As mudanças trazidas pelas novas economias vêm impactando não só os modelos de negócios, como também o comportamento das pessoas. Afinal, se trata de uma transição global, uma nova mentalidade pautada em necessidades humanas como criatividade, colaboração, consumo consciente e inovação. Nesse contexto, um novo perfil de empreendedores vem entrando no mercado há algum tempo, de forma não mais silenciosa e, junto com eles, novas formas de criar, produzir, distribuir e se relacionar com o mundo. Uma das principais motivações tem sido ativar conexão, educação, propósito e negócios em formatos nada convencionais. E sobre isso, Germana Uchôa entende como ninguém.

Formada em Publicidade com pós-graduação em Cultura de Moda, pela Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo, ela vivenciou todo o processo de transição, encarando de frente os desafios até assumir o papel de ajudar os empreendedores criativos a concretizar seus projetos. Germana é convidada frequentemente a participar de eventos e ministrar palestras e workshops para falar de sua vasta experiência com economia criativa e colaborativa, com o futuro do trabalho, da moda e empreendedorismo.

Professora, mentora e coolhunter – ou garimpeira – como gosta de ser chamada, esteve à frente de vários negócios até criar o Espaço Garimpo – plataforma de empreendedorismo, criatividade e inovação, que ajuda pessoas a empreenderem de forma criativa, usando seus talentos como principal recurso nos seus projetos e negócios, além de orientar as empresas que precisam de mais criatividade na gestão. Natural de Recife, Germana já morou nos EUA e na Alemanha. Por onde passa, está sempre em busca de inovação e criatividade. Não à toa, em 2010, foi selecionada para o Programa Empreendedores Criativos do Santander (SP), um reality show com empreendedores criativos e experts em economia criativa, que foi um divisor de águas para o modelo de negócio da Garimpo (@espacogarimpo).

MINDSET CRIATIVO NAS EMPRESAS

Em 2012, venceu o prêmio internacional YCEA, na categoria Moda, do British Council, que a levou para uma residência em Londres. Em 2014, fez parte do projeto “Recife: The Playable City’, em Bristol. No mesmo ano foi morar na Alemanha com a família e, em 2015, se tornou uma das participantes do projeto Conexão Negócios, na Arcor Madrid pelo MINC, além de viajar pelo mundo sempre em busca de novidades.

Antes de mergulhar no universo da economia criativa, atuou por mais de quinze anos como executiva de marketing no mundo corporativo, onde já assumia uma postura empreendedora, criando departamentos, processos, treinamentos, manuais e novos produtos e serviços de um jeito “diferente”, como forma de inserir um mindset mais criativo dentro das empresas.

“Foi por causa desse meu espírito empreendedor que comecei a me sentir incomodada dentro das empresas. Geralmente são ambientes engessados, que não nos deixam ativar nossa criatividade. Assédio moral, horário pra cumprir, falta de liberdade, relações não horizontais, tudo isso foi me sufocando”, explica.

A necessidade de mudar de rumo e se reinventar, fez Germana querer empreender e, para isso, apostou na pós-graduação em Cultura de Moda, que lhe permitiu entender novos padrões de comportamento. “Foi uma época em que as faculdades de moda estavam chegando aqui no Brasil e eu queria entender porque essa moda mexia tanto com as pessoas. Não só no consumo, mas na vontade e no desejo de começar a empreender, nos novos modelos e marcas que estavam começando a surgir. Como sempre trabalhei com marketing, eu já pesquisava o comportamento do consumidor e precisava entender as mudanças de comportamento que estavam vindo através da moda”, comenta Germana.

Inicialmente, Germana criou a marca Ballux, que reutilizava tecidos descartados em testes de estampas para fazer roupas, acessórios, móveis e qualquer coisa que viesse à cabeça. Mas não demorou para sentir as dificuldades de ter um negócio disruptivo. “A coisa mais difícil da minha transição foi sair de uma bolha do mercado publicitário, de executivos, de CEOs e grandes eventos para ir pra um negócio menor e inovador. Eu precisava me conectar com essas pessoas e não sabia como”.

Foi quando decidiu criar a Garimpo, inicialmente em formato de pop-up store itinerante, reunindo empreendedores que tivessem enfrentando as mesmas dificuldades. Era uma forma de conectar essas pessoas e gerar novas parcerias e oportunidades de negócios. Daí pra começar outros projetos criativos, foi um pulo. Até que mudou o modelo de negócio da Garimpo para o formato de plataforma, como está consolidado hoje. Além de realizar processos de mentoria, em que ajuda pessoas a acharem soluções práticas e claras para alcançarem seus objetivos, a Garimpo trabalha com cursos, palestras, oficinas e projetos. Tudo isso focado no propósito de conectar pessoas, gerar oportunidades de negócio e construir um modelo de educação empreendedora, criativa e inovadora.

EMPREENDEDORISMO CRIATIVO

Um desses projetos é o Cool Maps (@coolmapstours), criado para quem está dando os primeiros passos na economia criativa ou para quem quer se conectar com o mundo das novas economias e entender as oportunidades desses mercados. Através de um processo de seleção, o Cool Maps reúne, numa tour, pessoas interessadas em conhecer os bastidores de empreendimentos criativos e a história de quem está por trás deles. Uma forma de garimpar mentes criativas para trocar ideias, além de inspirar e provocar quem quer empreender na área.

O projeto já realizou tours em Recife, Caruaru e São Paulo, com participantes desses locais, e também da Paraíba, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Santa Catarina. Por onde passa, tem agregado valor e causado impacto nas pessoas. Para Dina Cardoso, produtora cultural e fluxonomista, que participou de uma das edições em São Paulo, o Cool Maps “é uma experiência muito rica porque vai além do que propõe. Não é somente um passeio para conhecer gente e lugar descolado. É uma experiência que te apresenta novos recursos e que te traz, com certeza, muitos resultados.”

Diretoria da Lilo Zone, em São Paulo, Lina Lopes acredita que o projeto é uma oportunidade de conectar pessoas através de espaços. “A gente fala muito de rede sociais, de revolução digital, mas a gente quer se conectar, quer ver as coisas, conversar com as pessoas, trocar ideia. E o Cool Maps traz uma possibilidade de networking que sai muito da esfera do virtual, além de fazer a gente reconhecer a cidade”.

Larissa Moura é empreendedora criativa de Recife, onde participou do tour, e também reconhece a importância do projeto. “É uma experiência que proporciona conhecer, de fato, a pessoa que produz, a pessoa que faz as roupas, que elabora os produtos e quem está por trás da marca”.

Como próximo passo, Germana planeja expandir a possibilidade de conexão do Cool Maps, viabilizando uma plataforma digital onde garimpeiros de qualquer lugar do mundo poderão criar os seus tours, inspirando e conectando pessoas e espaços pelo mundo afora. A intenção é proporcionar um novo olhar e uma nova mentalidade de como criar e girar negócios criativos, colaborativos e tecnológicos de forma sustentável, com mais propósito e gerando mais impacto social.

Conheça o projeto acessando: https://www.youtube.com/watch?v=Sj9VTOe7nho&t=12s