O mineiro Gabriel Fuentes, de 22 anos, tem uma trajetória de vida que daria o enredo de um personagem seu. Ele largou sua cidade natal aos 17 anos para tentar a carreira de ator no Rio de Janeiro com dois mil reais no bolso e muitas ideias na cabeça. Ralou, morou em subúrbio de favor, vendeu sanduiche para sobreviver até que nas voltas que a vida dá, Gabriel recebeu o convite para ser um dos protagonistas da atual temporada de “Malhação”. Foi quando ele viu sua vida mudar da noite para o dia. Mas sempre mantendo a simplicidade do garoto que largou a família anos atrás em busca da sua realização profissional. “Nunca deixei minha essência, humildade, caráter e honestidade de lado. Mas sempre encarei essa mudança como algo positivo”, comenta Gabriel. 

Gabriel, esperava pelo sucesso do seu Érico em “Malhação’? Como tem sido a repercussão? Fiquei bem surpreso, principalmente na minha quinzena. Não esperava atingir tantas pessoas. E são de várias idades, o que eu acho incrível. Desde as crianças até os avós. Quando o meu personagem roubava no colégio, foi quando as pessoas mais me paravam nas ruas. Às vezes até brigavam comigo. Teve um cara que chegou a me dar um tapa na mão (brincando) no mercado e dizendo que eu tinha uma mão quente. (risos) Sou muito grato pela repercussão gigantesca, principalmente nas ruas. Fico muito feliz quando alguém não sabe meu nome e me chama do personagem. (Oi, Érico! risos).

Como surgiu o convite e como foi estrear na TV como protagonista? Surgiu a partir de uma ligação de um pesquisador de elenco (Felipe Aguiar) que já estava de olho em mim para outros produtos antigos. Fui descobri logo depois, porque hoje somos amigos. Eu acredito muito na força do pensamento e do universo. As coisas foram acontecendo como deveriam acontecer. Eu estava bem infeliz trabalhando na cozinha e sempre pedindo a Deus para enviar algo melhor. Fiquei meses em oração e nesse processo de teste para “Malhação”, onde tudo foi acontecendo e encaminhando. E hoje estar como um dos protagonistas de “Malhação” é realmente uma grande responsabilidade e privilégio. Acredito que não tinha uma outra forma melhor de estrear, a não ser em “Malhação”. Aprendo muito, todos os dias. Desde os meus colegas de cena até a direção. Fico muito ligado em tudo no set de gravação. Ouço muito os conselhos de todos para comigo.

Você largou Minas Gerais e foi tentar sua carreira de ator aos 17 anos no Rio de Janeiro com R$ 2 mil no bolso. Como foi esse início? Que perrengues enfrentou? Sim. Abrir mão da minha família pelo meu sonho de tentar a vida artística profissional foi um processo árduo e prazeroso ao mesmo tempo. Sempre tive essa certeza de morar sozinho no Rio de Janeiro e viver da arte, mas não tinha a noção da realidade que me esperava. No início eu morei no subúrbio com os meus tios e minha irmã (que considero) Gisa, Deison e Thais. Foram anjos na minha vida. Graças à Deus tive eles no início da minha chegada aqui no Rio me orientando em tudo. Fiquei com eles durante um ano. Muitas coisas aconteceram nesse tempo. Passei por vários perrengues; questões psicológicas e financeiras onde meu dinheiro estava acabando e eu precisaria voltar para a minha cidade. Ali foi o fim para mim. Frustrado, magoado e depressivo voltei para a minha cidade. Mas chegando lá tive todo o apoio da minha família, principalmente da minha mãe e minha avó.

Quando foi seu primeiro contato com a arte de interpretar? Como isso te tocou ao ponto de saber que era o que queria para a vida? Acredito que foi na barriga da minha mãe. (risos) Desde muito pequeno sempre gostei de brincar de fazer de conta. Reunia meus primos, amigos e vizinhos todo santo dia para gente brincar. E a minha avó era costureira; então tinha vários panos, retalhos e outras coisas para embarcar nessas brincadeira. Mas tive meu primeiro contato com o palco em 2011 no Centro de Pesquisas Teatrais em Belo Horizonte. Minha primeira escola de teatro. Foi mágico! A sensação e o momento eram únicos. Viver e ver tudo aquilo acontecendo foi quase inacreditável. O palco muito iluminado, a plateia cheia, com toda a minha família, alguns amigos, colegas… A certeza só foi aumentando de que estaria no lugar certo para a vida inteira.

Quando o cara estreia na TV, vira protagonista de um programa popular como é o caso de “Malhação”, a rotina muda muito? O assédio é uma dessas mudanças? Caraca! Muda muito! Não imagina o quanto! Mesmo! (risos) Precisei me adaptar à várias coisas. Confesso que a cabeça dá uma mexida sim. Mas graças a Deus sempre tive o apoio da minha família, e principalmente da minha mãe e a gente sempre conversou sobre tudo e ela até hoje me dá conselhos, mesmo sendo leiga na área, porém bem vivida. Então eu sempre ouço com muita atenção e amor tudo que ela tem para me falar. Nunca deixei minha essência, humildade, caráter e honestidade de lado. Mas sempre encarei essa mudança como algo positivo. Assédio é uma palavra bem delicada. Mas sempre tem aquela pessoa que elogia demais. (risos)

Todo esse processo até aqui te trouxe amadurecimento e histórias para contar. Como você enxerga isso? Bastante! Às vezes eu tenho uma sensação de que eu já vivi uma vida maior que a minha. Tenho todos os dias algo como lição, nem que seja a partir de um conselho de qualquer pessoa. É muito gratificante chegar até aqui e saber que eu subi mais um degrau da minha carreira e vida. Mas não paro por aqui! É mais um trabalho de uma grande experiência.

Você tem um tipo bem brasileiro, nada muito próximo do que se imagina de um mineirinho, moreno jambo, cabelos cacheados…  Chegou a trabalhar como modelo? Que ótimo essa referência! (risos) Eu já fiz algumas fotos, mas não era nada muito profissional. Gostaria de ter trabalhado mais com fotos, mas acho que ainda dá tempo, né?! Que venham os convites! (risos)

Boa aparência nesse caso conta sempre. Como se cuida? É um cara vaidoso? Com certeza! Sou vaidoso até demais. Principalmente com meu cabelo. Tenho toque. Tô sempre mexendo nele. Acredita que nunca fui de cuidar da minha pele? Nunca passei filtro solar para sair de casa. É muito engraçado, porque as pessoas sempre me perguntam se estou maquiado. Graças à Deus foi bastante suco de inhame cru com limão que a minha mãe me deu. (risos) Brincadeira! A alimentação na minha casa sempre foi saudável. Comida de verdade, sabe? Eu amo! E sigo até hoje! Acredito que é por isso que eu fico bem e sem doenças.

Você tem sido apontado como o novo Cauã Raymond da TV por conta do tipo físico. O que acha disso? Cada um de nós é um. Admiro muito como ator e tenho como referência para minha carreira, mas não consigo fazer essa comparação física.

Que valores a criação da sua mãe deixou que você leva para o resto da vida? Qual o valor da família para você? Os valores básicos e essenciais da vida que eu vou levar pra sempre. Educação, respeito, generosidade, humildade e principalmente honestidade. Minha família é tudo para mim. Meu maior alicerce e base para minha formação. Tenho vários e ótimos exemplos a serem seguidos; meu avô materno (eterno “paivô”) deixou seu maior legado para mim que é ser honesto em tudo!

Nas horas vagas o que faz sua cabeça? O que te faz relaxar? Amo pegar praia, sol, correr e fazer nada também! A rotina é tão pegada que eu gosto muito de dormir nas minhas folgas. Se deixar passo o domingo inteiro na cama. (risos) 

Soubemos que depois do Érico de “Malhação” você já tem novos projetos na TV. Esperava por isso? Algo que possa adiantar? (risos) Ah é?! Dessa eu ainda não estava sabendo, mas estou focado em ‘Malhação’ ainda! Que venha… Mas estou com outro projeto fora da TV também. Estou entendendo o lado de se produzir e em breve terei um curta meu.