CAPAS: A VERSATILIDADE DE LEO BITTENCOURT NA TELAS

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Com seu jeito manso e boa praça Leo Bittencourt vai conquistando tudo e todos. Quando está atuando, Leo consegue transmitir toda a verdade necessária para embarcar naquele personagem, seja ele herói ou vilão. Seu trabalho mais recente na TV, o Rhodes na novela Mania de Você, foi uma bela prova disso. O personagem só entrou no meio da trama e já chegou dando seu recado que era de um cara íntegro, firme e justo. Mas nem sempre foi assim, afinal para quem já interpretou um assassino nos filmes baseados no Caso Richthofen: O Menino que Matou Meus Pais A Menina que Matou os Pais, assim como um produtor sertanejo na série Rensga Hits. Natural de Manaus, logo que descobriu sua vocação artística se mudou para o Rio de Janeiro onde estudou na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e daí em diante não parou mais. Nessa entrevista exclusiva para a MENSCH ele nos conta um pouco disso tudo e do que vem por aí em breve. Afinal, sempre vale conferir o trabalho desse jovem talento.

Leonardo, reta final para Mania de Você… como foi estrear numa novela das 9 e já entrar com o bonde andando? Um desafio e tanto. Tive que me adaptar ao ritmo que já estava estabelecido, sem tempo de preparação e sem informações detalhadas sobre o personagem. Conforme os textos iam chegando, eu fui construindo o personagem com a história em andamento. Um processo totalmente diferente, mas que, com certeza, aumenta minha bagagem de repertório artístico. 

Como você avalia o Rhodes? Que desafios lhe trouxe? O Rhodes é um cara justo, que luta por seus valores, valoriza a amizade, é gentil e generoso. O grande desafio foi criar tudo isso em um ritmo acelerado que a novela pede. Meu exercício era enxergar a trama como um todo, na visão do espectador, e trazer esses valores, mesmo quando não se estava escrito. 

E como foi dividir cena juntamente com os quatro protagonistas? Alguma curiosidade que vale ser lembrada? De início, a sensação era como se estivesse naquela brincadeira de criança, quando se pula corda e você tem que esperar a hora certa para entrar. Os quatro protagonistas têm outro ritmo de gravação e, quando me vi, estava inserido nesse contexto. A Gabz e a Agatha eu já conhecia, da vida ou de outros trabalhos, mas, com certeza, criamos muito mais intimidade após Mania de Você. Criar conexões verdadeiras também ajuda muito o trabalho na frente das câmeras. 

Na trama o Rhodes é um cara muito correto, um pouco sério e centrado. Algo em comum entre vocês? Algo que temos em comum é a lealdade aos amigos. Tenho esse traço característico desde muito cedo. Tanto é que, até hoje, preservo minhas amizades de Manaus – muitas que fiz aos três anos de idade. 

Você parece um cara muito determinado e dedicado a cada novo projeto. Como é sua preparação a cada novo personagem? E como se despede dele? Depende muito de cada personagem. Em caso de personagens que existam na vida real, eu tenho um foco na pesquisa, assisto e leio tudo sobre o personagem e vou entendendo a linguagem corporal, forma de se expressar e criando as camadas dos personagens. Depois, criar intimidade com quem vou dividir a cena, porque estar à vontade com o elenco é estar entregue ao inesperado e daí saem as melhores cenas. Por fim, eu me despeço com a sensação de história contada e de ciclo que foi completo. 

Seus dois trabalhos anteriores no streaming foram bem distintos, um cantor sertanejo e um assassino. Como foi interpretar tipos tão distintos em um curto período de tempo? Que importância tiveram para você? Ter personagens tão distintos em suas mãos é um privilégio para o artista e a importância disso reflete justamente no reconhecimento do seu trabalho. Pude mostrar minha versatilidade e sigo atrás de histórias interessantes. 

O que mais te estimula como ator? É muito crítico consigo mesmo? O que mais me estimula é estar fazendo algo que, como público, eu também gostaria de assistir. Adoro juntar paixões da minha vida com o ofício de estar em cena, porque daí temos estrutura para alcançar outro nível de qualidade naquele talento. Como, por exemplo, cantar em Rensga Hits. 

Sou muito crítico e exijo muito de mim mesmo. É um desafio desapegar disso e ser generoso comigo até pra poder me divertir mais durante o processo. Acho que, com o tempo, vamos aprendendo a dominar isso, que também é uma forma de insegurança. 

Existe algum limite quando se fala em interpretação? Algo que evitaria fazer por um personagem? Ainda não pensei em uma situação em que eu não fizesse. Talvez uma produção com viés político que não compactuasse.

Tem gente que acha você com cara de príncipe. Já foi pré-julgado pela aparência? (risos) Acho que a primeira coisa que o humano aprende é reconhecer o rosto de sua mãe. E por isso nós temos esse hábito quase instintivo de reconhecer quem a gente conhece, através dos rostos das pessoas. Somos julgados a todo momento. 

Você se considera um cara muito vaidoso? Do que não abre mão? Nunca dei muita atenção pra isso. Também não sou muito de ficar no sol e acho que isso ajuda a manter a cara de mais novo (risos). Mas aprendi que é importante passar protetor solar. Não abro mais mão do exercício físico e alimentação balanceada. Essa parte está muito ligada à minha saúde mental também. Então, disso não abro mão. 

Na hora de relaxar um bom futebol ou cozinhar (soubemos que você é bom de fogão)? Aí você fez uma pergunta difícil. Futebol foi minha primeira paixão na vida, até hoje acompanho, coleciono camisa. Mas confesso que, com o passar do tempo, o desempenho já não é o mesmo. De uns anos pra cá, tenho me interessado bastante por gastronomia, principalmente os pratos tradicionais dos países. Uma é minha paixão de infância e a outra, minha paixão da vida adulta. Se possível, quero fazer os dois até o final da vida. 

O que traz da sua terra natal, Manaus, que carrega pra vida? Acho que carrego a simplicidade no jeito de viver. Quem convive comigo fala sobre não ter mudado o jeito de tratar as pessoas. A soberba é uma coisa que nem faz sentido para mim. Ser uma pessoa pública, não me dá o direito de tratar ninguém com menosprezo. Manaus tem um povo muito receptivo, de amizade fácil e apaixonado em espalhar a cultura de lá, pra todo o país se apaixonar como se fosse um nativo. 

Quais os planos para esse ano ainda? Algo que possa compactuar com os leitores da MENSCH? Este ano ainda tenho duas estreias. A terceira temporada de Rensga Hits vem aí, o primeiro no Globoplay. Para o pessoal que gostou de me ver cantando, vai ter uma nova interpretação de outra música, um clássico do sertanejo. E também neste ano, estreia a comédia romântica que protagonizei com Fernanda Marques, direção de Daniel Caselli, chamada Netlovers. Um projeto muito bacana e que deve chegar aos cinemas em breve. Por agora, quero tirar esse mês pós-novela pra descansar e renovar a cabeça, e já, já nos encontramos de novo em novas produções. 

Para conquistar Leonardo basta… Acho que a mulher tem que ter senso de humor. As ideias baterem de primeira e o sorriso também – é uma coisa que me chama muita atenção. Não que seja uma fórmula, mas tendo essas características com certeza ela se destaca.

Fotos @marciofariasfoto

Styling @ledupratoficial

Produção @kadunnes07

Make @laisregiaa