Atualmente interpretando o Príncipe Luís Augusto em “Nos Tempos do Imperador”, Gil Coelho mostra que talento e versatilidade não lhe faltam. Seja para um personagem mais cômico, seja para um nobre em novela de época, ele mostra a que veio. E olhe que ele se dedicou ao personagem. Fez aula de prosódia e expressão corporal, caprichou no sotaque perfeito e se aprofundou sobre a história do Brasil. “Pesquisei bastante em fotografias para ver modos de sentar, cruzar as pernas, etc. Assistir algumas séries onde tinha príncipes em épocas diferentes, isso ajudou muito”, comentou Gil ao longo da entrevista. Que venha mais Gil pela frente, é sempre um prazer assisti-lo.

Como foi / é participar de uma novela de época de uma época tão importante para o Brasil? Me sinto honrado em participar da história de meu pais, ainda mais sobre D. Pedro II, que não temos muito acesso a audiovisuais com esse enredo.

E como foi o trabalho de composição do príncipe Luís Augusto? Soubemos que você teve aulas de expressão corporal e prosódia. Na construção, foi bem interessante, nos tempos de pandemia, tudo foi muito diferente. Fazia aulas de corpo com meu coach, Felipe Haiut, por aplicativos de áudio e vídeo, quando me afastava do computador e estava sempre com fone sem fio para poder criar e descobrir como esse personagem se movimentava e outras coisas mais. Muito diferente… minhas aulas de prosódia foram feitas quase que diariamente com as professoras de prosódia Leila Mendes e Iris, onde criamos o sotaque do Augusto, e que costumo dizer que foi, talvez, a parte mais difícil da construção dessa personagem. Mais perto do início das gravações, tivemos preparação de elenco nos estúdios Globo com a Cris Bittencourt, que me ajudou com caminhos bem interessantes.

Com sotaque alemão pra ninguém botar defeito, como foi encarar esse desafio da língua? Ah, isso foi bem complicado! Muito estudo, assisti séries em alemão, personagens que já fizeram algo parecido em novelas e até em novo mundo. Eram aulas quase diariamente, mas te digo que o mais difícil era acreditar que estava bom. Perguntava sempre a minha Professora de prosódia, “você está entendendo? Jura”? (risos)

Na trama, Augusto se casa com Leopoldina depois de uma disputa com seu primo. Você conhecia algo da vida do príncipe antes de encarar esse papel? O que ficou de aprendizado? Nada, teoricamente sempre sabíamos que o príncipe tem toda aquela etiqueta em uma mesa e uma educação espetacular. Tive algumas aulas de etiqueta que foram bem interessantes. Lembro que, na minha primeira cena de jantar eu abaixei um pouco a cabeça para pegar a comida. E a professora falou “Gil não esquece que é a comida que vai à boca do príncipe”. Todos riram! Divertido demais! Confesso que, depois disso, já fiquei bem mais esperto com tudo. Pesquisei bastante em fotografias para ver modos de sentar, cruzar as pernas, etc. Assistir algumas séries onde tinha príncipes em épocas diferente, isso ajudou muito.

Para você, quais os desafios de participar de uma trama de época e uma trama contemporânea? Ahhhh, muitas coisas diferentes! Desde o tempo da fala ao movimentação corporal. Nós que vivemos na contemporaneidade, temos urgência o tempo todo – andar, falar enfim tudo é rápido. Isso já e um detalhe bem interessante

Você sempre teve muitos personagens com um tom mais de comédia. Como é alternar papéis mais sérios com papéis mais cômicos? O que te deixa mais confortável? Na verdade, sou um ator que adora fazer humor. Sim, acaba que trabalho bastante com personagens que têm um tom mais leve. Eu costumo amar sempre meus personagens, desde da criação até a despedida deles. Eles sempre me deixam muito confortável. Até porque, os crio já para esse caminho – leva-los com leveza e felicidade.

Onde busca inspiração para um novo trabalho, um novo personagem? Depende! Para cada personagem, busco em alguma coisa diferente. Confesso que para construir o Augusto fui buscando referências em todos os tipos de série e personagens. Foram pequenos detalhes de cada trabalho para criar e me ajudar a guiar para o Augusto. Como estamos em pandemia, foi um trabalhão de muito estudo solitário.

Você largou o curso de direito para ser ator. Como foi isso? Quando percebeu que ser ator era o que queria para a vida? Na verdade, minha mãe sempre dizia que me via num palco, achava que eu tinha de ser voltado para as artes. Mas como meu pai e ela, que são falecidos, eram advogados, fui para o mesmo caminho com total apoio deles, é claro. Aos 17 anos perdi minha mãe e fiquei com isso na minha cabeça, já cursava curso livre de teatro e tinha esse desejo guardado em mim. Até um dia que fiz um teste para um comercial em 2007 e passei. Quando meu pai assistiu junto comigo, ele me olhou e falou “Te ajudo na faculdade de artes, vamos nessa! Siga esse caminho”. Aí, fui adiante e em 2008, entrei para a Oficina de Atores da Globo, quando minha vida realmente se direcionou para as artes com total certeza. Descobri que amava e respirava artes.

Se não fosse ator, se ver como advogado? Qual seria seu “plano B” na carreira? Hoje em dia, eu costumo dizer que não tenho plano B, isso me deixa muito feliz.

Na hora de relaxar o que curte ler, ver e ouvir? Séries e filmes são o meu ponto fraco. Assisto bastante coisas mesmo. Livros, adoro os de suspense que me prendem, ou autobiográficos e música, amo uma nova MPB. Amo o som do cantor Caio Prado. Conhecem? É espetacular.

Você é um homem mais vaidoso ou um ator mais vaidoso? Qual o limite? Segredo de estado! (risos)

Qual seu pecado preferido? Não resiste a que? Chocolate, pizza de chocolate branco. Oh my God!

Planos para o próximo ano? O que pode nos adiantar? Estou escrevendo coisas e quero muito ter um trabalho como roteirista.

Fotos Lúcio Luna

Styling Samantha Szczerb