Simone Zucato é daquelas mulheres arrebatadoras. Daquelas que não passam despercebidas nunca. Seja por sua beleza, elegância ou por seu talento na TV ou nos palcos. Paulistana, Simone escolheu as artes desde sempre. Ao longo de toda sua vida sempre se dedicou à carreira de atriz. Cursou o Teatro Escola Macunaíma, a Escola Wolf Maya, o Curso de Teatro na FAAP em São Paulo. Logo em seguida foi morar no Rio de Janeiro, onde estudou na CAL, no Tablado e participou de um grupo de estudos de Bárbara Heliodora, conceituada crítica teatral. Na sequência fez cursos no HB Studio, em NY, teve aulas com coaches renomados como Susan Batson, Robert Castle no Lee Strasberg Film Institute de NY, Michelle Danner, Nancy Bishop e Jandiz Estrada. Não satisfeita, Simone ainda é médica e faz aulas de canto e dança. E não por acaso veio parar aqui na MENSCH com um ensaio arrebatador. Encante-se por ela.

Simone desde sempre você queria ser atriz mas acabou se tornando médica antes de seguir carreira artística, como foi isto? Comecei no teatro no Elementary School, ainda na infância, quando morei nos EUA. Quando retornei ao Brasil, quis fazer faculdade de artes cênicas, mas meu pai era contra por causa da instabilidade da profissão de ator, e ele tinha toda razão porque é uma profissão muito instável. Ele queria que eu fosse médica. E eu sou capricorniana, perfeccionista. Gosto de ser desafiada e também queria agradar meus pais. Então fiz faculdade de medicina e quando acabei, fui estudar artes cênicas para me profissionalizar e depois poder começar a trabalhar como atriz. Então eu diria que fui dos palcos para a medicina. Sempre disse que sou a atriz que teve que ser médica, mas sempre com muita gratidão à criação que meus pais me deram e pela oportunidade de exercer dois ofícios tão nobres. Eu trabalhei como médica até alguns anos atrás e isso me possibilitou custear os direitos autorais de peças que venho produzindo no Brasil e também me ajudou a pagar meus estudos como atriz. Eu acredito que tanto a medicina quanto as artes ajudam a transformar o ser humano, uma proporciona a saúde física e a outra proporciona a saúde mental e a saúde espiritual. É um verdadeiro privilégio estar dos dois lados, apesar de não estar exercendo a medicina atualmente.

Sua afinidade com o teatro ficou comprovada em seu trabalho em: “A Toca do Coelho” quando você ganhou destaque na carreira, conte como foi encenar esta peça? Era uma delícia fazer essa peça. Primeiro porque quando eu a assisti pela primeira vez, me apaixonei pelo texto. Ele fala sobre perda, sobre superação, sobre culpa, sobre perdão… sentimentos dos quais estamos todos muito próximos e, como a maioria dos textos americanos, a dramaturgia era impecável. Segundo porque a personagem que eu interpretava era muito diferente do que sou, e isso para um ator é sempre um desafio. E também porque ficamos dois anos fazendo essa peça. Estivemos em cartaz em São Paulo, no Rio, e viajamos para mais 18 cidades brasileiras e depois finalizamos com uma temporada popular em São Paulo. Ao todo foram dois anos de temporada. Ou seja, era uma grande família onde todos (elenco, equipe técnica e produção) fazíamos o que mais amamos, levando arte para mais de 90 mil pessoas.

Como é a experiência de ser fomentadora de artes no Brasil, conte quais são os desafios enfrentados como produtora de grandes espetáculos? Eu vejo e vivencio muitas dificuldades. E para mim elas começam no momento em que você assina um contrato de direitos autorais que geralmente valem dois anos, e o tempo que você leva para inscrever em leis de incentivo, para conseguir captar, na maioria das vezes é maior que isso. E dificilmente, você consegue captar os recursos de forma integral, para poder realizar o projeto, então já começa a produção fazendo cortes, ou assumindo dívidas que muitas vezes tem que pagar com dinheiro pessoal. Além disso, para quem é produtor e/ou ator, ter que lidar com a realidade que o público brasileiro se interessa mais por peças que tenham atores muito conhecidos em cena é algo comum. Se não tem ninguém que está na televisão e que seja conhecido, é mais difícil você atrair o público para que ele venha ao teatro, independente se a peça é boa ou muito boa. Você tem o boca a boca, mas sempre vai ter uma plateia maior se tiver um grande nome no elenco. Isso é triste porque as pessoas em sua maioria, não saem de casa para ver uma história sendo contada por atores e sim alguns atores contando uma história.

Quando as pessoas se derem conta que o teatro é importante pelo texto, pela história contada, pela beleza de seu ritual e que essas histórias fazem parte de sua cultura, sua educação enquanto indivíduo, o teatro no Brasil terá resolvido, então, grande parte de seus problemas. Outra coisa que dificulta muito é a falta de interesse de empresas em patrocinar o teatro. E estou me referindo a todos os gêneros, incluindo o drama. Não gosto quando ouço “a vida já está muito difícil, as pessoas não querem sair de casa para assistir um drama”. Sem patrocínio conseguimos fazer teatro, mas com muito mais dificuldades e por um tempo muito menor de temporada. Com a pandemia, tivemos e teremos muitos novos desafios. Com o público reduzido, será mais difícil manter uma peça por muito tempo em cartaz. Muitos textos estão sendo encenados virtualmente através de plataformas digitais, mas os textos americanos na sua maioria não podem ser encenados assim, por uma questão de direitos autorais. Isso também reduz as possibilidades de quem produz peças de fora, como eu.

Você é uma atriz completa que canta, dança e fala outros idiomas, como é sua disciplina diária em prol da arte? Durante essa pandemia eu tenho tentado sair o mínimo possível de casa. Só saio para o que for realmente necessário estar presencialmente. Então eu tenho feito a maioria das coisas on-line. Mantive uma escala de aula de dança, ioga, exercícios aeróbicos para cuidar do corpo, e também faço aulas de canto e de interpretação. Também procuro ler e assistir filmes e séries. E recentemente comecei com aulas de italiano e francês e pretendo começar com aulas para aprender a tocar algum instrumento musical nas próximas semanas.

Quem são suas maiores referências nos palcos e nas telas? Tenho muitas referências. Já assisti muita coisa boa com atores incríveis. Acho que posso citar Glenn Close, Viola Davis, Laurie Metcalf, Marília Pêra, Fernanda Montenegro, Zezé Polessa, Deborah Falabella, Marjorie Estiano, Adriana Esteves, Bryan Cranston, Ricardo Darin, Tom Hanks, Denzel Washington, Tony Ramos, Marcos Caruso e Cássio Scapin como alguns deles.

Como médica e atriz quais são os maiores desafios que você vê para a população vencer esta pandemia do Corona Vírus? O maior desafio hoje eu acredito que é o ser humano desenvolver mais empatia. Ter um olhar mais carinhoso e mais cuidadoso com o próximo, com os animais, com o planeta. Respeitar o outro. Me entristece muito ver as pessoas sem máscara, se aglomerando, sem pensar que se adquirirem o vírus podem levar essa doença para outras pessoas mais frágeis que podem morrer por isso. Eu fico muito indignada com esse tipo de comportamento porque mostra o quão “desumana” a humanidade “está”.

A maioria dos artistas estão se reinventando neste tempo de isolamento social para continuarem exercendo suas profissões, o que você tem feito neste tempo? Eu tenho me dedicado à produção de minhas peças, apesar de não saber quando as coisas voltarão ao normal ainda. Também tenho desenvolvido alguns projetos como autora dos quais ainda não posso falar muito e estou fazendo leituras de um projeto para o qual fui convidada. Tomei muito cuidado em relação a conteúdo online como micro séries e lives porque acho que teve uma exposição muito grande de conteúdos assim nas redes.

O que você mais gosta de fazer em suas horas livres? Ler, maratonar filmes e séries, estar com minha família e estudar.

Das suas andanças pelo mundo, qual foi a viagem mais inesquecível e por que? Ah, todas as viagens para mim são inesquecíveis. Mas de todos os lugares, Paris é o mais especial. Eu não costumo ir a lugares turísticos apesar de sempre me deitar no Champs de Mars para ler um livro e ver a Torre Eiffel, e cada vez que vou, descubro vários lugares novos e especiais. Eu amo aquela cidade. Hoje, depois da passagem do meu pai, eu considero todas as viagens que fizemos em família as mais importantes.

Conte como foi viver a beata Liliane na novela “O Sétimo Guardião” da TV Globo? Foi delicioso! Uma experiência muito enriquecedora! Eu só tenho coisas boas e positivas para falar desse trabalho. E as que eu mais guardo são referentes ao clima delicioso entre os colegas de elenco, os ensinamentos e conselhos de colegas a quem eu admiro, que me são referência desde minha infância e da importância de estarmos prontos e atentos a tudo em um set de filmagem.

O que é preciso para conquistar Simone Zucato? Coisas simples: sinceridade (sempre!), honestidade, respeito, gentileza e bom humor.

Quais seus projetos para 2021? Não gosto de fazer muitos planos, pois estamos vivendo tempos em que planejar coisas pode ser frustrante. Mas como sou uma capricorniana que traça metas e vai atrás, tenho alguns projetos. Tenho, paralelamente a peça “Sylvia” – que talvez volte aos palcos, duas outras produções teatrais em andamento; e também quero muito fazer cinema. Ou seja: atuar, atuar, atuar… e estudar, ler os livros que quero e ainda não consegui ler, aprender outras línguas e a dançar os ritmos que não sei dançar. Me aperfeiçoar cada vez mais como atriz. Por hora, sem a vacina ainda, pretendo seguir com a rotina que tenho, tocando meus projetos de casa, até a maioria das pessoas estarem vacinadas e esse vírus ser controlado. E depois que isso acontecer e for seguro, encontrar amigos queridos e abraçá-los.

Que mensagem você pode deixar para os leitores da MENSCH? Chegamos nesse mundo trazendo apenas uma coisa: AMOR. E vamos embora dele levando a mesma coisa que trazemos: AMOR. Entre a nossa chegada e a nossa partida aprendemos muitas outras coisas, e nesse momento que estamos vivendo é essencial pararmos, respirarmos fundo e entendermos que é preciso olhar para o nosso entorno e que apesar de chegarmos sós e irmos sós, não estamos sozinhos quando estamos aqui. E sendo assim, é preciso exercitar o respeito, a empatia e o amor, não só para com o outro mas também para com a natureza e com o nosso planeta, que é a nossa casa. Então a minha mensagem é para que sejamos todos menos egoístas e pratiquemos mais o respeito e o amor.

Fotografia e beleza Pino Gomes

Produçãoexecutiva Márcia Dornelles

Moda Paulo Zelenka 

Assistente de moda Matheus Morais

Assistentes de fotografia Mauricio Ribeiro e Tomas Velez