Nascido e criado em Cambará, no interior do Paraná Leonardo Zanchin aos 15 anos sonhava em ser modelo. E tudo começou quando depois de ser aprovado por uma agência de modelos em São Paulo e não poder ingressar na carreira na cidade por ser menor de idade, que foi orientado a estudar teatro. Leonardo voltou para Cambará, entrou na turma infantil de teatro e começou interpretando o Chapeleiro Maluco de “Alice no País das Maravilhas”. Vendo seu desempenho, o diretor o convidou para participar da turma adulta.

Dois anos depois, de volta a São Paulo, o ator começou a estudar na Escola de Atores Wolf Maya. Aos 16 anos, morou em uma república de estudantes, em frente a uma escola estadual, onde terminou o ensino médio, sempre com o apoio dos pais. Ele se formou em 2015. Depois migrou para o cinema, de época e infantil, na Oficina Rosina Pagan. Lá continuou seu aprendizado fazendo literatura e dramas de época, e também iniciou sua preparação para câmera com Paloma Riani e Douglas Rosa. Em 2019 vieram os primeiros trabalhos de publicidade, e no mesmo ano, um teste para a Netflix. Foram vários testes para a série “Boca a Boca”, até ter sua primeira aprovação e viver o personagem Caio, sua estreia no audiovisual. Leonardo passou a quarentena no Paraná e ao voltar para São Paulo foi convidado para o teste do personagem Neném de “Quanto Mais Vida Melhor”. Uma semana depois, soube que tinha sido aprovado e começou o processo de mudança para o Rio de Janeiro. Neném foi um grande jogador de futebol, já Leonardo não tem tanta habilidade com a bola. Foram treinos semanais com o treinador Jamir Gomes, muitos deles acompanhados de Vladimir Brichta, que faz o personagem na fase adulta. E o resto dessa história vamos contar ao longo dessa entrevista com Leonardo para a MENSCH.

Leonardo, ser ator era sonho de criança que se tornou realidade. Quando e como descobriu que era isso que queria para sua vida profissional? Foi um choque de realidade eu entender que precisaria de 10 cm a mais de altura para modelar nas passarelas da Europa. A agência que fui aprovado na convenção de modelos, com 15 anos, me incentivou a entrar no teatro, eu me saí bem no teste de câmera, então procurei o único teatro da minha cidade. Quando começamos a nos preparar para a peça “Alice no País das Maravilhas” me senti muito feliz e entusiasmado. Logo eu já estava na turma adulta repondo o lugar de um ator que não pôde continuar. Levantar duas peças logo de cara, e gostar do que eu estava sentindo quando entrava no palco, me fez pensar que poderia ser um bom caminho para seguir! Eu tinha apenas 16 anos.

Do teatro infantil, Chapeleiro Maluco até a formação na Escola de Atores Wolf Maya. Como foi esse início? Bom, o início da escola foi outro baque, o garoto da roça na cidade grande fazendo um dos melhores cursos de teatro e TV! Eu estava muito realizado porque meses atrás eu fazia apenas por gosto, e de repente eu mudei minha vida para seguir minha vida profissional.

Do Paraná para o Rio de Janeiro. Uma mudança que não teve volta. Se sente em casa hoje em dia? O que levou da vida no Paraná para a vida de carioca? Não me sinto totalmente em casa no Rio de Janeiro, posso dizer que me acostumei com a cidade e aprendi a viver nela. Amo muito o Rio e tudo de bom que oferece, mas o aconchego do se sentir em casa eu tenho com São Paulo, (risos). Eu acho que levo meu Paraná comigo onde quer que eu vá. Eu gosto de mato e rio, sons de pássaros desconhecidos piando nas árvores, cheiro de chuva e silêncio… coisas que só tem no interior mesmo. Porém eu amo cidades grandes, e suas diferenças, no Rio tem sol de lascar e praia, São Paulo tem frio de repente e vida corrida cheia de compromissos. São os opostos que me atraem muito, cada um na sua vibe!

Depois de um período de volta a terrinha por conta da pandemia, veio o teste do personagem Neném na novela “Quanto Mais Vida Melhor” e na sequência a confirmação que o personagem era seu. Como foi isso? Quase taquei o celular longe de felicidade! Mas não podia né? Tinha que manter a pose para falar “muito obrigado, fico muito feliz” para o produtor de elenco que me deu a resposta de aprovação. Era uma coisa que eu almejava desde 2012 quando entrei na escola lá atrás. Dez anos se passaram, eu estava confiante e preparado. Quando você acredita que é possível, e batalha para isso, independentemente do que você passou para o seu objetivo acontecer, em algum momento, na vontade de Deus, se é para ser, vai ser! Acreditem! Quando eu recebi o convite para o teste, eu estudei muito! Eu tinha pouco tempo pra estudar e decorar, e uma única chance para mandar o texto na lata! Porque teste de ator é assim, pá-pum! Então eu acordei falando o texto, tomei banho falando o texto, cozinhei falando o texto!! Uma hora eu falei: chega! Vou pensar no figurino… descansei a mente e fui para o teste, foi muito gostoso, lembro como se fosse ontem. Um sentimento marcante na minha carreira.

E como foi iniciar as gravações? Chegou a trocar alguma ideia com Vladimir? Vlad é um cara excepcional. Já o tenho como espelho de ator. Ele também veio do interior (da Bahia), e pude trocar muita ideia com ele, tanto da trajetória de vida, quanto da profissão de ator, e principalmente do Neném. Ele é um cara interessado, que se preocupa com mínimos detalhes, por exemplo, se estávamos usando o relógio do Neném no mesmo braço (a continuidade agradece). O início das gravações foi degrau a degrau para mim, um frio na barriga imenso. A aprovação veio, agora era hora de mostrar o que eu sei fazer, será que iria agradar os diretores? A primeira cena que gravei foi uma lembrança do Neném com várias garotas, uma para cada dia, uma sequência de 6x Neném, um desafio! E graças a Deus foi sucesso. Cinco horas para gravar uma cena de pouco mais de 1 minuto. Muito gratificante. Depois veio a preparação com a Carol Macedo, a Rose jovem, que tive muito aprendizado e grandes vivências. Protocolos de proteção a Covid-19 ainda estavam bem rigorosos, era uma época bem pandêmica ainda, tudo correu bem. E também, antes de começar o ritmo acelerado de gravações, o diretor liberou que eu assistisse algumas cenas do Brichta infiltrado no meio da produção, claro com as devidas precauções de proteção, para que eu fosse entendendo como era o Neném do futuro, para melhor construção do passado. Que privilégio, hein? Memorável!

Dar o pontapé inicial a um personagem, no caso o Neném, é uma responsabilidade grande. Como foi a preparação? E o que achou do resultado final? Uma grande responsabilidade! A ficha foi caindo conforme as preparações, eu era o protagonista, jovem em flashback, mas era. Contar uma história do passado não é uma tarefa fácil, a representatividade tem que ser muito clara para o espectador, e também não pode ser algo totalmente diferente. Claro que o Neném cresceu e aprendeu com seus erros, mas como ele agia no passado? Isso era meu toque de criação, portanto eu prezava muito quando conseguia ver o Vladimir atuando em uma cena familiar, podemos perceber bastante seus sentimentos como pai e pessoa que ele se tornou. Eu tive mais preparação com a Carol Macedo, e também com o Zé Victor e Maíra, que fazem Roni e Jandira jovens, então sempre com alguma troca desses atores, acaba sendo mais rica essa preparação quando não é sozinho. Já o Neném jovem era uma coisa mais de entendimento, sentimento, coisas do coração. Eu gostei muito do resultado final, espero ter conseguido representar aquele jogador que curtiu muito a vida, errou muito, aprendeu muito e mostrou ser um cara família, que cresceu sem pai e pôde dar o melhor para as suas filhas. Um diferencial foi que eu não representei a queda, o declínio do Neném, apenas a subida, a chegada ao topo, a vinda da primeira filha, suas vitórias, sua primeira namorada, seu grande amor da juventude, que é a Rose. Não houve cenas mostrando o que realmente ele fez de errado, isso é contado pelas ex-mulheres Jandira e Betina, e pela fofoqueira Dona Tetê.

E quando está com tempo livre o que curte fazer? O que faz sua cabeça? Gosto de viajar, sou quase um nômade, amo visitar minha família no Paraná, seja no interior, em Cambará, ou na cidade grande em Curitiba. Eu amo São Paulo e Minas Geral também, tanto interior quanto a capital. Gosto de mar, praia, cachoeira, banho de rio, reponho muito as energias, também gosto de gastar onda em casa ficando à toa, e de fazer exercícios físicos, principalmente academia e andar de bike. Pego alguma coisa pra ler, escuto música, um filme antigo e eu amo cozinhar, tenho alguns pratos específicos que sei fazer, não são muitos, mas me viro bem. Também sou DJ e adoro fazer um som! Eu amo compartilhar meu gosto musical com amigos, recebê-los em casa, dar muita risada, “encher o caneco”, como dizem na minha cidade!

Quais os próximos passos que pode compartilhar conosco? Vem coisa boa por aí! Ainda é muito cedo para falar sobre. Espero que o público saiba diferenciar a vida do personagem, com a vida do Zanchin.

Fotos Marcio Farias
Styling Samantha Szczerb

Agradecimentos Amil Confecções, Hermes Inocencio, Segheto