Um homem multifunções, é o que podemos dizer de Nizo Neto. Só para você ter ideia o cara é ator, dublador, comediante, radialista, escritor e até ilusionista. Lembra das vozes de Presto da “Caverna do Dragão” ou de Willycat de “Thundercats”? Eram dele! Também as vozes Matthew Broderick em vários de seus filmes. Tanto talento assim só poderia vir da herança deixada por seu pai, Chico Anyzio e de uma família, como diz ele, só tem loucos. “Família pra mim é tudo, ainda mais a minha, que só tem gente doida, o que torna a coisa melhor ainda!’, comentou ele durante a entrevista. Atualmente com a peça “Vem Transar Com a Gente”, ao lado da esposa, ele em breve estará nas telonas com 3 filmes e em breve estará de volta à TV. Claro, um cara inquieto e com tantas atividades não para.

Nizo, como é ser ator, comediante, dublador, ilusionista, radialista e escritor? Onde se sente mais completo e realizado independente de retorno financeiro? É maravilhoso. Costumo dizer que quanto mais coisa a gente fizer, melhor, mais recursos tem. Amo tudo que faço, mas, com certeza o palco é onde me sinto mais inteiro e, na maioria das vezes, posso usar todos esses recursos lá.

Que influências seu pai deixou de herança que você levou para a vista? A herança que ele deixou foi o legado e essa obra fantástica, que poucos artistas no mundo deixaram. Realmente é um grande privilégio ser filho do Chico Anysio.

Você e irmão tem essa tendência para o humor. De onde vem isso? (risos) Adivinha? (risos) Tanto a genética quanto o aprendizado vieram do senhor Francisco Anísio de Oliveira Paula Filho.

Está mais difícil fazer humor hoje em dia com tanto policiamento político, social e moral? Muito mais. A censura voltou e, muito por causa das redes sociais, tá cada vez mais difícil fazer humor no Brasil. Não tem jeito, o humor tem que ser transgressor, tem que cutucar a ferida. Sempre foi assim e sempre será. Esse é o papel social e político do humor. Agora, há quem prefira o humor mais ingênuo, mais light. Não tem problema, há gosto pra tudo, há comediantes fazendo todos os tipos de humor. É só selecionar o que você quer ver e pronto. Vamos respeitar os gostos e estilos. Mas, claro, tomando cuidado pra não ofender. Pode cutucar sem perder o respeito.

Onde perdemos a graça ao longo desse tempo? Como disse antes, agora as pessoas tem voz através das redes sociais. Há um limite, claro. Não é o caso de perder um amigo pra não perder a piada. Mas agora qualquer crítica que se faça é uma enxurrada de mensagens de ódio, vindas de pessoas (normalmente perfis fake) que te julgam sem nem te conhecer. Tá chato isso. Mas é assim mesmo. Isso é mundial. São dois passos pra frente e um pra trás. Ou seria um pra frente e dois pra trás…?

O que te faz rir e o que te tira o humor? É fácil me fazer rir…como é fácil tirar meu humor. (risos) Meu gosto pra humor é bem variado. Gosto tanto de coisas simples como as mais sofisticadas. Atualmente o que me tira o humor é o fanatismo exagerado das pessoas, principalmente na política.

Como o ilusionismo surgiu na sua vida e como é sua realização com ele hoje em dia? Foi em 88, quando fui convidado para fazer alguns números de mágica no “Criança Esperança”. Me apaixonei de cara. A mágica exerce um efeito poderoso nas pessoas. Fazer uma coisa que poucos fazem – ou sabem como é feito – foi bem forte pra minha autoestima. Mas me desiludi um pouco com o sucesso estrondoso que o Mr. M fez aqui no Brasil. Enquanto ele apunhalava os colegas pelas costas o público o idolatrou, fazendo dele um herói e, nós mágicos, ficamos de babacas. Triste.

Qual o prazer e a dificuldade de dublar personagens que vão de pessoas à personagens de desenho animado? Dublar pessoas é mais complicado porque, por melhor que seja a dublagem, você está adulterando a obra. Já na animação acho que ela cai melhor, já que foi feita para se colocar a voz. Mas o boneco é apenas um desenho e a voz dá muita vida a ele. Esse é o desafio. Tudo em dublagem é difícil, mesmo pra quem tem experiência, mas é um trabalho incrível que me fez crescer muito como ator. Vale lembrar que a dublagem brasileira, assim como a alemã e a italiana, está entre as melhores do mundo.

Algum personagem que você nunca dublou e gostaria de dublar? Qual o mais marcante? O que mais me marcou foi, com certeza, o Ferris Bueller (Matthew Broderick) em “Curtindo a Vida Adoidado”. Ganhei uma verdadeira legião de fãs por conta desse trabalho. E o filme é muito bom! Engraçado, quem eu gostaria de dublar eu dublei…mas não da forma como eu esperava. Eu explico. Estou falando de “De Volta Para o Futuro”. No final dos anos 80 eu dublava o Michael J Fox na série “Caras & Caretas”, que era exibida na Globo. Quando a Globo anunciou no fim do ano os filmes que seriam exibidos na grade do ano novo, lá estava o “De Volta” e eu pensei: “Oba! Tá chegando…”. Só que o distribuidor mandou dublar em SP. Foi bem frustrante. Mesmo porque eu já tinha dublado o filme para uma versão para ser exibida em avião. Mas a versão “clássica” eu não fiz e foi difícil de engolir.

O que te desafia, ou desafiou, como radialista numa época de internet e redes sociais? Qual o futuro do radialista numa era digital? O rádio já sofreu um baque maior com a chegada da TV. A TV aberta, sim, está passando por poucas e boas com a chegada da internet e está precisando mesmo se reinventar. Mas o rádio vai virar digital, que dá condições de fazer ao vivo. Não acho que vai mudar tanto. O que vai segurar um pouco a TV e rádio abertos aqui no Brasil é que ainda tem uma grande quantidade de pessoas muito pobres, que dependem dos canais abertos. Mas, principalmente a TV, tem que ficar de olhos bem abertos porque a coisa está mudando e mudando rápido.

Como é a relação com seus irmãos e a importância da família para você? Muito boa. Não somos tão próximos fisicamente, mas nos damos muito bem, temos carinho e admiração uns pelos outros. Família pra mim é tudo, ainda mais a minha, que só tem gente doida, o que torna a coisa melhor ainda! (risos)

O que curte para relaxar, se distrair? Curtir minhas 3 mulheres (Tati, Bela e Sofia), ver séries, acompanhar hipismo e corrida de cavalos, sair com nossos novos amigos paulistas…

Até onde vai a sua vaidade como ator e como homem? Como homem eu sou pouco vaidoso, poderia até ser mais. Tati me ensina muito a cuidar mais de mim, da minha imagem. Agora, como ator, sinceramente é difícil não ser vaidoso. É uma profissão extremamente narcísica. A gente quer ser aplaudido o tempo inteiro, faz parte da profissão. Eu realmente gosto quando as pessoas na rua me elogiam e pedem pra tirar foto. Mas será que isso é vaidade?

Em breve você estará nos cinemas com 2 novos longas. O que podemos esperar deles? Na verdade 3. “O Sofá” e “Amor Assombrado” já estão prontos e serão lançados ainda esse ano. O primeiro é do Bruno Safadi, que me dirigiu em O Prefeito, que foi meu primeiro protagonista no cinema. É um filme de baixíssimo orçamento com a Ingrid Guimarães que foi rodado em uma semana. Nele eu repito o personagem do Prefeito, que volta numa participação incrível. Em “Amores…”, do Wagner de Assis, eu faço um mordomo numa participação especial nesse filme muito interessante, que eu estou muito curioso pra ver. Vou rodar agora “Meu Último Desejo”, do Arnaldo Jabor, onde faço um juiz.

Você ainda está em cartaz com “Vem Transar Com a Gente”? Como tem sido? Sim. “Vem Transar Com a Gente” é um projeto importante na minha vida por várias razões. Primeiro por estar ao lado da Tatí no palco. Ela não é atriz, nem pretende ser, mas a entrega dela é incrível. Apesar dela estar fazendo a palestra dela sobre sexualidade, é diferente estar no palco, tendo que fazer o espetáculo regularmente, respeitar marcações de luz, decorar texto, enfim, uma série de coisas que tiram muito ela da zona de conforto e ela faz de forma impressionante. Isso é bonito de ver. Pra mim como ator também é muito bom, uma forma de mostrar no palco um outro lado. E “Vem Transar…” é importante porque muda a vida das pessoas. Recebemos feedback toda hora de gente dizendo que uma coisa ou outra que eles viram no espetáculo melhorou a vida sexual deles. Isso é muito gratificante. Daí o sucesso. A resposta está sendo fantástica. Estamos lá no Bibi Ferreira todo sábado às 23h30.

E o que vem por aí, quais os próximos passos? Muita coisa acontecendo. A mudança para SP está sendo fantástica. Tenho feito muitos eventos corporativos como mestre de cerimônias e muita locução para publicidade e institucionais. Tem coisas pra acontecer em TV e com certeza vocês vão ficar sabendo!

Fotos Angelo Pastorello @angelopastorello

Direção de produção e estilo Ju Hirschmann @juhirschmann

Beauty e produção de moda Dri Chepezan @drichepezan

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