O processo de interação humana é muito complexo, pois se ocupa de pôr em contato universos profundamente diferentes que trazemos em nossas mentes. Complexo mesmo é que quando damos forma ao que dizemos adicionamos sentidos ou subtraímos significados, criando as diferenças de interpretação.

Por exemplo, (aliás, o exemplo que motivou esse texto): o processo do flerte. Nesse processo ambas as partes envolvidas lançam sinais para que a outra parte reaja. Um olhar, um sorriso, um movimento de cabeça que seja é capaz de comunicar histórias inteiras. Imagine a seguinte situação:

Um homem chega a um bar e a caminho da mesa de seus amigos vê uma moça de vestido de alça florido. Ao se sentar ele procura uma posição em que possa vê-la e ocasionalmente lhe dirige o olhar. Ao fazer contato visual ela abre um semi sorriso e desvia os olhos. Quando ele vai ao banheiro faz uma rota que passa perto da cadeira dela. Quando ela se levanta para ir ao banheiro fica ligeiramente de lado para ele enquanto arruma o vestido.

Sem proferir uma só palavra ambos criaram toda uma situação, em que a roupa dela chamava a atenção, atenção que ele dispensa a ela, sendo bem recebido por ela. Em um segundo momento as posturas corporais reforçam o que os sinais mais sutis insinuavam, dando-lhes maior substância, criando uma tensão. Num terceiro momento as intenções podem ser explicitadas por palavras, seja através de um “torpedo” pelo garçom, seja por um esbarrão na mesa para puxar assunto ou mesmo a abordagem direta (o que é mais raro).

Em qualquer caso, o que mais ajuda o andamento dos fatos é manter a coerência entre os sinais. Um fenômeno muito recorrente é quando os sinais se contradizem, mostrando interesse seguido de descaso em ciclos. Por vezes isso ocorre como estratégia para não “facilitar” o processo, resguardando o indivíduo e valorizando o seu passe. Tudo o que é mais difícil tem mais valor, mas se parecer difícil demais pode se tornar desestimulante…

Não existe regra simples nem garantia de sucesso para nenhuma situação, até porque o que pode parecer muito claro para um dos lados pode ser um mistério para o outro. Vale sempre a máxima de “quem não arrisca não petisca”, porque eventualmente será necessário se expor para ter sucesso nas intenções. Honestidade e clareza são fundamentais, mas a sutileza e mistério também… Cabe a cada um dosar e seguir seu estilo para se manter “na caça”!