O que a moda traz de novo para o vestuário masculino nos últimos tempos foi o que motivou inicialmente os sócios João Lucena, Diego Coutinho, Victor Domingues e Emmanoel Fernandes para a criação da marca pernambucana Artesão (@artesaocw) há cerca de três anos. Com a ideia inicial de trabalhar exclusivamente no setor de e-commerce, aos poucos a ideia foi tomando outras proporções e hoje já possui duas lojas, uma no Shopping Riomar e a mais recente inaugurada no Shopping Recife.

Ao longo desse tempo, a Artesão tem se destacado por sair sempre da monotonia, focando nos detalhes para trazer identidade e personalidade à peça. Como exemplo, a marca trabalha com diversos tipos de formatos de bolsos, usa botões de diversos materiais, apresenta alternativas de golas, barras de camisas e mangas. Além da essência minimalista, a marca tem investido também em estampas e cores mais arrojadas, que vem fazendo bastante sucesso. “Temos desenvolvido, também, cada vez mais peças com estampas e cores mais arrojadas – isso tem atraído muitos novos consumidores. E, ainda falando em produto, não abrimos mão de comprar os melhores tecidos e malhas disponíveis no mercado – mesmo que isso nos custe muito mais”, comentou João Lucena.

No que tange ao subjetivo, a proposta é vender mais do que roupas para clientes e amigos. Sugerindo uma conexão que vai além disso. Em nossas lojas, sempre há um momento para um cafezinho e uma cervejinha gelada. Muito comum os clientes se tornarem amigos dos vendedores e dos sócios, passarem a frequentar a loja como se ela fosse uma espécie de clube, onde se encontram para tomar uma cerveja, botar o papo em dia e escolher uma roupinha para usar no final de semana. Essa ideia é percebida também nas redes sociais, que traz um material interessante para conversar com o nosso público. Nos finais de semana, por exemplo, é comum compartilhar dicas de filmes, livros, viagens, entrevistas etc. O que tem feito muito sucesso entre os seguidores da marca.

CONSTRUÇÃO DA MARCA

Todo o processo criativo é feito internamente. A pesquisa sobre a coleção começa muito antes da escolha dos tecidos. Essa busca ocorre através de pesquisas sobre as referências históricas da moda, viagens, que servem tanto para observar produtos como também a experiência do consumidor dentro dos diferentes ambientes de loja, decoração e dinâmica de exposição de produtos. “Ao invés de focar nas grifes main stream, a preferência tem sido, quase que sempre, fuçar as marcas menores – entendemos que são mais autênticas e estimulam mais ideias fora da caixa”, comenta Emmanoel.

A MENSCH bateu um papo com João Lucena, um dos sócios da Artesão para conhecer um pouco mais. Confira:

Ao longo desses três anos da marca quais ajustes ou mudanças foram feitas da marca? A marca faz três anos agora em dezembro e, desde o seu nascimento, tem trazido produtos inovadores e um conceito de marca muito interessante. Mas um grande problema, no começo, foi que a empresa foi crescendo rápido e de forma desordenada. Isso custou bastante. Começamos o negócio em dezembro, em junho do ano seguinte já estávamos negociando a entrada no maior shopping center da cidade e, em outubro, inaugurávamos a nossa primeira loja física. Nenhum dos sócios, então, tinha experiência no varejo. E varejo, principalmente em shopping, é algo bem complicado. Errar numa operação dessa custa muito caro. Erramos bastante de lá para cá e pagamos o preço. Hoje, estamos cada vez mais preparados. Sem dúvidas, o ajuste mais importante que fizemos foi em processos. Claro que também evoluímos bastante em outras frentes como produto, marketing etc. Mas a melhoria de processos, sobretudo planejamento orçamentário, foi primordial para que o carro não corresse fora da pista.

Qual o perfil do homem que veste Artesão? Ele curte bastante a moda casual. Normalmente passeia muito entre tons mais sólidos e desenhos minimalista. Mas, também tem os que curtem, além de peças mais básicas, itens com estampas de mais personalidade – coisa que estamos implementando cada vez mais no nosso universo. Todos contemplam matéria prima de qualidade para a confecção dos produtos. E, grande parte deles, tem alguma afinidade com o ambiente da arte – seja arquitetura, pintura, literatura, música fotografia ou cinema.

Como driblaram o período de pandemia para se manter no mercado?

– Revisamos processos e a operação;

– Otimizamos o orçamento;

– Buscamos criar novas soluções para qualificar nossos canais de vendas (1. relançamento do site, no período pré-pandemia; 2. Serviço de entrega expressa em Recife (até 24hs); Serviço de envio de mala customizada para o cliente, o “Artesão em casa”)

– Arriscamos planejar a coleção do verão e alto verão, ao passo que algumas marcas suspenderam ou enxugaram substancialmente a produção das novas coleções.Como vislumbram a marca daqui a alguns anos? A visão da Artesão é se tornar a marca de moda de origem Nordestina que mais influencia a moda casual brasileira.