação do Globo Ecologia. Eu aprendo muito com o programa, pois faço questão de participar de todas as etapas: discussão de pautas, leitura dos roteiros e muitas vezes acompanho a edição na pós-produção. Dentre as coisas que eu mais gosto, está o compromisso em comunicar um tema tão fascinante e conectado com o cotidiano da vida das pessoas, por mais distante que possa parecer. Hoje, por exemplo, sabemos bem da grande interferência que os centros urbanos têm no micro clima de uma região. De fato, apresentar o Globo Ecologia é um espaço onde posso exercer uma função especial com responsabilidade social.
 

Essa experiência com o Globo Ecologia fez mudar algo em você em relação ao meio-ambiente e à sustentabilidade? Sim. Acredito que, a partir do momento em que se tem acesso à informação, todas as pessoas começam a fazer escolhas mais conscientes, inclusive com relação ao meio ambiente. Isso em mim é muito forte e, por conta de uma série de programas sobre consumo sustentável que fizemos na temporada do ano passado do Globo Ecologia, comecei a ter mais responsabilidade na hora de escolher meus produtos. Isso vai desde a escolha por produtos mais duráveis, até os que agridem menos o meio ambiente e minha própria saúde. Mesmo assim, ainda acho que a sociedade está muito distante de uma relação ambientalmente mais sustentável. Acredito que o avanço da tecnologia será muito importante no aprimoramento dos processos produtivos, obtenção de energia limpa e renovável e processamento e inertização dos resíduos que não podem ser reutilizados ou reciclados. Pode-se dizer que sou um otimista que acredita na ciência!

 

Em uma das cenas de “Morde & Assopra” seu personagem sugere a
Melissa, interpretada por Marisol Ribeiro, que fiquem juntos uma vez que estão sozinhos e sentem carinho um pelo outro. Na vida real você acha que só carinho pode construir uma boa relação e o amor pode surgir com o tempo?
Acho que o amor se constrói com o tempo. Amor à primeira vista é paixão, desejo e admiração ou outra coisa mais imediata. Só mesmo conhecendo a outra pessoa para se ter algo verdadeiramente próximo ao amor. A plenitude do amor, na minha opinião, é conhecido como altruísmo – mesmo dentro de uma relação amorosa. Para se conhecer profundamente a outra pessoa e poder dizer “eu te amo”, às vezes, leva-se um ano ou mais, dependendo da intensidade da relação e das intenções de ambos.

 
Ainda em “Morde & Assopra” seu personagem viveu no começo da novela um romance com uma moça comprometida por quem estava completamente apaixonado. Vale tudo por amor? Eu acho essa história inicial do meu personagem um verdadeiro absurdo. As coisas foram atropeladas pelos dois personagens. Ambos se precipitaram e acabaram se comprometendo antes de ter o poder de escolha. Talvez, por serem jovens. O sentimento imaturo é assim, não mede as conseqüências. É preciso lembrar que a personagem feminina em questão, estava comprometida para se casar com um homem por meio de um acordo/contrato chamado de “miai”, que é característico da cultura que estava sendo retratada na novela – cultura japonesa. Portanto, neste caso, o amor tinha uma barreira cultural bem delicada para ser vencida. Sou totalmente contra esses arranjos amorosos. Não existe coisa mais ultrapassada do que isso. Aliás, existe. A submissão da mulher em países árabes. Mas isso é outra história…
 

Você e seu irmão trocam muitas idéias sobre suas carreiras? Como
é a relação de vocês?
Sempre nos apoiamos muito. Ele decidiu ser ator quando eu já estava morando no Rio e com minha carreira “acontecendo” a todo vapor. Ele se esforçou muito para chegar aonde chegou e hoje tem um bom contrato com a TV Record. Acho que, se estivéssemos na mesma emissora as coisas seriam um pouco mais próximas e fáceis para ambos, mas acho ótimo ele estar conquistando seu espaço.

 
Como foi a experiência de gravar com índios para a novela portuguesa “Laços de Sangue” ainda mais trazendo de volta às telas o personagem Dr. Ricardo de “Viver a Vida”? Isso foi muito inusitado pra mim. Pois, foi um pedido da TV Globo para que eu pudesse reviver o Dr. Ricardo na novela portuguesa. A novela “Viver a Vida” estava fazendo um grande sucesso em Portugal e seria algo interessante ter um personagem da trama do Manoel Carlos transitando por uma novela do país irmão. Na verdade, essa participação aconteceu somente no primeiro capítulo, mas foi algo que me deixou muito orgulhoso.
 
 
Você começou a atuar muito cedo, tendo hoje mais de 10 anos de carreira antes mesmo dos 30 anos, consegue se ver fazendo outra coisa que não seja atuar? Algumas pessoas me perguntam isso. Estou muito feliz fazendo o que faço e com a repercussão do meu trabalho, tanto na Globo quanto junto ao público. De fato, tenho uma carreira ímpar do ponto de vista de escolhas e oportunidades. Mas, com certeza, eu me vejo fazendo outras coisas. Tenho hobbies que poderiam muito bem se tornar minha atividade profissional. O primeiro deles é a aviação. Sou completamente apaixonado e aficionado por aviões e pela rotina de estar sempre num lugar diferente no Brasil ou no mundo. Certamente, me dedicaria a isso como profissão. O outro hobby até está ligado a minha profissão, que é cinema e fotografia. Se não fosse ator, eu estaria – profissionalmente – atrás das câmeras. Digo dessa forma, pois tenho o hábito de pegar a minha Canon 7D e sair por aí fotografando. A melhor experiência fotográfica que tive foi em um safári na África junto com minha namorada. Ali, eu pude me realizar como fotógrafo amador, fazendo fotos e vídeos incríveis em alta definição dos mais incríveis animais africanos. Facilidade esta graças à excelente tecnologia da nova geração de câmeras.
 
 
Você tem um “quê” de bom moço, é mesmo um rapaz que toda sogra adoraria ter como genro? Pior que é justamente isso que muitas mães, que vêm a me conhecer, falam! (risos) Sei lá, não invisto nessa imagem de bom moço, mas acho que ela reflete nos meus trabalhos, personagens e escolhas profissionais. Muitas vezes, eu quis fazer algo que ficasse longe desse estigma, para variar um pouco, mas ainda sim me consideravam um bom moço. Por sorte, essa qualidade é respeitável e eu não tenho que me esconder por isso. (risos)
 

Como você definiria Amanda Richter? Que qualidades ela tem que você admira numa mulher? Ahhh,… Sou muito suspeito para falar dela, pois somos um casal em muita sintonia. Ela é tudo que eu admiro numa mulher e mais um pouco! Esse mais um pouco eu não posso falar! (risos). Mas, de verdade, vivemos uma relação de muito companheirismo, até mesmo atípico para nossa geração. A Amanda tem 21 anos e eu completo 26 no dia primeiro de setembro. Ambos somos maduros e encaramos com muito respeito o momento do outro e as SAUDÁVEIS diferenças. A Amanda é divertida, alto astral, dedicada e delicada, carinhosa… Enfim, posso ficar horas tecendo elogios a ela. (risos).

 
Soubemos que você adora aviação e tem até brevê, coisas não lá muito comuns. Gosta do diferente? Como é isso? A aviação, isso sim pra mim é algo que quis conquistar em minha vida. Acho que a aviação não é para todos, infelizmente, por causa do elevado custo das horas de vôo e taxas aéreas. Gosto de poder decolar do aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro e sobrevoar esta cidade tão visualmente maravilhosa. A Amanda sempre me acompanha nestes vôos. Dar esse prazer a ela é algo que me faz ser diferente. Sob este aspecto, gosto de ser diferente, sim.
 
 
 

E você também vai na onda dos homens que curtem ir pra cozinha fazer um bom jantar para os amigos e/ou um jantar íntimo pra namorada? Sempre! Amanda e eu combinamos muito na cozinha e gostamos de exercitar a prática de servir, a nós mesmos e também os amigos. Cozinhamos mais pra nós mesmos do que para os amigos. Mas gostamos de receber com “prato cheio” quem nos visita. Gostamos de degustar e SABER sobre vinhos e uvas também. Minha atual casa conta com uma cozinha americana que nós desenhamos para integrar os ambientes e, assim, podemos preparar as refeições interagindo com quem estamos recebendo. Gosto muito de preparar pratos com camarões. Amanda adora todo tipo de risoto.

 
Com relação à vaidade, como você lida com isso? Chega a usar algum produto ou é daqueles que esquece até de usar protetor solar na praia? Sou daqueles que se esquece do protetor solar, sim. Uma vergonha, mas tenho que admitir. Quem me faz cuidar mais da pele é a Amanda. Como nas gravações das novelas usamos muitas vezes maquiagem, quando chego em casa tenho o costume de usar os produtos de limpeza da Amanda. Quanto à vaidade na hora de me vestir, não sou chato, mas acabo procurando as melhores marcas, apesar de ser bem básico.
 

O que um homem não pode perder nunca e que qualidades deve buscar sempre? Acho que nunca devemos nos corromper para conquistar qualquer um dos nossos objetivos. A corrupção dos valores familiares e sociais são as maiores aberrações que estamos vivendo atualmente. E isso não é uma exclusividade dos homens, mas, aparentemente, as mulheres são mais honestas nos seus sentimentos e valores. Quanto ao que não devemos perder, acho que o cavalheirismo e a educação. São qualidades que sempre serão valorizadas pelas mulheres, por mais igualitária que seja a sociedade entre os gêneros.

 

Homens e mulheres são muito diferentes. Concorda? Que qualidades femininas você mais admira e que defeito você menos gosta?
Concordo e acho as diferenças saudáveis, complementares e essenciais. Gosto de mulheres femininas. Admiro a delicadeza do sexo oposto ao meu e, por vezes, a dependência por ajuda masculina. Gosto de poder ser útil à mulher em questões específicas, como consertar alguma coisa, carregar peso e ser coerente! (risos). Mas não dispenso a incoerência feminina sobre coisas abstratas e românticas. É um alento para minha racionalidade extrema, por exemplo.

 

Que “programa de homem” você mais curte: jogar bola com os amigos (ou ir pro campo), passar algumas horas no bar com a galera tomando vários chopes ou assistir Fórmula 1 no domingo pela manhã cedinho? Sou mais do bar com amigos. Gosto de beber, moderadamente. Já tive minha fase, mas agora, para maneirar na bebedeira, adotei o limite de um chopp ou cerveja por hora. E não vale contar todas as horas do dia e resumi-las no tempo em que se passa no bar! (risos) Dessa forma, acredito ser mais justo com meu corpo e mente, sem deixar de degustar um bom “suco de cevada” gelado com os amigos! (mais risos)

 
Dizem que a lealdade masculina é de dar inveja às mulheres. Você
concorda que a amizade masculina é mais sincera?
Concordo e pratico. Acho que os homens conseguem implicar menos uns com os outros do que as mulheres entre si. Respeitamos mais as diferenças e até mesmo as qualidades e vantagens que nossos amigos possam ter. Um exemplo disso, acho que competimos menos com um amigo por mulheres bonitas, mesmo sabendo que o amigo faz mais sucesso com as mulheres em baladas. É claro que as exceções fogem a regra, mas, no geral, homem é mais leal, sim.
 
 

Fotos: Amanda Richter
Agradecimentos: May Biolli – Ponto3 Comunicação
Agradecimento especial a Max Fercondini

 

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