A língua portuguesa é uma das mais ricas do mundo, contudo e ainda assim, não há palavras que possam descrever tudo o que foi o show de Paul McCartney no dia 21 em São Paulo.
Aliás, prova de gentileza digna de um “sir” tentar se comunicar na língua do público. Há quem fique falando porque ele estava lendo, mas há tantos que falam nossa língua e fazem show sem o mínimo de interação, como quem está só mesmo cumprindo contrato. Paul não, Paul arriscou gírias e rebolados para mostrar que respeitava aquelas 64 mil pessoas que o aplaudiam, riam, gritavam e choravam emocionadamente por estarem ali, diante de um sonho que se realizava numa super produção de tirar o fôlego.
Me perdoem (assim mesmo com o pronome oblíquo na frente) os confetes mas não tenho a menor pretensão de aqui, neste espaço, fazer um relato frio e imparcial de um momento mágico. Minha pretensão é de tentar passar nessas linhas o máximo possível da emoção que vivi e vi nas pessoas ao meu redor durante 03 horas de show inesquecíveis.
Quando Paul McCartney entrou no palco o estádio foi ao delírio. Dias, horas, uma eternidade de espera acabava ali, com o ex-beatle (será mesmo justo usar “ex”?) trajando calça preta, camisa branca e um blazer azul. Foi dada a largada para uma das noites mais importante, inesquecível, extraordinária da vida das milhares de pessoas que lotaram o estádio.
“And I Love Her” e “Blackbird” também chamaram a atenção, principalmente o telão da segunda que parecia ter imagens em 3D. Antes de iniciar Ob-la- di, Ob-la-da Paul pediu para que todos cantassem com ele para depois emendar com “ vocês já estão cantando todas mesmo” o que demonstrou a emoção dele ao ter TODAS as músicas cantadas pela platéia.
Os balões brancos agitados enquanto o telão exibia o símbolo da paz e Paul puxava o coro “give peace a chance” foi como uma oração aos céus pela paz e amor ao próximo. Arrepiante até para a mais cética das criaturas.Para quem estava ligado no setlist sabia que Let It Be anunciava o apogeu de efeitos visuais do show com Live and Let Die. Dito e feito. Todo mundo parecia realmente esperar pelos fogos sincronizados com os acordes da canção que foi trilha sonora de ninguém mais ninguém menos que 007, o espião mais famoso de todos os tempos. Os gritos (inclusive e principalmente os meus) acompanharam a queima de fogos que poderia ser vista do alto dos céus de São Paulo e levou todos a loucura. Por falar em céu vale dizer que este show foi presenteado por uma lua cheia em tons de laranja que mais parecia uma espectadora nobre do que um astro celestial.
Hey Jude anunciava o fim do show e mais uma vez o público mostrou que conhecia as letras e cantou junto com o astro que se despediu com a banda ao final da canção. Aliás, que banda! Dava pra ver a emoção dos músicos por estarem ali com ele, Paul McCartney. O baterista era uma alegria só e durante Dance Tonight fez passinhos que renderam gargalhadas e a certeza que Paul não era o único músico simpático no palco.Como era esperado, todos voltaram ao palco para o primeiro “bis” que começou com Day Tripper. Já o segundo teve início com Yesterday, que, aliás, devia estar sendo bastante aguardada devido a reação do público. O rock and roll tomou conta quando Paul tocou Helter Skelter e os tiozões de camiseta preta e cabelos longos grisalhos foram ao delírio!
Dados da viagem MENSCH
Hotel: Panamericano – Rua Augusta, 778 – Consolação, São Paulo, 01305-000 (11) 3231-0312



